
Depois do triunfo inicial sobre o País de Gales por uma bola a zero, Portugal voltou a estar em grande ao derrotar em Oslo a poderosa formação da Noruega de Erling Haaland. O possante avançado do Manchester City, ainda empatou a partida, depois dos portugueses terem inaugurado o marcador por João Félix, mas Gonçalo Ramos – o natural substituto de Cristiano Ronaldo -, apontou o golo que deu a Portugal um importante triunfo, antes da deslocação da próxima quinta-feira a Copenhaga, onde defronta a Dinamarca. Com pouco tempo para trabalhar em pleno a equipa, o técnico Jorge Jesus continua a mostrar que pode trazer sangue novo à Seleção Nacional, mesmo sacrificando Cristiano Ronaldo, que, aos 41 anos, já não pode jogar a um nível de exigência muito elevado.
Os noruegueses foram bem mais pressionantes e o seu poderio atlético impõe respeito, aliás, como foi patente durante todo o encontro. Por isso mesmo Jorge Jesus entendeu mexer no conjunto que defrontou e derrotou no Estádio José Alvalade o País de Gales, lançando de início o atacante Gonçalo Ramos, de 25 anos, atualmente a jogar em Itália no AC Milan. Aliás, como referimos na nossa última crónica, Ramos é o legítimo sucessor de Ronaldo, dada a sua classe, irreverência e faro pelo golo. Não é que o “melhor do mundo”, ainda na opinião de muitos, esteja encostado, mas, compreensivelmente, como o próprio admitiu, já não pode pensar no futuro, mas sim jogo a jogo. Neste não foi solução, mas provavelmente voltará a sê-lo no próximo confronto com os dinamarqueses. Não terá sido uma atitude bonita do capitão abandonar o relvado mal terminou a partida, evitando festejar em campo o triunfo com os seus colegas, mas é evidente que ficar no banco o tempo todo causa, no mínimo, um desconforto a que não estava habituado.

Com o cerebral Bruno Fernandes, jogador do Manchester United lesionado, Jesus optou por dar oportunidade a Francisco Conceição, filho do Sérgio Conceição, antigo treinador do FC Porto. O “espalha brasas”, como o antigo selecionador Roberto Martínez o apelidou, arrancou algumas excelentes jogadas pela direita do ataque, enquanto que o pequeno João Neves, de 21 anos, futebolista do atual campeão europeu de clubes, o Paris Saint-Germain, foi novidade no lugar de Vitinha, que acusou alguma fadiga. João Palhinha, que recentemente trocou o Bayern Munique – onde já não tinha espaço – pelo Benfica, foi eleito para o lugar que pertenceu a Rúben Neves. As alterações resultaram em pleno e o certo é que Portugal acabou por fazer um encontro de altíssimo nível. Não foi superior à Noruega, antes mais eficaz, beneficiando de alguma sorte, pois o golo do triunfo, aos 54 minutos, resultou de uma enorme oferta do guarda-redes norueguês, que, ao repor a bola em jogo, ofereceu-a direitinha a Gonçalo Ramos, que não desperdiçou a ocasião para, com um vistoso chapéu, introduzir a bola na baliza adversária.
Foi, como referimos, um jogo bem disputado e com as duas equipas mais preocupadas em levar o perigo às balizas contrárias. Em causa estava a liderança do grupo e ambos os conjuntos vinham de dois triunfos, pelo que era expectável uma partida com oportunidades de golo. Os noruegueses entraram a pressionar e, numa primeira fase, obrigaram Portugal a retrair-se um pouco. O guardião Diogo Costa teve mesmo de se aplicar diante de Haaland, defendendo quase que por instinto um remate com carimbo de golo, depois de uma excelente jogada de Andreas Shelderup. O jovem extremo dinamarquês, figura de relevo do Benfica, exibiu-se em excelente plano, tal como Frederik Aursnes, seu colega na formação portuguesa liderada pelo técnico Marco Silva.
A partida decorria animada e João Félix – como está diferente o jogador do Al-Nassr, agora sim, a atuar como segundo avançado e não com extremo como acontecia anteriormente -, inaugurou o marcador, como já tinha acontecido com o País de Gales, com um remate colocado de fora da área. A jogada começou numa reposição de bola de Diogo Costa, que foi encontrar o lateral Nuno Mendes, endossando-a de pronto ao extremo Pedo Neto, para terminar nos pés de Félix, que, com classe, definiu na perfeição o disparo vitorioso. Até ao final da primeira parte os noruegueses bem tentaram chegar rapidamente à igualdade, mas a classe do guardião do FC Porto voltou a fazer-se notar. Já é um hábito, Diogo Costa raras vezes falha e, como muitos críticos vêm afirmando repetidamente, só por si é garantia de pontos. Desta feita voltou a sê-lo, mas Portugal dispôs de suficientes ocasiões para chegar rapidamente ao segundo golo.
Haaland, sempre ele… quem mais havia de ser?

Sob a batuta de Martin Odegaard, meio-campista do Arsenal, a Noruega subiu as suas linhas e Portugal passou por um mau bocado, para o inevitável Haaland, aos 50 minutos, empatar a partida. Tudo aconteceu na sequência de um livre direto à entrada da área cobrado pelo próprio Odegaard, Diogo Costa ainda se conseguiu opor, mas de nada valeu, já que o atacante do Manchester City não perdoou na recarga e empurrou a bola para o fundo das redes. É um “filme” visto e revisto, tanto mais que dar espaço ao “tanque” norueguês costuma ser fatal. Aliás, Haaland já leva mais golos do que jogos disputados pela seleção do seu país, concretamente 65 remates certeiros em 57 partidas disputadas. É obra!
Só que Portugal não se deixou impressionar e nunca descurou o ataque. Não chegou à vitória com um golo de antologia, muito antes pelo contrário, acabou por beneficiar de um enorme erro do guarda-redes Orjan Nyland ao colocar a bola redondinha os pés de Gonçalo Ramos, que agradeceu e fez, com toda a calma do mundo, o golo do triunfo com um chapéu de belo efeito. Pouco depois, o atacante do AC Milan repetiu a dose, mas viu o golo anulado por se encontrar em posição irregular, após indicação do VAR. Consolidada a vantagem no grupo, Portugal segue o seu percurso rumo à fase final da Taça das Nações na próxima quinta-feira, em Copenhaga, onde medirá forças com a Dinamarca, que saiu vencedora no confronto com o País de Gales.

Jorge Jesus (selecionador de Portugal): “A Noruega teve uma ou outra oportunidade de golo, principalmente no jogo aéreo para o Haaland, que é muito perigoso nestes lances, mas acho que o Renato Veiga e o Rúben Dias estiveram muito bem, principalmente na segunda parte. Na primeira ainda deixámos o Haaland fazer algumas finalizações de cabeça. Quando consegues parar um avançado desta qualidade, tens de estar bem a defender. O Ronaldo? Não é por hoje não ter jogado que não conto com ele. Antes do jogo disse-lhe que não o metia de início, mas sim durante o jogo. O futebol é isto. Achei que não justificava fazer a modificação para um ponta-de-lança com as características do Cristiano, mas isso não significa que ele não possa ser primeira opção contra a Dinamarca”.
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

