Cabeça de Bednarek coloca FC Porto nas meias-finais da Taça de Portugal com triunfo (1-0) sobre o Benfica

Na estreia do veterano central internacional brasileiro Thiago Silva, os dragões marcaram cedo e tiveram de sofrer diante dos encarnados, bem mais atrevidos, mas pouco inspirados no ataque

Portistas festejam mais um triunfo importante numa época em que tudo corre na perfeição. (Foto: FC Porto)

Num jogo marcado por muitas quezílias de parte a parte, o FC Porto segue em frente na Taça de Portugal, a prova rainha do futebol português, com o único golo da partida a ser apontado pelo central polaco Jan Bednarek, aos 15 minutos, com uma fulgurante entrada de cabeça, após canto marcado pelo médio espanhol Gabri Veiga. Dominadores na primeira parte, período em que dispuseram de mais oportunidades para dilatar a vantagem, a formação do italiano Francesco Farioli teve de sofrer na etapa complementar, mas o Benfica falhou nos momentos cruciais. Vangelis Pavlidis podia ter levado a partida para prolongamento no primeiro minuto dos “descontos”, mas falhou de forma incrível com a baliza completamente à sua mercê. Quem esteve em grande foi o recém-contratado central internacional Thiago Silva, que aos 41 anos mantém viva a esperança de poder ser chamado a representar o Brasil na Copa do Mundo que se disputa no próximo mês de junho.

Thiago Silva foi, de resto, a grande novidade apresentada por Farioli para jogar ao lado do internacional polaco Jan Bednarek no eixo da defesa, fazendo deslocar para a esquerda o também categorizado polaco Jakub Kiwior. Apesar da sua veterania, o categorizado central brasileiro, que nas duas últimas temporadas representou o Fluminense, esteve em campo durante todo o jogo, evidenciando uma notável frescura, contribuído decisivamente para o acerto da defesa portista. Num jogo mais quezilento do que bem disputado, por vezes até anárquico, o FC Porto teve a seu favor o facto de jogar no seu reduto, empurrado pelo público, que esgotou quase por completo a lotação do Estádio do Dragão. Num jogo a eliminar, o Benfica mostrou-se bem mais atrevido num recinto onde já havia empatado a zero bolas para a Liga Portugal, remetendo-se completamente à defesa, pois José Mourinho entendeu não arriscar. Nessa altura, à passagem da oitava rodada do campeonato, as águias estavam a apenas quatro pontos de diferença do FC Porto, pelo que o nulo serviu a preceito. Desta vez tiveram de arriscar e fizeram-no de forma a incomodar por diversas ocasiões os azuis e brancos e a incerteza quanto ao resultado pairou até ao último minuto da partida.

Claro que o FC Porto iniciou o encontro a todo o gás na tentativa de cedo chegar ao golo e o guarda-redes ucraniano Anatoliy Trubin foi chamado a intervir com determinação em duas ocasiões, a remates dos espanhóis Gabri Veiga e Borja Sainz, jogada que culminou com um disparo e Martim Fernandes ligeiramente ao lado da baliza. Antes disso, o jovem lateral português teve de ser suturado em pleno relvado após fraturar o nariz, sangrando abundantemente – foi obrigado a trocar de camisola em três momentos da partida -, mas aguentou-se em campo até aos 76 minutos, altura em que foi substituído pelo argentino Alan Varela. Já no Benfica o azar bateu à porta do colombiano Richard Ríos, aos 44 minutos, que, depois de assistido, teve de abandonar o recinto em maca com fortes queixas num braço, sendo substituído pelo médio ucraniano Sudakov. No final do jogo Mourinho disse que a lesão de Ríos era “importante”, estando afastada a hipótese de alinhar no próximo sábado com o Rio Ave, na sempre complicada deslocação a Vila do Conde.

O central internacional brasileiro fez a estreia como titular dos dragões e mostrou muita classe. (Foto: FC Porto)
O central internacional brasileiro fez a estreia como titular dos dragões e mostrou muita classe. (Foto: FC Porto)

Águias voam mais alto e ameaçam baliza de Diogo Costa

A segunda metade da partida revelou um Benfica disposto a virar o resultado e esteve muito perto de o conseguir em diversas ocasiões. Pavlidis, sempre ele, ameaçou com um remate cruzado dentro da área para defesa a dois tempos de Diogo Costa, depois o dominicano Pablo Rosario respondeu com um forte remate que Trubin defendeu, mas o Benfica voltou à carga e esteve perto do empate, não fosse o forte disparo de Tomás Araújo sair ligeiramente ao lado. E foi o central das águias que esteve de novo perto de desfeitear a defesa portista com um remate de longe que Diogo Costa encaixou com segurança. Refira-se, a propósito, que os encarnados não puderam utilizar a habitual dupla de centrais formada por Aráujo e Otamendi, com o argentino a ver o jogo da bancada a cumprir um jogo de suspensão por ter sido expulso na partida com o Braga que ditou a eliminação do Benfica da Taça da Liga.

Farioli ainda mexeu na sua equipa ao fazer entrar o jovem prodígio Rodrigo Mora e o extremo brasileiro William Gomes para os lugares de Gabri Veiga e Borja Sainz, mas Mourinho respondeu com as entradas do norueguês Schelderup e, pouco depois, do atacante croata Ivanovic, intensificando-se o poderio atacante das águias. E foi o jovem nórdico, que pode estar de partida para o Parma, de Itália, que trabalhou bem na esquerda do ataque encarnado, para cruzar a preceito ao Pavlidis, que, aos 90 minutos, falhou escandalosamente o desvio à boca da baliza. Assim, o FC Porto, 20 vezes vencedor da Taça, junta-se ao sorteio da competição, marcado para esta quinta-feira, ao Torreense, da II Liga, e ao Fafe, do terceiro escalão, que afastaram, respetivamente, União de Leiria e Sporting de Braga. Ainda por jogar fica o jogo dos “quartos”, que opõe o Sporting, detentor do troféu, ao AVS Futebol. Por seu turno, o Benfica tem agora que pensar seriamente em recuperar os pontos de desvantagem que tem na Liga Portugal para o Sporting e para o FC Porto, assim como na Juventus e no Real Madrid, os últimos jogos da fase regular da Liga dos Campeões. Vida muito complicada para o emblema da águia e para José Mourinho, que pouco ou mesmo nada acrescentou ao Benfica depois de assumir o comando da equipa na sequência do despedimento de Bruno Lage.

Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Já esperávamos um jogo como estes, com momentos muito distintos. A primeira parte foi muito bem disputada, controlámos o jogo e até merecíamos marcar um segundo golo, mas na segunda parte sofremos mais e defendemos bem. Eles tiveram uma boa oportunidade, mas é normal conceder oportunidades a uma equipa deste nível. Ainda assim, foi um jogo muito positivo, os jogadores estiveram todos bem e a atmosfera foi fantástica. O ADN do FC Porto esteve em campo. Estou muito grato pelo apoio dos adeptos.”

José Mourinho (treinador do Benfica): “O jogo não teve muitas oportunidades de golo, mas houve um domínio que me pareceu claro contra uma equipa que está em alta de confiança e num período em que os seus adeptos aceitam, pelo seu grande momento, que a equipa esteja 45 minutos no seu meio-campo a defender, em casa. E o golo que falhámos no último minuto é elucidativo daquilo que eu lhe estava a dizer. Se eu no jogo passado, com o Braga, estava chateado com os jogadores, hoje estou chateado pelos jogadores, que é uma coisa completamente diferente. Acho que o Benfica fez um bom jogo.”

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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