Guimarães derruba Braga (2-1) em confronto empolgante e digno de uma final da Taça da Liga

Guarda-redes brasileiro Charles Silva repete a fabulosa exibição do jogo com o Sporting e garante título de Campeão de Inverno à sua equipa ao defender um penálti já em período de descontos

Os vimaranenses fizeram a festa depois do triunfo sobre os seus rivais do Minho
Os vimaranenses fizeram a festa depois do triunfo sobre os seus rivais do Minho. (Foto: Vitória SC)

Os dois maiores emblemas do Minho disputaram a inédita final da Taça da Liga realizada na cidade de Leiria entre o Braga, que eliminou o Benfica na meia-final da competição, e o Guimarães, que afastou o Sporting, para lá de também ter colocado de fora o FC Porto. O embate foi muito renhido, com a formação bracarense a abrir o marcador, para depois os vimaranenses darem a volta ao resultado no decorrer da segunda parte. O grande herói da partida foi o guardião Charles Silva, natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, que em 2015 iniciou a aventura na Europa, proveniente do Vasco da Gama. O brasileiro, que já havia feito um punhado de grande defesa diante do Sporting, repetiu a dose neste confronto como Braga, defendendo uma grande penalidade já em período de descontos, evitando assim que o seu conjunto tivesse de decidir a competição através da marcação de grandes penalidades, dada a Taça da Liga não contemplar o prolongamento em caso de empate no final do tempo regulamentar.

Grande jogo em Leiria entre as duas maiores equipas de Portugal, em termos de adeptos e simpatizantes, logo a seguir ao FC Porto, Sporting e Benfica. O Estádio Magalhães Pessoa vibrou com as incidências de uma partida verdadeiramente louca e que prendeu o público até ao final, pois a dúvida quando ao vencedor manteve-se sempre bem viva. O Braga adiantou-se no marcador, aos 17 minutos, com o meio-campista costa-marfinense Mario Dorgeles a bater um livre irrepreensível direto que praticamente deixou Charles Silva pregado ao relvado. Os arsenalistas iniciaram a partida muito pressionantes, mas foi o Guimarães que deu o primeiro aviso com um forte remate do veterano dianteiro Nélson Oliveira, de 34 anos, para defesa apertada do guardião checo Lukas Ornicek. Na procura do quarto troféu, na sua sexta final, os bracarenses, teoricamente superiores ao seu opositor, tiveram nos experientes João Moutinho e Ricardo Horta dois motores que carburaram na perfeição naquele futebol feito de muita posse de bola e passes curtos. Já o Guimarães, mais recuado, mas não menos acutilante nas saídas para o contra-ataque, teve em Charles Silva – não é demais repeti-lo – o garante de que a sua baliza estaria fechada a sete chaves, exceção feita ao golo inaugural, onde pouco ou nada poderia ter feito, tal a mestria com que Dorgeles executou o livre direto.

O guardião brasileiro Charles Silva foi o grande obreiro do triunfo da sua equipa. Samu entrou para marcar o golo do empate e no final ergueu a taça. (Fotos: Liga Portugal

Samu entra, faz estragos e Ndoye parte tudo

Para a etapa complementar o treinador do Guimarães não tardou em mexer na equipa, fazendo entrar, aos 54 minutos, o médio ofensivo português Samu, que pouco tempo precisou de estar em campo para empatar a partida. Foram quatro os minutos que necessitou para bater Ornicek, de penálti. O lance deu azo a manifestações de desagrado no final do jogo por parte de António Salvador, presidente do Braga, tanto mais que foi uma daquelas jogadas em que os critérios da arbitragem não são uniformes. Chamado pelo VAR e depois de ver as imagens, o árbitro apontou para a marca de grande penalidade, pois entendeu que o meio-campista brasileiro Vítor Carvalho, nascido em Palmas, vindo do Coritiba, tocou a bola com a mão.

O golo de Samu foi decisivo para relançar a partida. (Foto: Vitória SC)

Para lá do golo, Samu trouxe de imediato uma outra dinâmica à sua equipa, pois o Guimarães, bem mais rápido e até dominador, rondou com muito perigo a baliza do seu opositor. Nélson Oliveira, num pontapé de trivela, levou a bola a bater estrondosamente no poste, para depois o herói brasileiro Charles opor-se de forma espetacular ao defender um violento disparo do capitão Ricardo Horta, um jogador de eleição e que na temporada transata foi alvo da cobiça do Benfica. O médio ofensivo arsenalista, de 31 anos, é um jogador bem acima da média e regularmente chamado à Seleção de Portugal, mas os 30 milhões de euros da cláusula de rescisão, da qual o presidente do Braga não abdicou, foram considerados pelos encarnados um valor incomportável para os cofres do clube da Luz.

Com a partida a caminhar para o final, o técnico vimaranense fez entrar, aos 78 minutos, o avançado Alioune Ndoye, que já tinha bisado na meia-final com o Sporting. O senegalês não foi de modas e aos 83 minutos colocou a sua equipa em vantagem com uma fulgurante entrada de cabeça na sequência de um canto apontado por Samu. Dois jogadores decisivos e que entraram para fazer a diferença, mas, mais do que isso, deram o título de Campeão de Inverno ao conjunto orientado pelo jovem técnico português Luís Pinto. Uma festa que podia não ter acontecido se Charles Silva – sempre ele – não tivesse defendido uma grande penalidade, aos 90+11 minutos, apontada pelo atacante uruguaio Rodrigo Zalazar.

A nota negativa da 19ª edição da Taça da Liga vai para a morte de um adepto do Braga, vítima de um enfarte durante o encontro. O homem, de 65 anos, entrou em paragem cardiorrespiratória, foi prontamente assistido pela Cruz Vermelha e pelos Bombeiros, mas óbito acabou por ser declarado já no Hospital de Leiria.

Luís Pinto (treinador do Guimarães): “A primeira parte foi bastante difícil, o Braga tinha a bola com muita qualidade. É um adversário que torna um jogo ali um bocadinho de paciência, porque eles têm mesmo muita capacidade para retirar a bola. Mas a malta conseguiu manter-se unida e conseguiu perceber que estávamos vivos. Na segunda parte as coisas foram um bocadinho diferentes. O Braga tem uma grande entrada, mas conseguimos sempre trabalhar muito e agarrar-se uns aos outros. Tem sido um bocadinho essa a imagem dos três jogos e também tem sido um bocadinho essa a imagem da época.”

Luís Pinto, o jovem técnico do Guimarães, fez as apostas na hora certa. (Foto: Vitória SC)

Carlos Vicens (treinador do Braga): “Um dia triste para nós, não conseguimos a vitória. Entrámos bem no jogo, controlámos a primeira parte a espaços, fizemos o 1-0 e no segundo tempo não acho que tenhamos entrado mal. O 1-1 muda a energia do jogo e o golo de canto deixa pouco tempo de margem até ao fim do encontro. Mesmo assim criamos dois lances de golo e o penálti deixava tudo empatado, mas não deu. Há que dar os parabéns ao Guimarães e nós temos os quartos da Taça, em Fafe, para preparar. Temos de nos levantar. Temos de estar animados depois da dura derrota de hoje.”

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

Botão Voltar ao topo