
Grande jogo na terra dos Conquistadores, com o V. Guimarães a vender cara a derrota diante do comandante do campeonato português, mantendo assim os sete pontos de diferença para o Sporting e 10 para o Benfica, que venceram os seus jogos, respetivamente frente ao Casa Pia e ao Rio Ave. Moralizado com a recente conquista sobre o Braga na Taça da Liga, que lhe valeu o título de campeão de inverno, a equipa minhota foi superior em muitos momentos do jogo aos dragões, que tiveram de sofrer, talvez como nunca ao longo da temporada.
Tudo podia ter sido diferente se Samu tivesse concretizado uma grande penalidade, aos 27 minutos, mas o atacante espanhol, atirou estrondosamente à barra da baliza defendida pelo colombiano Juan Castillo. Chegado há escassos dias ao Porto, o jovem polaco Pietuszewski, de 17 anos, esteve na origem de novo penálti, quase a findar o encontro, para o argentino Alan Varela atirar a contar com toda a calma do mundo.
Assim se fazem os campeões, com a tal estrelinha da sorte, tão falada no futebol quando as coisas parecem não correr tão bem, mas que dá muito trabalho a conquistar. O V. Guimarães fez tudo o que estava ao seu alcance para bater os dragões, o que já havia acontecido esta temporada em pleno Estádio do Dragão. Então, os minhotos venceram o FC Porto por três bolas a uma para a Taça da Liga, competição pela qual os azuis e brancos não têm grande apreço. Não desvalorizando o triunfo dos comandados do técnico português Luís Pinto, pois os portistas têm por hábito não dar grande importância a uma competição que apenas venceram por uma ocasião em 19 edições, desta feita tudo foi diferente.

Para bem melhor, mas Francesco Farioli teve de apresentar a sua melhor equipa, desfalcada do central polaco Bednarek, ainda não totalmente recuperado de uma lesão recente, e que apenas entrou aos 88 minutos para ajudar a segurar a vantagem alcançada poucos instantes antes. Um momento que causou muitos calafrios no estádio, dada a forma calma e mesmo descontraída como Varela apontou a grande penalidade, ao enganar mais em jeito do que em força o guardião Juan Castillo, para depois o FC Porto fazer a festa do mais de que suado triunfo diante de um adversário que, em abono da verdade, não era merecedor de tal desfeita.
Diogo Costa, um monstro na baliza
Desde muito cedo que os vitorianos iniciaram um brutal ataque à baliza portista, criando o pânico em diversas ocasiões. O avançado belga Noah Saviolo foi o autor da primeira incursão perigosa do encontro, numa jogada bem delineada, valendo a aplicação do lateral Martim Fernandes a interceptar o remate do meio-campista francês Oumar Camara.
As tentativas vimaranenses sucederam-se a bom ritmo e os dragões lá iam respondendo com acerto, mais uma vez com o experiente central brasileiro Thiago Silva, de parceria com o polaco Jakub Kiwior, a serem fundamentais para travar o ímpeto dos vitorianos. Depois houve Diogo Costa, considerado por muitos um dos melhores guarda-redes a nível mundial, sempre tranquilo e mesmo decisivo para que o FC Porto tivesse mantido a sua baliza inviolável. Na retina ficou uma espetacular defesa, daquelas “impossíveis”, quando, aos 65 minutos, foi decisivo ao parar uma bem intencional cabeçada do defesa ucraniano Orest Lebedenko que levava o carimbo de golo.

Mas tudo poderia ter mudado de figura, não fosse o avançado espanhol Samu, ainda na primeira parte, ter falhado a conversão de uma grande penalidade, depois do árbitro ter validado um derrube de Lebedenko ao lateral português Alberto Costa, curiosamente um jogador que iniciou a sua formação no V. Guimarães antes de se transferir para os italianos da Juventus. Samu não foi o mesmo de outros jogos – evoluiu bastante, agora bem mais influente, principalmente quando recebe a bola de costas para a baliza -, mas terá ficado afetado com o falhanço, pois não é seu costume perdoar desde a linha dos 11 metros.
A segunda parte trouxe um FC Porto mais dinâmico, principalmente a partir das entradas do extremo brasileiro William Gomes e do jovem médio Rodrigo Mora, que refrescaram a intermediária dos azuis e brancos. Com o jogo mais dividido, não foi por isso que os minhotos, com maior posse de bola e remates enquadrados, deixaram de tentar a conquista dos três pontos, que Diogo Costa segurou com mestria. O FC Porto podia até ter chegado ao golo pelo espanhol Borja Sainz, não fosse o seu remate bater estrondosamente na baliza vitoriana, para depois Rodrigo Mora também andar bem perto de fazer o gosto ao pé. Assim, valeu o penálti apontado por Varela, após falta do extremo Telmo Arcanjo sobre Pietuszewski, com o português a receber ordem de expulsão.
Luís Pinto (treinador do V. Guimarães): “Olho para o copo meio cheio. Saio com orgulho daquilo que a equipa conseguiu fazer, a forma como conseguimos competir nos diferentes momentos do jogo, mas sempre com a mesma atitude competitiva. A equipa teve sempre muita vontade de vencer o jogo, o que me deixa muito orgulhoso”.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Não sei se foi o mais difícil da época, mas foi difícil. O Vitória jogou com alta intensidade e muito bem organizado. Foi capaz de ganhar duelos, de atacar os espaços abertos. Assistimos a um jogo muito competitivo. Tivemos capacidade para ser pacientes e para criar ocasiões. Não foi um jogo brilhante, mas tivemos bons momentos. Soubemos sofrer e trabalhar com muito esforço. Estou muito feliz com o resultado”.
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

