
Em entrevista à revista Dragões, publicação mensal do FC Porto, William Gomes, que chegou aos dragões em 2025, revisitou a sua trajetória desde os primeiros chutos na escolinha Baden-Powell até à transferência relâmpago para o clube azul e branco. O extremo, de 19 anos, revelou a sua intenção de singrar na Europa, tudo começando com uma conversa que manteve com o antigo companheiro James Rodríguez, que acabou por ser decisivo na sua decisão. “Já tinha falado com o James sobre o Porto, conversávamos várias vezes e ele sempre me falou da grandeza do clube e da atmosfera que era”, contou o talentoso atacante, dono de um fabuloso pé esquerdo que tem feito as delícias da plateia portista.
Antes de ingressar no FC Porto, William Gomes revelou que teve algumas conversas com o treinador e os dirigentes do São Paulo. “Eu já sabia do interesse do Porto e tive uma conversa franca com o treinador do São Paulo e com os dirigentes, manifestando a minha vontade. Na época estava de férias, os meus empresários conversaram comigo e na última semana disseram ‘pode pintar alguma coisa’. Tínhamos um pé atrás para não sofrer por antecipação, mantive-me focado no São Paulo. Depois de um jogo, o meu empresário ligou: ‘Amanhã viajas, está tudo certo com os teus pais’. Fiquei muito feliz, apesar de ser triste deixar a casa São Paulo, onde ainda tinha muito para dar. Mas com o FC Porto a chegar, fiquei felicíssimo”, explicou o jovem craque brasileiro.
São Paulo para sempre no coração
William Gomes sabe que foi um jogador barato, mas também reconhece que pode vir a dar muito ao São Paulo. O negócio envolveu a verba de 9 milhões de euros, o valor do passe, obviamente baixo se comparado com outras transferências bem mais caras. William Gomes fala do seu antigo clube com carinho e ciente das suas origens. “Recebo muitas mensagens no Instagram a falar sobre o assunto e vejo isso, a dizer que saí barato, mas é bom que o São Paulo tenha ficado com essa percentagem – vou ajudá-los”, referiu, pois o emblema brasileiro receberá 20 por cento de uma futura transferência.

No plano desportivo, William Gomes tem vindo a ganhar o seu espaço, repartindo a titularidade com o espanhol Gabri Veiga. Contudo, a saída do seu compatriota Wenderson Galeno para o Al-Ahli, da Arábia Saudita, bem como do espanhol Nico González, para o Manchester City, abriu um espaço para que o jovem extremo brasileiro tivesse mais oportunidades, ainda com o argentino Martín Anselmi no comando dos dragões. O atual técnico do Botafogo acabou por não ser bem-sucedido na sua aventura europeia, depois da sua atribulada saída dos mexicanos do Cruz Azul, mas foi com ele que William Gomes teve os primeiros apontamentos de génio que o catapultaram a outro nível.
“O meu primeiro jogo foi contra o Sporting. Cheguei uma semana antes e treinei algumas vezes. O Anselmi disse-me que me ia usar na ala esquerda, posição que nunca tinha feito. Mas o jogador joga em qualquer posição para ajudar. Corri mais, batalhei, e temos boas recordações – empatámos no fim. O primeiro contacto com o Dragão foi especial, toda a vez que jogo lá espero aquela vibração”, recordou. Mesmo nas derrotas pesadas, como o 4-1 diante do Benfica, William Gomes manteve o foco: “A cobrança era válida, estávamos num mau momento. Ninguém gosta de perder um clássico assim em casa. Sabíamos da exigência do FC Porto. Era um passo gigante na carreira, sair de um grande como o São Paulo para outro em Portugal. Sabia da responsabilidade”, referiu.
Para uma plena integração a um meio completamente diferente do de São Paulo, o futebolista aponta os nomes de Pepê e de Otávio, elementos que em muito contribuíram para que se sentisse em casa. “Acolheram-me bem, eram os brasileiros na altura, com o Samuel Portugal. Conversavam comigo, aconselhavam-me, o Pepê principalmente, mesmo nos dias difíceis. Nos primeiros meses pegámos intimidade. No Mundial de Clubes andámos juntos todos os dias. Na pré-época com Farioli ajudávamo-nos muito. Sabia que a época dele tinha sido dura, tentava animá-lo. Ele alegre joga melhor. Os adeptos veem pouco do dia a dia, ele brinca sempre comigo, às vezes é chato, mas é isso”, explicou William Gomes na sua já contagiante boa disposição.
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

