
O Hospital Militar de Área de Campo Grande (HMilACG) realizou, na manhã do dia 21 de janeiro, o primeiro procedimento médico com polilaminina em Mato Grosso do Sul. A intervenção exitosa foi realizada em um paciente de 19 anos, militar, com tetraplegia em decorrência de uma lesão medular na região cervical, causada acidentalmente fora do ambiente de trabalho.
A polilaminina é uma proteína derivada da placenta humana. Seu uso encontra-se em fase de testes com autorização do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa é que, ao ser aplicada no local da lesão, a proteína estimule nervos a criar novas conexões e recupere parte dos movimentos.
A pesquisa com a proteína polilaminina, presente em diversos animais, inclusive nos seres humanos, visa avaliar a segurança da aplicação do medicamento e identificar possíveis riscos para a continuidade do desenvolvimento clínico.
Os estudos, que são desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a coordenação da professora Tatiana Coelho de Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, do Instituto de Ciências Biomédicas, e em parceria com o laboratório Cristália, já apresentaram resultados promissores na recuperação de movimentos. A empresa patrocinadora é responsável por coletar, monitorar e avaliar sistematicamente todos os eventos adversos, inclusive os não graves, garantindo a segurança dos participantes.
Em 2023, o estudo clínico de fase 1 do projeto “Uso de células-tronco mesenquimais, hematopoéticas e neurais na regeneração de lesões raquimedulares induzidas por laminina ácida” obteve aprovação ética do Ministério da Saúde, uma das etapas necessárias para a realização de testes clínicos em seres humanos.
No dia 5 de janeiro, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram o início do estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança do uso da polilaminina no tratamento do Trauma Raquimedular Agudo (TRM). Os testes oficiais que verificam a segurança do fármaco só podem ser realizados com voluntários com lesões medulares completas e agudas.
Detalhes do procedimento pioneiro no HMilACG
Comandada pelo neurocirurgião Bruno Cortez, do Hospital Souza Aguiar, do Rio de Janeiro, a equipe médica composta por profissionais do HMilACG utilizou um aparelho de radioscopia para visualizar, por meio de raio-x, a introdução da agulha na região lesionada, permitindo assim a infusão da proteína diretamente no tecido medular. O procedimento é considerado pouco invasivo, mas, delicado, exigindo precisão e perícia na execução.

Após o procedimento, o jovem permaneceu sob cuidados do HMilACG e recebeu alta no dia 22 de janeiro, com bom quadro de saúde. O paciente faz fisioterapia em casa com equipe multidisciplinar e seguirá sendo monitorado pela equipe local com supervisão dos médicos-pesquisadores do Rio de Janeiro. A partir de agora, é necessário aguardar o tempo de recuperação do tecido medular com o auxílio da polilaminina.
O procedimento realizado na estrutura do HmilACG representa a busca ativa do Exército Brasileiro em fortalecer seu sistema de saúde, garantindo assistência médica de qualidade aos seus usuários.

