
Apesar do resultado expressivo, este foi um dos jogos mais complicados para o FC Porto no campeonato português. O Gil Vicente, tal como o seu técnico havia prometido, foi ao Estádio do Dragão jogar olhos nos olhos com o seu adversário, pois possui um conjunto de muita qualidade. Numa noite, fria, muito chuvosa e ventosa – depois da depressão Ingrid, Portugal Continental está a ser fustigado pela tempestade Joseph – a equipa orientada pelo antigo internacional português César Peixoto – os dragões tiveram de se aplicar bastante garantir a diferença pontual para os seus perseguidores, mantendo a diferença de sete pontos para o Sporting e de 10 para o Benfica.
O atacante Samu abriu o marcador ainda na primeira parte na marcação de uma grande penalidade, redimindo-se dos anteriores falhanços diante do Guimarães e dos checos do Viktoria Plzen. Numa altura em que o conjunto de Barcelos tentava chegar ao golo do empate, o uruguaio Martín Fernandéz foi a jogo para aplicar um golpe estilo karaté ao veterano central brasileiro Thiago Silva, pelo que foi expulso, permanecendo em campo apenas… dois minutos. O outro Martim Fernandes, o do FC Porto, fez o segundo golo com uma grande bomba de fora da área e o jovem brasileiro William Gomes (ex-São Paulo) fechou a contagem na noite gelada do Dragão.
Considerado o conjunto sensação da Liga Portugal, o Gil Vicente, que ocupa o 5º lugar da tabela classificativa, uma posição que lhe permite lutar por um lugar europeu na próxima temporada, foi ao reduto portista vender cara a derrota. Na antevisão ao jogo, o seu técnico tinha avisado que iria tentar vencer o FC Porto, não deixando de afirmar que, caso o tivesse de fazer, poderia colocar o “autocarro” à frente da sua baliza. A expressão, tão banal na gíria futebolística, significa que o processo ultra defensivo poderia ser aplicado caso o Gil Vicente mantivesse a sua baliza a zeros durante boa parte do tempo, o que não veio a acontecer.
Como sempre acontece no Dragão, o FC Porto iniciou o jogo ao ataque e logo nos instantes iniciais podia ter aberto o marcador por Borja Sainz, com o extremo espanhol a isolar-se e a rematar ligeiramente ao lado, depois de receber um passe em profundidade do seu compatriota Gabri Veiga. Sol de pouca dura, pois os gilistas até conseguiram estar por cima do encontro, obrigando por algumas ocasiões o guardião internacional português Diogo Costa a efetuar algumas intervenções de vulto. As péssimas condições climatéricas, devido à intensidade com que a chuva caiu, à mistura com rajadas de vento na ordem dos 40 Km/h, também não ajudaram muito ao espetáculo, obrigando os portistas a trabalhos redobrados.
Fizeram-no de forma algo lenta, mas à primeira oportunidade não falharam. Melhor, Samu encarregou-se da marcação de uma grande penalidade, aos 37 minutos, por falta cometida sobre si mesmo, agarrado pelo extremo brasileiro Murilo Souza, não vacilando, depois de nos dois últimos jogos ter falhado outros tantos remates desde a linha dos 11 metros. O técnico Farioli tinha deixado o aviso que caso o FC Porto beneficiasse de um penálti seria de novo Samu a marcar. E assim foi, com a plateia dos azuis e brancos em autêntico delírio no apoio ao possante atacante espanhol.

Gilista só baixam os braços com menos um em campo
A segunda metade da partida mostrou desde logo que o Gil Vicente iria vender cara a derrota, pois foi à procura do golo do empate, o que poderia ter acontecido em duas ocasiões. Primeiro pelo atacante português Gustavo Varela, aos 66 minutos, que arrancou um tiraço ao lado da baliza dos dragões, para logo a seguir o também futebolista luso Luís Esteves arrancar uma grande bomba, de livre direto, que fez a bola bater estrondosamente na barra. Ultrapassado o susto, o FC Porto acabaria por beneficiar da expulsão de Martín Fernández – esteve apenas um minuto em campo – por carga violenta sobre o central Thiago Silva. Refira-se, a propósito, que o experiente e categorizado central brasileiro, de 41 anos, tem merecido a confiança do técnico Farioli para atuar ao lado do polaco Jan Bednarek, evidenciando uma notável frescura física, para além do seu talento natural, de fazer inveja a muitos jovens.
Com um jogador a menos foi notória a dificuldade do conjunto da cidade de Barcelos em manter a mesma toada, permitindo que o FC Porto passasse a ter, praticamente, o domínio da partida. Um dos grandes momentos da noite aconteceu aos 75 minutos, com o jovem lateral português Martim Fernandes a marcar um golo de bandeira com uma bomba disparada do meio da rua, sem que o guardião gilista tivesse ocasião para esboçar a defesa. Instantes depois, aos 85 minutos, o extremo brasileiro William Gomes, que em boa hora o FC Porto contratou ao São Paulo – desta feita entrou na segunda parte do jogo – escapou em velocidade pelo lado direito, fugiu da marcação, arrancando um remate rasteiro e certeiro, garantindo aos dragões um triunfo robusto. Excelente tónico para os dragões, que na quinta-feira recebem o Rangers, da Escócia, no último jogo da fase de liga da Liga Europa, que poderá carimbar a passagem direta aos oitavos de final da competição.

Francesco Farioli: “Sabíamos do nível do nosso adversário, é uma equipa que tem estado muito bem, que é organizada, e penso que demorámos 20 ou 25 minutos a perceber bem o jogo. Mas também tivemos várias oportunidades antes do lance do penálti, que deu o 1-0. Foi um resultado importante e agora vamos começar a preparar o próximo jogo, com o Rangers. Eles tentaram fechar o meio, o que é normal, mas nós fomos crescendo com o jogo. Claro que houve momentos em que tivemos de sofrer, de correr atrás deles, até porque são uma equipa muito física. Não é por acaso que têm vindo a fazer o que têm feito”.
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

