
O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, reafirmou, em Londres, no Reino Unido, o compromisso do Brasil com a diplomacia, a cooperação internacional e a preservação da soberania nacional durante a Latin American Security Conference 2026, promovida pelo Royal United Services Institute (RUSI). O encontro reuniu autoridades internacionais, especialistas, acadêmicos e representantes dos setores de defesa e tecnologia.
Convidado principal da plenária “O peso estratégico do Brasil na arquitetura de segurança da América do Sul”, José Mucio destacou que diplomacia e defesa são pilares complementares da estratégia nacional. Segundo o ministro, o Brasil acompanha com atenção os movimentos ao norte da América do Sul, especialmente na região entre Venezuela e Guiana, reforçando suas fronteiras com o envio de efetivos e meios militares para evitar que eventuais ameaças atinjam o território brasileiro.
No campo da cooperação internacional, o ministro anunciou que o Brasil voltará a presidir, ainda em 2026, a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS*), fórum estratégico voltado à estabilidade, segurança e cooperação no Atlântico Sul. Ele ressaltou a histórica participação brasileira em missões de paz, com o emprego de tropas, navios e aeronaves em operações no Haiti, Líbano, Moçambique, Timor Leste, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, entre outras regiões.
José Mucio também destacou a atuação dos centros brasileiros especializados em operações de paz, como o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil e o Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval, que além de militares nacionais, recebem estrangeiros para capacitação, ampliando a projeção internacional do Brasil no campo da defesa.
Outro eixo central da apresentação foi o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID), que atingiu em 2025 um novo recorde histórico de exportações, com US$ 3,1 bilhões em vendas externas. Segundo o ministro, o setor nacional é robusto, produzindo equipamentos, armamentos, munições e sistemas com alto padrão tecnológico, reconhecidos pela qualidade, confiabilidade e capacidade de atender aos mercados mais exigentes.
A evolução da Defesa no Brasil também se reflete em áreas estratégicas como educação militar, logística, tecnologia, pesquisa científica, inovação e treinamento. Para o ministro, esse ambiente cria condições favoráveis para parcerias estratégicas internacionais. Nesse contexto, José Mucio destacou as oportunidades de aprofundamento do relacionamento bilateral entre Brasil e Reino Unido na área de Defesa, com foco no diálogo e na cooperação de longo prazo.
Em sua quarta edição, a Latin American Security Conference 2026 teve como tema “De desafios regionais a parcerias globais”, com debates voltados à governança sustentável em defesa e segurança. As plenárias abordaram temas como crime organizado, economias ilícitas, geopolítica global, segurança marítima e polar, reforçando a relevância estratégica da América do Sul no cenário internacional.
O que é a ZOPACAS? | Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul
A Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) é um fórum multilateral criado em 1986, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de promover a paz, a estabilidade, a cooperação e o desenvolvimento sustentável no Atlântico Sul.
A iniciativa reúne 24 países da América do Sul e da África, abrangendo toda a área do Atlântico Sul, considerada estratégica para o comércio internacional, segurança marítima, proteção de recursos naturais e rotas energéticas. Entre seus princípios centrais estão a não militarização da região, a solução pacífica de controvérsias e o fortalecimento da cooperação Sul–Sul.
O Brasil tem papel histórico de protagonismo na ZOPACAS, tanto na sua criação quanto na condução de agendas voltadas à segurança marítima, combate a ilícitos transnacionais, cooperação naval, capacitação técnica e diálogo político entre os países-membros. A retomada da presidência brasileira reforça a estratégia nacional de atuar como ator estabilizador e articulador diplomático no Atlântico Sul.
No contexto atual, a ZOPACAS ganha relevância adicional diante dos debates sobre geopolítica global, proteção de infraestruturas críticas, segurança marítima e presença de potências extrarregionais, consolidando-se como um instrumento estratégico para a defesa dos interesses dos países do hemisfério sul.
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