Benfica perde em Turim com a Juventus (2-0) e está praticamente fora da Liga dos Campeões

Defesa dos encarnados cometeu erros fatais e o grego Pavlidis falhou um penálti que podia ter relançado a sua equipa, ficando agora de calculadora na mão, com a obrigatoriedade de ter de ganhar ao Real Madrid

O grego Pavlidis lutou muito, não esteve ao nível de outros jogos, tendo falhado um penálti. (Foto: SL Benfica)

Depois de conseguir duas vitórias nos últimos jogos da fase de liga da Liga dos Campeões, o Benfica precisava de pontuar diante da Juventus – pelo menos um empate – para poder continuar a sonhar na sua continuidade em prova. O 29º lugar que ocupa na tabela, com seis pontos averbados, coloca as águias em situação muito complicada para chegar ao play-off da competição, pois terão de somar três pontos no último jogo desta fase quando na próxima semana receberem o Real Madrid no Estádio da Luz. Mesmo assim, o conjunto de José Mourinho fica com a calculadora na mão, pois um eventual triunfo sobre os merengues até poderá chegar, mas terá sempre de fazer contas em função do que os outros adversários diretos fizeram.

Vida muito complicada para o Benfica, já afastado da Taça de Portugal e da Taça da Liga, para lá de estar a sete pontos de diferença do Sporting e a 10 do FC Porto na luta pela conquista do máximo título nacional. Esta partida com a Juventus, que de resto nem se encontra num grande momento, era crucial para a continuidade em prova, já de si ténue, mas falhou redondamente. Dois golos muito consentidos (aos 55 e 64 minutos) garantiram à Juventus três importantes pontos, o que lhe permite desde logo a continuidade em prova. O conjunto orientado pelo italiano Luciano Spalleti dispõe de jogadores bem acima da média, em contraste com os encarnados, com alguns dos seus elementos muito abaixo do que seria expectável. Da forma como as coisas estão, as críticas sucedem-se, nomeadamente sobre a escolha de alguns jogadores, mas a verdade é que o Benfica fez um dos maiores investimentos de sempre e, convenhamos, a troca do técnico Bruno Lage por José Mourinho não trouxe nada de novo, bem antes pelo contrário. O Special One sabia ao que vinha, inclusivamente elogiou o plantel, por isso as desculpas não fazem grande sentido.

O Benfica apresentou-se em Turim com um onze de certa forma prometedor, pois encarou o adversário de frente num 4x3x3 em que as despesas atacantes foram atribuídas aos extremos, o norueguês Andreas Schelderup e o argentino Gianluca Prestianni, com o grego Vangelis Pavlidis, como de costume, a atuar bem na frente. O início de jogo até foi prometedor, já que o ucraniano Sudakov, aos 8 minutos, esteve perto de abrir o marcador com um forte remate de fora da área, após passe do bósnio Amar Dedic, para boa defesa do guardião Michele Di Gregorio. Logo a seguir, do outro lado, foi o ucraniano Anatoliy Trubin a arrojar-se ao relvado para desviar um remate de jovem turco Kenan Yildiz, que esteve novamente perto de marcar depois de fletir para o centro e rematar cruzado, fazendo a bola passar perto do poste esquerdo da baliza encarnada. Até ao intervalo, com uma ou outra jogada mais intencional, ambas as equipas equivaleram-se, dividindo o jogo, sem que, contudo, o espetáculo se revelasse entusiasmante aos olhos dos que lotaram o Allianz Stadium.

O argentino Otamendi voltou à equipa, mas o setor defensivo dos encarnados falhou em demasia. (Foto: SL Benfica)

“Juve” mais ofensiva com Francisco Conceição

Para a segunda metade do encontro, Spalleti fez entrar o “espalha brasas”, como o selecionador de Portugal, o espanhol Roberto Martínez, chama a Francisco Conceição, filho do antigo treinador do FC Porto Sérgio Conceição, atualmente na Arábia Saudita ao serviço do Al-Ittihad. A Juventus ganhou mais largura e passou a ameaçar seriamente a baliza de Trubin ao exercer uma maior pressão na zona intermediária. Porém, os dois golos consentidos pelos encarnados, num abrir e fechar de olhos, deitaram quase tudo a perder. Primeiro pelo atacante internacional francês Marcus Thuram, aos 55 minutos, que fez o que quis da defensiva das águias e atirou forte e rasteiro a contar, sem que antes o central português Tomás Araújo tivesse perdido o duelo físico com o canadense Jonathan David. Pouco depois, aos 64 minutos, a Juventus ampliou a vantagem pelo médio norte-americano Weston McKennie, a atirar certeiro depois de tabelar com David, mais uma vez com a defesa das águias, completamente à deriva, a ver jogar. Para agravar a situação, o grego Pavlidis falhou estrondosamente a marcação de uma grande penalidade, aos 80 minutos, a castigar o derrube ao luxemburguês Leandro Barreiro, pois escorregou e o remate saiu muito ao lado da baliza.

Nada a fazer, o Benfica saiu de Turim vergado ao peso de uma derrota comprometedora, pois nestes dois últimos jogos – Juventus e Real Madrid – teria de fazer, pelo menos, quatro pontos. Três deles já voaram e, como é compreensível, a última partida com os merengues, que também não atravessam um bom momento, mas possuidores de uma equipa de enormes talentos, será muito complicada. O grande problema é que uma eventual vitória sobre os comandados de Álvaro Arbeloa, que até poderá ser suficiente, terá de aguardar pelo que os adversários mais diretos fizerem, pelo que, teoricamente, tudo aponta para que o Benfica fique fora da Liga dos Campeões.

O meio-campo das águias contou com o norueguês Fredrik Aursnes, setor pouco produtivo. (Foto: SL Benfica)

José Mourinho (treinador do Benfica): “Em futebol ganha quem marca. Há mil exemplos de equipas que fazem pouco para ganhar e ganham e outras que fazem muito para ganhar e não ganham. Fizemos um jogo forte, mas nos últimos 20 metros é preciso ser objetivo, é preciso partir a baliza e atacá-la com tudo. Tivemos algumas grandes oportunidades, outras que são meias oportunidades. No início da segunda parte sofremos um golo onde essas ocasiões se acumulavam e, atrás da minha experiência, comentava com os meus adjuntos que ‘está-se a pôr a jeito para comermos um golo’. O banco deles é poderoso, rápido e bom para transições, com Francisco Conceição, Openda e Kostic. Os jogadores foram fantásticos no orgulho que deram até ao fim. Se o penálti entra… críticas ao Pavlidis? Menos um, trabalhou muito para a equipa, mas escorregou. A equipa precisava de um golo para entrar no jogo outra vez. O Benfica fez para muito mais, mas pelo pragmatismo do resultado perdemos”.

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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