Sporting vence PSG em Alvalade (2-1) com bis de Luis Suárez e está no play-off da Liga dos Campeões

Os franceses, campeões europeus em título, foram dominadores, mas os leões mais eficazes. Passagem direta à próxima fase da competição discute-se em Espanha diante do Athletic Bilbao

O colombiano Luis Suárez carimbou o triunfo dos leões
O colombiano Luis Suárez carimbou o triunfo dos leões. (Foto: Sporting CP)

Ao derrotar de forma surpreendente o Paris Saint-Germain diante do seu público, o Sporting garantiu a entrada no “top 8”, tendo já garantida a presença nos oitavos de final da Liga dos Campeões. Ao somar 13 pontos nesta fase de liga, tantos quantos já averbaram os ingleses o Manchester City e os italianos do Atalanta, a formação de Alvalade ocupa a 6ª posição da tabela, numa altura em que apenas fica por disputar a partida com o Athtelic Bilbao para garantir a entrada direta na próxima fase da prova. Luis Suárez foi o grande herói de um encontro épico para as cores do conjunto leonino, ao somar mais dois golos ao seu já extenso currículo. O atacante internacional colombiano, a atravessar um excelente momento de forma, sentenciou a partida aos 90 minutos com uma fulgurante entrada de cabeça, numa jogada em que o brasileiro Alisson Santos, formado nas escolas do Esporte Clube Vitória, foi decisivo para levar ao rubro as repletas bancadas do Estádio de Alvalade.

Mesmo com várias e importantes baixas devido a lesão e com o seu capitão Morten Hjulmand suspenso por castigo, o Sporting deu mais uma mostra de que possui um plantel muito equilibrado e que pode ombrear com os melhores, no caso concreto diante do campeão europeu em título. O Paris Saint-Germain até controlou o encontro durante toda a primeira parte, com um futebol atrativo e feito de passes acertados, mas a esse domínio faltou profundidade no ataque. Ao bom toque de bola da formação parisiense – possui futebolistas de enorme talento, casos dos portugueses Nuno Mendes e do grande maestro Vitinha -, para lá de contar com o atacante francês Osmane Dembelé, vencedor da Bola de Ouro e considerado o melhor jogador do mundo. Uma equipa de estrelas tida como favorita diante do bicampeão nacional português, mas derrotada em Alvalade pela magia de Luis Suárez, o colombiano que chegou ao Sporting para tentar fazer esquecer o sueco Viktor Gyokeres, que tarda em impor-se na formação londrina do Arsenal.

Claro que o Sporting teve de sofrer para contrariar o futebol acertado feito de muita posse do conjunto orientado pelo técnico espanhol Luis Enrique. E os gauleses até marcaram por duas ocasiões, primeiro através do médio francês Zaire-Emery, depois pelo lateral português Nuno Mendes. Só que os golos não contaram, ambos invalidados por fora de jogo. Aliás, o PSG teve um terceiro tento que mereceu a mesma decisão do árbitro, este já na segunda metade do encontro, com Ousmane Dembelé em posição irregular. Os leões, com muito pouca bola, viam jogar o adversário, mas ainda tentaram em algumas ocasiões transições rápidas normalmente conduzidas por Francisco Trincão, Luis Suárez e Genny Catamo, um dos melhores em campo. O extremo moçambicano esteve ao serviço do seu país no Campeonato Africano das Nações (CAN 2025) e o Sporting viu-se privado durante um mês do talentoso jogador. Mal voltou, marcou dois golos no triunfo (3-0) sobre o Casa Pia para a Liga Portugal, e com o PSG voltou a mostrar serviço com as suas velozes incursões pelo corredor esquerdo.

Franceses marcam, abrandam e sofrem

A segunda metade do encontro foi bem diferente, pois o Sporting passou a equilibrar mais os acontecimentos, ainda que o domínio adversário se fizesse sentir. Não com tanta intensidade, mas, sendo importante, a maior posse de bola não é tudo. Um certo abrandamento do PSG, a que não foi alheio o facto de a equipa leonina passar a tentar de uma forma mais esclarecida as aproximações à área adversária, acabou por resultar num golo de belo efeito para os leões quando estavam decorridos 74 minutos. Após um pontapé de canto batido pelo uruguaio Maxi Araujo, a bola é aliviada pela defensiva dos franceses, Genny Catamo dispara para a baliza, para surgir de rompante Luis Suárez a atirar rasteiro e cruzado para o fundo das redes. Sol de pouca dura, pois o PSG demorou apenas cinco minutos a repor a igualdade com um fabuloso golaço do recém-entrado georgiano Khvicha Kvaratskhelia, ao arrancar um forte remate em arco sem qualquer hipótese de defesa para o guardião Rui Silva.

Se o empate já constituía um justo prémio para o bom trabalho que os sportinguistas vinham a efetuar, a cereja no topo do bolo aconteceu no último minuto do tempo regulamentar. O brasileiro Alisson trabalhou de forma notável pela esquerda, depois Trincão arrancou mais um forte disparo, e na recarga surgiu o inevitável Suárez a rematar novamente com êxito, levando Alvalade ao rubro. A sorte conquista-se, mas dá muito que fazer. O Sporting começou por ser dominado por uma equipa com argumentos de peso, pois possui jogadores de enorme talento – o PSG não foi campeão europeu por acaso -, mas os leões mostraram a raça que os caracteriza num encontro fundamental para as suas aspirações na maior competição europeia a nível de clubes. A visita ao recinto do Athtletic Bilbao não se avizinha nada fácil, mas o apuramento para os “oitavos” da Champions já foi conseguido, pelo que os leões só se podem orgulhar com o seu trajeto.

Rui Borges (treinador do Sporting): “Soubemos sofrer na primeira parte, mais baixos, parecia por vezes que nos faltava oxigénio e se tivéssemos um Trincão num momento muito bom, podíamos ter criado perigo, porque ele teve muitas bolas. Um PSG fortíssimo na transição e na reação à perda, muito intensa, e tivemos dificuldade em ligar e expor o PSG a correr para trás e criar perigo. Na segunda parte melhorámos, mais abusados, audazes, as substituições ajudaram-nos a ir mais para a frente e fomos crescendo e acreditando, com alguma sorte, mas a sorte faz parte da nossa audácia contra uma grande equipa”.

Luis Enrique (treinador do PSG): “Sabíamos da qualidade defensiva e ofensiva do Sporting, mas, repito, só houve uma equipa em jogo. Fomos muito melhores que o nosso adversário. Não deixámos jogar, eles não atacaram, dominámos completamente e merecíamos ter vencido. Mas o futebol é injusto e premiou quem marcou mais golos, que foi o Sporting. Temos de melhorar, mas estou orgulhoso da minha equipa. O futebol tem estas surpresas”.

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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