
Nunca tivemos tanto acesso a respostas e, paradoxalmente, nunca estivemos tão distantes das perguntas fundamentais. O mundo agora corre em uma velocidade que não permite o cultivo; tudo é extrativismo intelectual.
Colhemos o fruto sem sequer conhecer a árvore, guiados por algoritmos que nos entregam a solução pronta, mastigada e formatada para um slide de apresentação.
A inteligência, é claro, não está presa às quatro paredes de uma sala de aula de tijolos e cimento. Ela sempre transbordou para as mentes inquietas, nos becos e nas oficinas. Mas a mudança atual é de outra natureza. Com a Inteligência Artificial, o caminho tornou-se sem volta: a profundidade virou um luxo de tempo que o mercado já não parece disposto a pagar.
Empresas hoje buscam o “resolvedor de problemas”, o perfil dinâmico que entrega a saída rápida, muitas vezes ignorando se aquele profissional compreende o porquê da solução ou se apenas soube fazer a pergunta certa à máquina.

Nesse cenário, as gerações se encavalam em desconfortos distintos.
De um lado, os nativos digitais são “privilegiados” pela agilidade, mas talvez prejudicados por uma ansiedade latente de nunca serem profundos o suficiente em nada.
Do outro, gerações que valorizam o processo e o tempo de maturação sentem-se atropeladas, como se sua experiência fosse um peso analógico num mundo que exige leveza digital.
Mas fica a questão: como você, profissional que opera essa engrenagem, se sente?
Existe um incômodo silencioso em saber que a facilidade pode estar atrofiando nossa capacidade de criar do zero.
É uma delícia ter o rascunho pronto em segundos, mas é assustador perceber que, às vezes, paramos de discordar da máquina por pura conveniência.
O perigo não é a IA ser inteligente, mas nós nos tornarmos preguiçosos.
A verdadeira inteligência, contudo, ainda reside no que é “desconectado”.
A IA não sente o frio na barriga antes de uma decisão arriscada, nem a empatia que faz um líder mudar de estratégia ao olhar nos olhos de um funcionário cansado. Ela não tem “palpites” baseados em intuição ou em dores passadas.
Separar a facilidade algorítmica da vida real é o grande desafio da nossa década.
É preciso saber usar a ferramenta para ganhar tempo, mas usar esse tempo ganho para as coisas que a IA jamais poderá fazer: sentir o peso das escolhas, o prazer do ócio e a profundidade de um pensamento que não nasceu de um prompt, mas de um momento de silêncio.

Jornalista, mestre em Ciências Ambientais e apaixonada por comunicação com propósito. Com mais de 20 anos de atuação em rádio, TV, assessoria e projetos socioambientais, construí uma trajetória que conecta informação, sustentabilidade e impacto. Fui repórter, editora e apresentadora na Rede Aparecida e no Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde assinei produções como Vale Ecologia, Semana Terra Viva e Projeto Rio Vivo. Sou especialista em Telejornalismo, Marketing, Redes Sociais e Comunicação Institucional. Na assessoria de imprensa do UNISAL, integrei o Plano de Sustentabilidade e fortaleci o relacionamento com a mídia. Hoje, atuo na Seção de Comunicação Social do Exército Brasileiro – AMAN e na Rádio Verde-Oliva, unindo patriotismo, estratégia e sensibilidade na missão de comunicar. Capacitadora ambiental, membro honorário do Instituto de Estudos Valeparaibano, vencedora de prêmio de Comunicação do Rotary Club e agraciada com a Medalha Marechal José Pessôa (2024). Gravo materiais institucionais, podcasts, spots e vídeos publicitários. Eterna estudante de inglês e curiosa pelas conexões entre jornalismo, ESG e educação ambiental..

