Portugal entra a ganhar na Taça das Nações na nova era Jorge Jesus

O Seleção Nacional bateu o País de Gales na estreia do categorizado técnico português, mas foi bem melhor o resultado do que a exibição

A primeira equipa do técnico Jorge Jesus, que tem trabalho árduo pela frente Foto Seleções de Portugal
A primeira equipa do técnico Jorge Jesus, que tem trabalho árduo pela frente. (Foto: Seleções de Portugal)

Não foi um grande jogo, muito longe disso, mas Portugal, detentor do troféu conquistado na última edição da competição ao bater a Espanha no desempate por grandes penalidades, na final disputada em Munique, na Alemanha, foi a equipa que mais fez pela vida no Estádio José Alvalade. João Félix apontou o único golo da partida, aos 22 minutos, com um excelente disparo de fora da área. O astro Cristiano Ronaldo jogou de início, aliás como o selecionador Jorge Jesus confirmou na véspera, e até introduziu a bola na baliza dos galeses, mas encontrava-se em posição irregular. O empate podia ter acontecido na parte final da partida, um pouco aos trambolhões, mas o central Ruben Dias safou in extremis uma bola que ainda foi à barra da baliza defendida por Diogo Costa.

Jorge Jesus, de 72 anos, regressou a Portugal, ao que parece em definitivo, depois de nos últimos dois anos ter orientado o Al-Nassr, da Arábia Saudita, onde atuam os futebolistas Cristiano Ronaldo e João Félix. Aliás, o técnico português, nesta primeira convocatória, não apresentou grandes surpresas – a chamada do atacante Fábio Silva (Borussia Dortmund) constituiu a maior novidade -, para lá de ter convocado pela primeira vez o guardião Samuel Soares, dono da baliza do Sporting. João Palhinha (Benfica) e Nuno Tavares (Lazio) foram também opções para o técnico que sucedeu ao espanhol Roberto Martínez. Da equipa inicial que entrou em campo, apenas Diogo Costa joga em Portugal (FC Porto), sendo que a maioria alinha em formações estrangeiras. A outra exceção foi o benfiquista Palhinha, lançado a jogo na segunda parte, mas que ainda há pouco tempo integrava o lote de talentosos futebolistas que rumaram a algumas das maiores equipas europeias, o caso o Bayern Munique, bem como à Arábia Saudita.

Um dos temas de que se tem falado repetidamente prende-se com a longevidade do capitão Ronaldo, que, aos 41 anos, continua a ser titular da Seleção Nacional. Claro que a frescura não é a mesma de outros tempos e nesta partida com o País de Gales limitou-se a fazer uma ou outra assistência e alguns remates sem perigo, para lá de até ter introduzido a bola na baliza adversária, ainda que estivesse em posição irregular. O seu natural sucessor, Gonçalo Ramos, atacante do AC Milan, entrou a meio da segunda parte e revelou que pode ser útil nos confrontos que estão aí à porta com a Noruega e a Dinamarca (fora), para no próximo dia 4 de outubro concluir-se a primeira fase de encontros da Taça das Nações com a receção, no Estádio do Dragão, ao conjunto norueguês de Erling Haaland.

Esta partida com o País de Gales, que incomodou a espaços o selecionado luso, foi algo insípida e desprovida de lances perigosos em ambas as balizas. O tempo de Jorge Jesus na Seleção de Portugal ainda é muito curto – dispôs de poucos dias para fazer treinos de conjunto -, mas o conceituado técnico parece ter sido a escolha certa para enfrentar as próximas competições, nomeadamente o Campeonato da Europa de 2028 e o Mundial de 2030. Até lá, Jesus irá por certo injetar juventude com talento no grupo de trabalho, pois salta bem à vista que alguns destes jogadores, que muito deram a Portugal, estão numa fase descendente da trajetória, caso mais flagrante de Cristiano Ronaldo, ansioso por chegar ao milésimo golo da sua brilhante carreira. Faltam apenas 21 tiros certeiros e é bem provável que atinja essa marca ao serviço do Al-Nassr, ou mesmo na seleção nacional.

João Félix, jogador do All-Nassr, da Arábia Saudita, foi o melhor em campo Foto Seleções de Portugal
João Félix, jogador do All-Nassr, da Arábia Saudita, foi o melhor em campo. | Jorge Jesus, o novo selecionador de Portugal, entrou com o pé direito. (Fotos: Seleções de Portugal)

João Félix, em grande forma, resolveu com um tiraço

De todos os jogadores que estiveram em campo, foi notório que o avançado do Al-Nassr João Félix atravessa um grande momento de forma, como bem têm comprovado as suas exibições e golos ao serviço do emblema saudita. Não estava nada fácil desbloquear a defesa galesa, até que, aos 22 minutos, o genial futebolista arrancou um belo remate de fora da área, a passe do lateral Nuno Mendes, que entrou como um foguete na baliza adversária. Aliás, o jogo ofensivo português passou praticamente pelos pés de Félix, quer nas assistências a Cristiano Ronaldo, como ainda conseguiu em algumas ocasiões desbloquear a atenta defesa do País de Gales.

Outra das figuras de relevo dos portugueses foi o lateral Nuno Mendes, que há dias foi muito elogiado pelo lendário craque brasileiro Roberto Carlos. “Parece-se muito comigo na forma de jogar. Eu acho que ele ainda é melhor do que eu. Atualmente, no futebol mundial, ele é o lateral-esquerdo moderno”, afirmou durante uma sessão no Portugal Football Summit, a propósito do defesa que atua no Paris Saint-Germain. Imperial a defender, Nuno Mendes preenche todo o seu corredor, lançando os seus companheiros a preceito, para lá ainda tentar o golo. Não é só Roberto Carlos a dizê-lo, outras grandes figuras do desporto mundial já afirmaram que se trata, na atualidade, do melhor lateral do mundo.

Cristiano Ronaldo teve uma atuação discreta e acabou por ser substituído. (Foto: Seleções de Portugal)

No segundo período do encontro, onde Jorge Jesus acabou por lançar cinco elementos – João Palhinha recebeu uma enorme assobiadela em Alvalade por ter escolhido o Benfica para prosseguir a sua carreira, depois de ter feito parte da sua formação no Sporting -, que trouxeram um pouco mais de emoção à partida, que não grandes oportunidades de golo. Os galeses estiveram mesmo perto do empate, aos 73 minutos, numa jogada em que a bola tocou a barra de baliza de Diogo Costa, que depois só não entrou por milagre devido ao decisivo corte do central Rúben Dias.

Quanto ao resto, pouco ou nada assinalar de grande registo. Portugal foi superior e mereceu a vitória, mas Jorge Jesus tem muito trabalho pela frente, já que a equipa não rendeu aquilo que o nível dos seus jogadores exige. Não houve nota artística, por isso o resultado positivo serviu de tónico para os próximos e complicados encontros que se avizinham na Taça das Nações. O jogo deixou muitas interrogações no ar e, como tal, é bem provável que Jorge Jesus apresente um conjunto diferente, com ligeiros retoques, na partida do próximo domingo com a Noruega, que se disputa em Copenhaga.

Jorge Jesus (selecionador de Portugal): “O resultado é sempre importante porque toda a gente faz análises a partir disso. Eu faço, mas também faço análise, mesmo que não ganhasse, pela organização defensiva da equipa. Gales fez um remate à baliza, foi a equipa que defensivamente segurou esta vitória. Importante não sofrer golos, é verdade que houve um ou outro jogador que individualmente sabe fazer melhor, mas no que interessa, a ideia de jogo da equipa, para primeiro jogo estivemos bem. O Ronaldo saiu porque precisava de um jogador que estivesse fresquinho para condicionar a saída de bola deles. Pode não ter tecnicamente a qualidade do Cristiano, mas sabia o que o Gonçalo Ramos nos iria dar, sobretudo a nível defensivo. Fiquei satisfeito”.

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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