Grande exibição de Portugal com a Dinamarca na ressaca do “terramoto Ronaldo”

A Seleção Nacional cresce a olhos vistos sob o comando de Jorge Jesus, indiferente ao tumulto dos últimos dias. Passagem à fase seguinte da Liga das Nações pode ficar garantida no jogo do Dragão com a Noruega

O atacante João Félix entrou para marcar, como fez nos jogos com o País de Gales e com a Noruega Foto Seleções de Portugal

Portugal está bem encaminhado para passar aos quartos de final da Liga das Nações caso vença a Noruega, o quarto encontro desta fase, que se disputa este domingo no Estádio do Dragão. Depois dos triunfos sobre o País de Gales, a Noruega e a Dinamarca, o conjunto dirigido por Jorge Jesus tem de novo pela frente a poderosa formação onde atua o atacante Erling Haaland, que, de resto, já venceu, numa altura em que a polémica à volta de Cristiano Ronaldo continua na ordem do dia. O abandono repentino do estágio da Seleção Nacional do craque nascido há 41 anos na Ilha da Madeira parece não estar a afetar o grupo de trabalho, ainda que o assunto esteja longe de ser encerrado. A equipa lusa fez a melhor das partidas até ao momento na competição, diante de um adversário poderoso e que nunca se deu por vencido, obrigado a recuperar, no seu próprio reduto, a desvantagem por duas ocasiões. Portugal foi mais forte em termos coletivos, mas também com alguns destaques individuais, exemplos mais flagrantes do atacante Gonçalo Ramos e do cerebral meio-campista Bruno Fernandes, considerado o melhor jogador da Premier League da última temporada pela exigente crítica britânica.

Jorge Jesus voltou a mexer na equipa e fez quatro alterações em relação à partida com a Noruega disputada em Copenhaga. O extremo Francisco Conceição não atuou devido a lesão, substituído por Rafael Leão, entrando ainda Bruno Fernandes, Rúben Neves e Vitinha para os lugares de João Palhinha, João Neves e João Félix. Com efeito, o técnico Jorge Jesus tem vindo a fazer uma gestão criteriosa dos futebolistas que tem à disposição, exceção feita ao setor defensivo, onde pontificam os laterais João Cancelo e Nuno Mendes, bem como os centrais Rúben Dias e Renato Veiga. Jorge Jesus tem apostado neste sólido bloco para, a partir daí, elaborar um conjunto extremamente forte com e sem bola. Mesmo confrontada com alguns momentos adversos, a equipa portuguesa foi exímia na forma como conseguiu superar os obstáculos com a eficácia como há muito não se via.

O início do encontro foi de maior pendor ofensivo por parte dos dinamarqueses, que estiveram muito perto do golo quando aproveitaram uma transição rápida em superioridade numérica – quatro contra três -, valendo a atenção do central Rúben Dias a travar as intenções contrárias. À passagem do minuto 13, depois de Gonçalo Ramos enviar a bola ao poste, o lateral João Cancelo surgiu isolado na área da Dinamarca na sequência de uma boa iniciativa individual, tabelou com Ramos, e finalizou com mestria, abrindo o marcador em Copenhaga. Portugal tentou pressionar alto, mas aos 23 minutos, após lance de insistência, Mikkel Damsgaard, jogador do Brentford, de Inglaterra, arrancou um excelente remate em arco, não dando qualquer hipótese de defesa a Diogo Costa.

A partida estava bem viva, com jogadas de bom recorte técnico de parte a parte, e Portugal voltou a adiantar-se no marcador, aos 25 minutos, com um oportuno golpe de Gonçalo Ramos, que, em corrida, fez a bola passar junto ao poste da baliza dinamarquesa, na sequência de uma fenomenal assistência de Bruno Fernandes. Três bolas certeiras em tão pouco tempo deram à partida aquele toque frenético tão do agrado dos espectadores. Obviamente em maior número os adeptos nórdicos, mas os cerca de 800 portugueses presentes no Parken Stadium, situado na capital, Copenhaga, fizeram-se ouvir ruidosamente durante todo o encontro. Apesar da ausência de Cristiano Ronaldo por motivos sobejamente conhecidos, mesmo com uns tímidos assobios de permeio no início do encontro, Portugal teve uma receção calorosa e mesmo vibrante.

Vitinha marca de cabeça e Félix repete a dose

O cerebral Vitinha marcou de cabeça o primeiro golo pelo conjunto português Foto Seleções de Portugal

A segunda metade do encontro revelou-se ainda mais espetacular, com ambas as formações inconformadas e dispostas a dar tudo para levarem os três pontos. O conjunto nórdico conta com elementos de grande nível, ainda que tenha jogado algo desfalcado. Alexander Bah, defesa do Benfica, foi dispensado devido a uma recaída face à lesão contraída num ombro, Kasper Dolberg, avançado do Ajax, com uma lesão no joelho, seguiu o mesmo caminho, bem como ponta-esquerda Patrick Dorgu, do Mancheter United, a contas com uma mazela muscular que está a causar preocupações. Mesmo assim, a seleção orientada pelo dinamarquês Brian Riemer conta com elementos de eleição, como o ex-sportinguista Morten Hjulmand, agora ao serviço do Atlético de Madrid, ou Victor Froholdt, elemento em grande destaque no conjunto do FC Porto, líder isolado da Liga Portugal.

Em desvantagem, a Dinamarca igualou à passagem do minuto 52 por Rasmus Hojlund, ao aproveitar uma jogada envolvente e rápida, depois de um passe em profundidade de Mikkel Damsgaard. Um golo resultante da tentativa de maior pressão exercida pela formação escandinava ao fazer avançar as suas linhas, apanhando o conjunto português desequilibrado. E foi aí mesmo que o técnico Jorge Jesus começou a olhar para o seu banco, pois o jogo estava a pedir uma maior acutilância no ataque. Por isso mesmo acabou por lançar o lateral Diogo Dalot e o extremo Francisco Trincão, elementos que trouxeram uma maior dinâmica ofensiva ao conjunto português.

E foi com um fantástico passe de Bruno Fernandes – como cresceu na segunda metade do encontro o craque do Manchester United – que Portugal voltou a adiantar-se no marcador, com o pequeno Vitinha, com os seus 1,72 metros, a marcar de cabeça. Curiosamente, este foi o primeiro golo pela Seleção Nacional do cerebral jogador formado no FC Porto, bicampeão europeu de clubes ao serviço do Paris Saint-Germain. Para completar a festa, João Félix, que apenas entrou aos 80 minutos, fechou a contagem ao apontar o quarto tento da goleada – marcou nos três jogos já disputados – depois de receber um passe na direita de Diogo Dalot. Um grande jogo a prometer mais uma bela jornada no regresso a casa, quando Portugal, no próximo domingo, voltar a defrontar a Noruega no já lotado Estádio do Dragão.

Jorge Jesus bem pode estar atisfeito com o comportamento dos seus jogadores, mesmo sem Ronaldo Foto Seleções de Portugal

Jorge Jesus (selecionador de Portugal): “O que gostei mais foi da vitória, como é óbvio. Depois, jogo a jogo, e eu particularmente sei disso, a equipa vai melhorando. Nós vamos melhorando com a análise dos jogos que fazemos e, depois, quando passamos para o treino, a equipa normalmente tem mais rendimento, tanto defensivamente como ofensivamente. Esta equipa da Dinamarca é difícil de parar na bola parada. O que gostei mais? Foi da vitória por 4-2. Não sei quantas equipas conseguiram um resultado assim durante estes anos. A Dinamarca não é a equipa de há dez ou quinze anos. São grandes, jogam bem, têm técnica. No pressing defensivo é complicado. Foi um plano para três jogos e agora estamos concentrados no Dragão”.

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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