
Num encontro disputado num relvado bastante pesado devido à chuva intensa que tem caído, FC Porto sofreu a primeira derrota no campeonato, depois de uma sequência de 19 jogos em que apenas tinha consentido um empate diante do Benfica. Por seu turno, os gansos, assim denominado o conjunto orientado por Álvaro Pacheco, nunca tinham ao longo do seu historial vencido os dragões, para lá de se encontrarem numa situação complicada, pois até este encontro ocupavam a penúltima posição da tabela classificativa. Claro que as surpresas no futebol são férteis e nem sempre ganha a melhor equipa, mas esta derrota poderá fazer soar os alarmes no Dragão. O jogo da próxima segunda-feira diante do Sporting, agora separado por apenas quatro pontos do líder do campeonato, será um teste às capacidades do conjunto do técnico Francesco Farioli, que não poderá contar com o extremo brasileiro William Gomes, expulso por conduta violenta inadvertida ao atingir com a chuteira a face de um adversário, por sinal seu compatriota.
O FC Porto perdeu uma boa oportunidade para garantir uma diferença ainda maior para os seus adversários na luta pela conquista do título, ainda por cima diante de um adversário que trava uma tremenda luta no intuito de evitar a descida de divisão. Se bem que a diferença pontual para o Benfica, agora de nove pontos, seja de certa forma tranquila, já os quatro pontos que separam os dragões de leões podem ser motivo de preocupação. O Sporting, atual bicampeão nacional, tem conseguido bons resultados e exibições consistentes, pois possui um conjunto homogéneo, com uma figura em evidência, o atacante colombiano Luis Suárez, melhor marcador da competição portuguesa. É evidente que o campeonato poderá ficar relançado em caso de novo desaire do FC Porto, pelo que neste momento é prematuro afirmar que a derrota com o Casa Pia tenha esse efeito imediato. A desorientação portista foi evidente, mas não deixa de ser verdade que beneficiou de algumas situações de golo para conseguir um resultado positivo, valendo em alguns casos a segurança do seu guarda-redes, o costarriquenho Patrick Sequeira.
O início do jogo até foi francamente prometedor para o conjunto azul e branco, que se instalou no meio-campo adversário, dominando por completo uma partida complicada, mas supostamente ultrapassável. Com o relvado extremamente pesado devido às chuvas intensas que se têm feito sentir por todo o território nacional – está a chegar nova depressão a que se deu o nome Leonardo -, Farioli optou por fazer alinhar jogadores mais físicos na linha intermediária, casos do dominicano Pablo Rosario e do argentino Alan Varela, para lá do espanhol Gabri Veiga. Mesmo com o relvado em más condições, não se compreendeu muito que Farioli nem sequer tenha utilizado Rodrigo Mora, pois é um desbloqueador nato e o seu repentismo e faro para o golo poderia ter feito a diferença. Mas quem se adiantou no marcador foi mesmo o Casa Pia, aos 12 minutos, por intermédio do lateral goleador espanhol Gaizka Larrazabal, ao antecipar-se à defesa dos dragões, após cruzamento do ala francês Jérémy Livolant.
Mesmo reagindo de pronto à adversidade, o FC Porto nunca foi uma equipa consistente, vivendo de alguns rasgos individuais. Aliás, a situação mais perigosa para as redes casapianas aconteceu aos 34 minutos através de um remate de meia distância de Gabri Veiga, a que o guardião Patrick Sequeira se opôs com uma enorme defesa. Volvido um minuto foi a vez de Alan Varela criar perigo com um remate de muito longe e que levou a bola a passar rente ao poste. Porém, para espanto geral, o Casa Pia chegou ao segundo tento. Com muita sorte, é um facto, pois tratou-se de um autogolo do categorizado central brasileiro Thiago Silva, infeliz na tentativa de corte após um cruzamento do defesa guineense Abdu Conté.
Dragões reduzem e Gomes faz asneira da grossa
Logo no início do período complementar, aos 46 minutos, o dominicano Pablo Rosario reduziu a desvantagem, com um violento remate depois da bola andar a saltar de cabeça em cabeça na grande área do Casa Pia. O FC Porto beneficiou de tempo mais do que suficiente para dar a volta ao resultado, mas o guardião Patrick Sequeira lá foi brilhando na baliza, refira-se que a grande altura, travando dois violentos disparos de Gabri Veiga e de Thiago Silva. Farioli procedeu a algumas substituições no sentido de dar mais poder ofensivo à sua equipa, casos do dinamarquês Viktor Froholdt – não alinhou de início, como é habitual, devido a sintomas febris -, do brasileiro William Gomes e do polaco Oskar Pietuszwski.
A intenção foi boa, mas o extremo brasileiro contratado ao São Paulo borrou a pintura, aos 79 minutos, ao receber ordem de expulsão devido a uma entrada muito violenta sobre o seu compatriota David Sousa, que atuou no Flamengo e no Botafogo, antes da vinda para a Europa. Gomes entrou com o pé alto sobre o adversário, atingindo-o com a chuteira na cara, deixando a marca dos pitons bem visíveis, lance que originou uma prolongada paragem para assistência ao maltratado jogador do Casa Pia. O extremo brasileiro não foi maldoso, mas sim negligente, pelo que saiu do relvado resignado e mesmo de cabeça baixa, aceitando prontamente a decisão do árbitro. Assim, o FC Porto não poderá contar com Gomes no jogo da próxima segunda-feira com o Sporting, ele que até foi decisivo no duelo da primeira volta, em Alvalade, ao marcar um dos golos da vitória dos dragões.

Álvaro Pacheco (treinador do Casa Pia): “Era algo que acreditávamos, eu disse na antevisão ao jogo que tínhamos uma crença e motivação muito grande. Conquistámos a primeira vitória em casa, que com o Aves SAD esteve tão perto e deixámos fugir injustamente. Contra o FC Porto, um adversário que é líder, na minha opinião é das melhores equipas neste momento a jogar futebol, com variabilidade de jogo muito grande, fomos capazes de impor a primeira derrota do FC Porto. É merecido e histórico, porque o Casa Pia nunca tinha ganho ao FC Porto.”
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Numa época longa, podemos ter um jogo em que tudo corre mal. Começámos muito bem o jogo, a nossa abordagem foi positiva e tivemos bons momentos. Na primeira vez em que o Casa Pia passou o meio-campo, marcou. Na segunda, fizemos um autogolo. Nestes jogos todos sofremos dois penáltis e dois autogolos. Infelizmente, hoje não conseguimos levar os pontos para casa. Agora temos de virar a página. O apoio dos nossos adeptos no final do jogo vai ajudar-nos a fazer isso. Agora temos uma semana para nos prepararmos e continuar a trabalhar como temos feito.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

