Benfica goleia Estrela da Amadora (4-0) para a Liga Portugal com bis de Pavlidis antes de receber o Real Madrid

Em dia de efemérides – a morte de Miklos Fehér e o aniversário de Eusébio -, José Mourinho lançou dois campeões do mundo sub-17, que aproveitaram a oportunidade e justificaram a aposta

O cabo-verdiano Sidny Cabral, há poucos dias contratado ao Estrela da Amadora, foi o melhor em campo. (Foto: SL Benfica)

Um dia em cheio para o conjunto da Luz, não só pelo expressivo resultado conseguido diante do seu vizinho da Amadora, mas muito particularmente pela estreia de dois jovens campeões da Europa e que se sagraram campeões do mundo no escalão sub-17 em Doa, no Catar. Claro que a estreia do regressado Rafa Silva, recentemente contratado ao Besiktas, da Turquia, dominou as atenções, mas o veloz avançado apenas entrou a 20 minutos do final e não teve tempo para voltar a mostrar os seus atributos.

Quem aproveitou a oportunidade foi o defesa lateral Daniel Benjaqui, que teve uma estreia de sonho como titular, oferecendo ainda o golo ao seu colega de seleção, o quarto da partida, o avançado Anísio Cabral, lançado nos instantes finais do encontro. Mas o dia ficou também marcado pelas homenagens ao grande Eusébio, que completaria 84 anos se fosse vivo, assim como ao malogrado futebolista húngaro Miklós Fehér, falecido a 25 de janeiro de 2004 durante um jogo com o Vitória de Guimarães, caindo inanimado em campo. Ao minuto 29 do jogo, número da camisola com que tombou no relvado da formação minhota, o Estádio da Luz prestou a sentida homenagem ao jogador que em Portugal também jogou no FC Porto, Salgueiros e Sporting de Braga.

A goleada diante do Estrela da Amadora, antes de o Benfica receber na próxima quarta-feira o Real Madrid para a Liga dos Campeões, não teve grande história, pois os encarnados dispõem de outros argumentos de peso e que fazem a diferença. Os estrelistas, que ocupam o 13º lugar da tabela classificativa, com menos 26 pontos se comparado com a formação da Luz, e menos 33 do que o FC Porto, que ainda não jogou nesta jornada, têm como principal meta a permanência no escalão maior do futebol português, pelo que esta partida dificilmente faria parte das suas contas. Se na primeira parte ainda se aguentaram bem, apenas sofrendo um golo aos 42 minutos pelo inevitável Vangelis Pavlidis – o avançado grego passou de novo para a liderança dos goleadores do campeonato, com mais dois tentos do que o colombiano Luis Suárez, avançado do Sporting -, já na segunda parte, completamente dominados, viram o seu adversário ampliar a vantagem, com relativa facilidade, para números expressivos.

Pavlidis voltou a ser mortífero ao marcar o primeiro dos seus dois golos com um forte remate de cabeça na sequência de um canto apontado por Sidny Cabral – o melhor em campo -, outra das novidades da partida, pois o jogador cabo-verdiano, curiosamente contratado ao Estrela da Amadora nesta janela de mercado, foi titular pela primeira vez e atuou durante o tempo todo.

O grande goleador Eusébio (esquerda), já falecido, completaria 84 anos neste dia. Mikllos Fehér, avançado húngaro que morreu em campo com a camisola do Benfica, foi recordado. (Fotos: SL Benfica)

À espera de Rafa e o delírio com os “miúdos”

Se na primeira parte o Benfica ainda encontrou algumas dificuldades para superar o seu modesto adversário, os segundos 45 minutos revelaram uma equipa dominadora e concretizadora. O Benfica tinha obrigatoriamente de dar uma resposta positiva depois do recente desaire com a Juventus, em Turim, para a Liga dos Campeões, e em vésperas de receber o Real Madrid. Claro que a missão não é nada fácil e um eventual triunfo sobre o colosso da capital espanhola pode nem ser suficiente para carimbar a passagem aos oitavos de final da competição. Por isso resta aos encarnados tentarem a aproximação ao Sporting, que venceu a sua partida com o Arouca, pois o segundo lugar garante o acesso ao play-off de acesso à Champions. São três os pontos que separam as águias dos leões, que ainda terão de jogar entre si, pelo que a luta irá continuar bem viva. Já em relação ao FC Porto, líder isolado da Liga Portugal, a situação é bem diferente, pois se os azuis e brancos vencerem a partida em falta com Gil Vicente, continuarão com uma confortável vantagem de 10 pontos sobre o conjunto lisboeta.

Contudo, este encontro com o Estrela da Amadora veio mostrar que o Benfica tem argumentos suficientes para dar luta a qualquer adversário. Não é que o resultado com o Estrela da Amadora sirva de fiel da balança, mas teve o condão de revelar que a juventude pode marcar esta segunda volta da prova. Acresce que quando se conta com jogadores da craveira de Pavlidis, que aos 55 minutos bisou na transformação de uma grande penalidade, e como o recém-contratado Rafa Silva, utilizado como Mourinho prometeu, ainda que sem tempo para aquecer os motores, para lá de outras individualidades, naturalmente que só há motivos para se estar confiante. Para abrilhantar a noite, o cabo-verdiano Sidny Cabral fez o terceiro golo com um forte remate cruzado, evitando os festejos por marcar à sua anterior equipa.

Os dois jovens campeõs do mundo sub-17 por Portugal, Benjaqui e Anísio Cabral, mostraram serviço. Rafa Silva (direita) rescindiu com o Besiktas, da Turquia, regressou a casa, e já jogou. (Fotos: SL Benfica)

E depois veio o grande momento do dia, aos 84 minutos, com o golo de cabeça de Anísio Cabral, um minuto depois de ter entrado, na sequência de um cruzamento do seu colega Daniel Benjaqui, ambos recentes campeões do mundo sub-17 por Portugal. Não podia ter corrido da melhor forma um dia para recordar, para sossego de uns quantos, que na véspera do jogo foram pedir satisfações ao centro de treinos do Seixal, sem que o caso tenha merecido grande relevo, para lá de um simples comunicado, por parte dos dirigentes encarnados. Tudo pacífico, uma vez que esses associados, insatisfeitos com os resultados, foram autorizados a entrar para um encontro com dirigentes e com os capitães da equipa, para lá também da presença do técnico José Mourinho, reunião que decorreu “num ambiente de enorme respeito, cordialidade e espírito construtivo”, conforme se lê na página do emblema encarnado.

José Mourinho (treinador do Benfica): O primeiro golo é importantíssimo, porque a primeira parte foi difícil. O Estrela conseguiu avançar o jogo e o golo apareceu num momento importantíssimo, antes do intervalo. O penálti é decisivo, porque estávamos a ganhar e se marcas podes respirar um pouco, mas se falhas tens receio que as coisas acabem mal. Ele marcou como teria marcado com a Juventus, mas escorregou. Mas isso não o ia fazer perder confiança. Com o Banjaqui pretendi dar ao Dedic um merecido descanso. Sabia que podia contar com o Banjaqui, não tinha dúvidas de que ele ia responder afirmativamente. Tentei dar ao Dedic, que na quarta-feira vai levar com o Vinícius, que anda de mota, a possibilidade de fazer esse jogo em condições físicas perfeitas.”

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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