
Numa altura em que tudo parecia apontar para um empate a uma bola, obviamente um resultado que colocaria a formação leonina numa situação incómoda na tabela classificativa, eis que surge Luis Suárez (90+6 minutos) – o árbitro tinha dado cinco minutos de descontos – a dar a vitória à sua equipa. Oportuno, o colombiano fugiu à marcação e saltou mais alto do que os centrais do Arouca cabeceando com êxito para a baliza do categorizado guardião uruguaio Ignacio Arruabarrena. Assim, o conjunto de Alvalade reduziu a desvantagem pontual para o Benfica e para o FC Porto, que ainda não realizaram os jogos correspondentes à 19ª ronda da Liga Portugal. Não foi uma partida fácil para o Sporting, o primeiro a marcar ainda na primeira parte, sofrendo o golo do empate logo no início do segundo período, apontado pelo avançado espanhol Iván Barbero. Depois disso, o encontro teve momentos em que ambas as equipas tiveram boas hipóteses para marcar, para Luis Suárez ser transformado no grande herói dos leões ao apontar o tento do suado triunfo sobre uma formação que em nada foi inferior ao seu mais cotado opositor.
Tal como já havia acontecido no recente encontro para a Liga dos Campeões, com o possante atacante colombiano do Sporting também a bisar e a dar à sua equipa o triunfo sobre o campeão europeu Paris Saint-Germain, a cena voltou a repetir-se. Os leões entraram pressionantes num campo sempre complicado para os “grandes”, e desta feita ainda mais devido à forte chuva que caiu durante todo o jogo. Aliás, o mau tempo persiste em Portugal Continental devido à tempestade Ingrid e até havia a hipótese de nevar, o que não veio acontecer, apesar da baixa temperatura que se foi acentuando durante a partida. Mas lá dentro do campo o jogo foi bem quentinho e o Sporting colocou-se na situação de vantagem por Luis Suárez, aos 35 minutos, depois de um excelente passe em profundidade do defesa português Gonçalo Inácio para o uruguaio Maxi Araújo, que tocou para o colombiano, para tirar um adversário do caminho e atirar a contar com um remate cruzado, traindo o guarda-redes Arruabarrena.
Arouca entra confiante, marca e volta a ameaçar
Se a história dos primeiros 45 minutos, para lá do golo de Suárez, pode praticamente resumir-se a umas quantas jogadas em que o Sporting esteve melhor, já a segunda parte viria a revelar um duelo bem mais interessante e dividido. O Arouca regressou dos balneários determinado e chegar ao tento do empate, passando a jogar mais no meio-campo do seu opositor, acabando por ser bem-sucedido nas suas atenções. O golo surgiu logo aos 48 minutos por Iván Barbero, depois de um belo trabalho do meio-campista japonês Taichi Fukui pela direita e a cruzar para a área, onde apareceu o lateral espanhol José Fontán a desviar de cabeça para o seu compatriota, que dominou a bola, encheu o pé, e bateu o guardião Rui Silva. Reposta a igualdade, refira-se que com inteira justiça, o jogo entrou numa toada de parada e resposta, pelo que poucos arriscavam adiantar para que lado é que a sorte iria cair.
Por volta dos 70 minutos ambos os treinadores fizeram as habituais alterações, com destaque para a entrada do extremo internacional português Pedro Gonçalves, que regressou aos relvados, depois de um mês afastado devido a lesão. As mexidas não mudaram em muito as características do encontro, continuando a ser bem disputado e com o perigo a rondar ambas as balizas. A felicidade leonina acabou por chegar quando o árbitro já se preparava para dar por finda a partida, mérito de Luis Suárez, na verdade um jogador de inegável classe. Se dúvidas existissem, o atacante colombiano, que lidera a lista dos melhores marcadores, com 17 golos apontados, de parceria com Vangelis Pavlidis, o atacante grego do Benfica, e está mesmo a fazer Viktor Gyokeres, o bombardeiro sueco agora em Londres ao serviço do Arsenal. Com este resultado, os leões passam a somar 48 pontos no segundo lugar, com menos quatro do que os dragões e mais seis do que o Benfica, equipas que ainda não jogaram nesta ronda do principal campeonato português.
Vasco Seabra (treinador do Arouca): “Estou muito orgulhoso dos jogadores, com uma vontade muito grande de lhes dar os parabéns. Não vivemos de vitórias morais e claro que nos fugiu um ponto. Fizemos um jogo muito completo e muito competente. Na primeira parte, sendo menos capazes do ponto de vista da pressão para ganhar a bola um pouco mais à frente. Corrigimos ao intervalo, aumentamos a pressão logo ao início da segunda parte, correspondemos muito bem, conseguimos ganhar bolas numa zona mais alta. Começamos a chegar mais à baliza com naturalidade e acabamos por fazer mais remates do que o Sporting na segunda parte e tivemos as oportunidades mais claras”.
Rui Borges (treinador do Sporting): “Podiam ter custado caro os 10 minutos em que entrámos mal na segunda parte, o Arouca podia ter virado o jogo. Tirando isso, controlamos o jogo, fomos tentando criar aproximações à baliza, podíamos ter decidido melhor, mas podíamos ter sido prejudicados naquele período em que não entramos bem. Alertámos ao intervalo para virmos com a mesma energia, mas é algo muito individual e o Arouca cresceu nesses minutos. Depois corremos atrás do prejuízo, tentando mudar para acrescentar algo diferente e chegamos à vitória com uma atitude e ambição enormes. Vitória justa, mas difícil”.
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

