
Os professores Aluísio Augusto Cotrim Segurado e Liedi Légi Bariani Bernucci foram empossados nesta sexta-feira (23) como reitor e vice-reitora da Universidade de São Paulo (USP) para o período entre 2026 e 2030 durante sessão solene realizada no Palácio dos Bandeirantes. Os docentes sucedem Carlos Carlotti Júnior e Maria Arminda do Nascimento Arruda, que ocupavam, respectivamente, os cargos de reitor e vice-reitora no último quadriênio.
A chapa formada por Segurado e Liedi foi a mais votada pela comunidade da universidade em eleição interna no ano passado e encabeçou a lista tríplice encaminhada para escolha do governador Tarcísio de Freitas, como previsto no artigo 36 do Estatuto da Universidade, aprovado pelo Decreto nº 29.272, de 24 de novembro de 1988.
Durante a cerimônia, Tarcísio celebrou a USP como modelo acadêmico e de cidadania para o estado e o país. “Tenho certeza de que a gestão do professor Aluísio e da professora Liedi será muito bem-sucedida. A nossa Universidade de São Paulo vai continuar sendo esse grande centro de excelência, nos orgulhando e promovendo nosso desenvolvimento científico e, sobretudo, nosso desenvolvimento social”, disse.
A escolha pelo governador dos candidatos mais votados, embora não obrigatória, também ocorreu nas nomeações da Unesp e da Unicamp. “O que vemos na escolha dos reitores das três universidades é o respeito à decisão da comunidade de cada uma. Isso fortalece ainda mais a autonomia acadêmica”, afirma Vahan Agopyan, professor emérito da USP e reitor da instituição entre 2018 e 2022.
De acordo com Segurado, a instituição avança na consolidação de um modelo de universidade comprometido com o interesse coletivo. “A USP do século 21 é cada vez mais uma universidade diversa e acolhedora, que cultiva a convivência democrática, afirma os princípios da equidade, valoriza as diferenças e promove a solidariedade que expressa a convicção de que a USP pertence a todas e todos”, afirmou o reitor.
Melhor universidade do Brasil
Em 2025, a USP contou com mais de 58 mil alunos matriculados na graduação e cerca de 30 mil na pós-graduação, além de 5,3 mil docentes e 12,6 mil servidores técnico-administrativos. O orçamento da universidade para 2026 é de mais de R$ 9,5 bilhões. A instituição oferece 325 cursos de graduação e 259 programas de pós-graduação, distribuídos em 43 unidades de ensino, divididas em sete campi.
No QS World University Rankings 2026: América Latina e Caribe, a USP ocupa atualmente a 2ª colocação, atrás apenas da PUC Chile. No Brasil, lidera o Ranking Universitário Folha (RUF), posição que conquistou em oito das dez edições da publicação. Já no THE World University Rankings by Subject 2025, a USP figura entre as 100 melhores universidades do mundo em cinco áreas: Direito (58ª posição), Educação (67ª), Medicina e Saúde (86ª), Artes e Humanidades (98ª) e Ciências Sociais (97ª).
Perfis acadêmicos
Aluísio Augusto Cotrim Segurado, 68 anos, formou-se na Faculdade de Medicina (FM) da USP em 1980, onde também obteve os títulos de Mestre (1991), Doutor (1994) e Livre-Docente (2001) em Doenças Infecciosas e Parasitárias. É professor titular da FM desde 2012, com trajetória científica fortemente marcada pela pesquisa em doenças infecciosas e determinantes sociais da saúde. Teve atuação expressiva no enfrentamento da epidemia de HIV no Brasil, conciliando assistência, pesquisa e formação de profissionais.
Na gestão universitária, Segurado exerceu as funções de chefia de departamento, presidência da Comissão de Pós-Graduação e presidência da Comissão de Relações Internacionais da FM. Já na administração central, foi vice-reitor executivo de Relações Internacionais (2013-2014), implementou e coordenou o Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (2018-2022) e é o atual pró-reitor de Graduação. Foi, também, diretor do Instituto Central do Hospital das Clínicas (HC) durante a pandemia da covid-19, conduzindo respostas institucionais em um dos períodos mais complexos da saúde pública recente.
Liedi Légi Bariani Bernucci, 67 anos, é engenheira formada (1981) pela Escola Politécnica (Poli), onde concluiu mestrado (1985) e doutorado (1995) após estágio na ETH Zurich, instituição de referência internacional nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia. Desde 1986, integra o corpo docente da Poli, tornando-se professora titular em 2006, com trajetória acadêmica dedicada às áreas de pavimentação, solos tropicais, infraestrutura de transportes e inovação tecnológica. Coordenou o Laboratório de Tecnologia de Pavimentação e contribuiu para a criação de um dos mais completos laboratórios de pesquisas ferroviárias do País, formando dezenas de mestres, doutores e pós-doutores.
Sua experiência em cargos de gestão inclui a chefia do Departamento de Engenharia de Transportes (2007-2014), a Vice-Diretoria (2014-2018) e a Diretoria da Poli, sendo a primeira mulher a assumir o cargo de diretora na escola, em 2018. Foi, ainda, diretora-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo (2022-2024) e integra conselhos científicos nacionais e internacionais, além da Academia Nacional de Engenharia e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp).

