
Esta foi uma partida muito complicada para os dragões, diante de uma boa equipa que ainda não perdeu na fase de liga da Liga Europa, ainda que o FC Porto tenha garantido a continuidade na competição por via do play-off de acesso aos oitavos de final da competição, que até pode ser mesmo de forma direta. O Estádio do Dragão será o palco do último encontro desta fase, com os comandados do técnico italiano Francesco Farioli, receberem na próxima semana o Rangers. Os escoceses já estão afastados da prova e aguarda-se que os portistas somem mais três pontos, ainda que possam ser insuficientes para evitar o play off, tudo dependendo dos resultados de terceiros. Obviamente que o FC Porto, ao deixar dois pontos pelo caminho na visita ao terreno do Viktoria Plzen, perdeu uma excelente oportunidade de ficar numa posição privilegiada, mas a partida tornou-se muito complicada na segunda parte, pois os checos, com menos um jogador em campo por expulsão do seu capitão, defenderam com todos os seus homens atrás da linha da bola.
O lance da expulsão do atacante checo Matej Vydra aconteceu no primeiro período, já em tempo de descontos (90+5 minutos), com o capitão checo a ser expulso por mão na bola dentro da área. O lance foi atentamente analisado pelo VAR, não restando nenhuma dúvida quanto à intenção de impedir de forma irregular o golo portista, pelo que seguiu cabisbaixo a caminho dos balneários. Chamado a cobrar a grande penalidade, o avançado Samu atirou muito forte à baliza, mas ao lado. O espanhol anda mesmo em maré de azar, pois no último confronto do FC Porto para a Liga Portugal já havia falhado um penálti, levando a bola a bater com estrondo na barra. Mesmo tratando-se do segundo castigo máximo consecutivo que falha, o técnico Farioli adiantou de pronto que se no próximo encontro a sua equipa beneficiar de novo penálti, Samu será o marcador. Uma prova de confiança no jovem jogador, de 21 anos, que neste encontro foi demasiadamente castigado pelos checos com sucessivas faltas, com o árbitro a permitir este tipo de cargas sem que o infrator, sempre o mesmo, visse o respetivo cartão amarelo.
Caso a bola tivesse entrado o FC Porto igualaria a partida, pois logo aos 6 minutos o Viktoria Plzen adiantou-se no marcador com um golo do médio checo Lukas Cerv, que rematou violentamente à baliza, sem dar qualquer hipótese para que Diogo Costa segurasse o remate. O lance aconteceu depois de um passe infeliz do central polaco Jakub Kiwior, que obrigou o guarda-redes portista a fazer bater a bola num adversário, seguindo-se uma série de passes que culminaram com o violento disparo de Cerv. Os dragões tentaram reagir à adversidade, mas fizeram-no quase sempre com remates de meia distância nada certeiros. O lance de maior perigo dos portistas aconteceu mesmo ao findar do tempo regulamentar, com o guardião Vydra a defender in extremis um remate de cabeça de Kiwior, até que surgiu a indiscutível grande penalidade que Samu falhou.
Consistência checa quase dava resultados
Em inferioridade numérica, os checos passaram a defender com quase todos os seus jogadores atrás da linha da bola, apenas saindo pela certa para o contra-ataque. Farioli começou por trocar o extremo espanhol Borja Sainz pelo internacional brasileiro Pepê, e pouco depois procedeu a uma dupla alteração, ao fazer entrar o médio espanhol Gabri Veiga e o lateral português Francisco Moura, para as saídas, respetivamente, de Rodrigo Mora e de Alberto Costa. A ideia passou por dar mais frescura e consistência à zona intermediária, mas também tentar o jogo mais direto. O FC Porto fez tudo para marcar, mas a equipa checa aguentou bem as investidas adversárias, sem grandes dificuldades em anular o jogo aéreo dada a elevada estatura dos seus jogadores.

Com a partida num autêntico impasse, sem que se vislumbrasse jogadas de verdadeiro perigo, o técnico portista acabou por ser feliz ao lançar Deniz Gul, que ao findar da partida marcou o tento do empate. Um golaço do internacional pela Turquia, nascido na Suécia, com um potente disparo à meia volta, depois de receber a bola de Kiwior. Nessa altura já não estava em campo o criativo e veloz extremo brasileiro William Gomes, contratado ao São Paulo, nesta partida não tão influente como noutros jogos em que tem mostrado tratar-se de um futebolista de eleição. A insistência dos azuis e brancos acabou por dar resultados, pelo que o empate, bem suado, permite ao FC Porto seguir em frente na competição. Tem, obrigatoriamente, de vencer o Rangers na última jornada desta fase e, sendo os golos o fator de desempate, superar o Real Bétis, de Espanha, que se encontra em igualdade pontual, mas numa posição acima, por ter um golo à maior sobre os dragões.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Penso que começámos muito bem. Nos primeiros cinco minutos tivemos três remates, três cantos, algo desse género. Portanto, a abordagem foi excelente. Na primeira bola dividida, numa situação que não foi perfeita, pagámos o preço. Penso que eles tiveram dois remates à baliza: um foi o golo, de fora da área, e o outro foi um remate de muito longe. Portanto, não há muito a dizer. Talvez hoje, claro, a vontade de atacar, de atacar sempre, tenha feito com que não fôssemos tão precisos na zona de finalização, mas acho que atacámos com muita vontade. Tentámos tudo e acabámos com dois avançados, colocámos o Bednarek mais à frente. No final, a reação foi muito positiva e, no fim de contas, é um ponto importante.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

