
O futuro Navio Doca Multipropósito (NDM) “Oiapoque”, em processo de revitalização na cidade de Plymouth, na Inglaterra, avança nas etapas finais que o preparam para integrar a Esquadra da Marinha do Brasil. Na terça-feira (3), a embarcação recebeu a visita do Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho, que acompanhou de perto o estágio atual dos trabalhos de preparação do navio.
Adquirido da Marinha britânica, onde operava como HMS Bulwark, o NDM “Oiapoque” se tornará o segundo maior navio de guerra do Brasil. A incorporação ao setor operativo da Força Naval está prevista para 30 de junho de 2026, com chegada ao Brasil estimada para outubro do mesmo ano.
Durante a visita técnica, o Ministro assistiu a uma apresentação sobre o processo de revitalização, que inclui a adaptação do navio às necessidades operacionais brasileiras, o treinamento da futura tripulação e o planejamento das etapas finais até sua incorporação oficial. Na ocasião, José Mucio destacou o empenho dos militares brasileiros que atuam no Reino Unido.
“Estou muito orgulhoso de estar aqui representando o Governo Brasileiro. Venho trazer uma palavra de agradecimento pelo esforço e pelo desprendimento de vocês, que estão longe de suas famílias. O Brasil precisa da força de vocês e da nossa Marinha”, afirmou o Ministro.
Capacidades operacionais e multipropósito
Após a apresentação técnica, a comitiva percorreu áreas estratégicas da embarcação, como o Passadiço, o Centro de Operações de Combate, o convoo — pista para pouso e decolagem de aeronaves — e os espaços destinados às operações anfíbias. Também foi visitada a doca alagável, estrutura que permite o embarque, lançamento e recolhimento de embarcações e meios de desembarque, ampliando a capacidade do navio em missões militares e humanitárias.
Outro destaque foram as áreas de habitabilidade, projetadas para acomodar a tripulação e contingentes adicionais por longos períodos no mar, garantindo conforto e segurança durante operações prolongadas.
Segundo o Ministro da Defesa, o NDM “Oiapoque” representa um avanço estratégico para o País.
“Esse navio é verdadeiramente multipropósito; serve para a nossa defesa, para abastecimento de navios, para atuação em áreas fluviais e também para atender a população ribeirinha”, ressaltou.
Reforço à defesa naval brasileira

Com 176 metros de comprimento e deslocamento de cerca de 18 mil toneladas, o NDM “Oiapoque” pode atingir velocidade de até 34 km/h. A embarcação foi projetada para operar até duas aeronaves de grande porte, transportar veículos blindados, viaturas, ambulâncias, além de permitir o embarque de hospitais de campanha, alimentos e medicamentos. A tripulação poderá contar com até 290 militares, além de acomodar cerca de 700 combatentes.
O Capitão de Fragata Antonio de Barcellos Neto, designado para comandar o futuro NDM “Oiapoque” e atualmente em treinamento no Reino Unido, destacou o papel estratégico da embarcação.
“Como um dos maiores navios da Esquadra, sua presença já atua como elemento de dissuasão, reforçando a soberania e a capacidade de projeção de poder do Brasil. Além disso, oferece um salto qualitativo tanto em operações humanitárias quanto em missões de defesa e presença naval”, explicou.
Preparação da tripulação
O processo de revitalização inclui a adaptação de sistemas originalmente projetados para a Marinha do Reino Unido às doutrinas e procedimentos da Marinha do Brasil. O treinamento da tripulação envolve cursos específicos e exercícios práticos, com foco em sistemas avançados de propulsão elétrica, geração de energia de alta tensão e comunicação integrada.
Para o Comandante Barcellos, a visita do Ministro da Defesa reforça a relevância institucional do projeto.
“A presença do Ministro evidencia o compromisso do governo brasileiro com a incorporação do navio e com a formação da tripulação, destacando a importância estratégica e logística dessa aquisição para o planejamento de defesa e para o apoio a operações humanitárias”, concluiu.

