
A Plataforma Suborbital de Microgravidade teve seu sistema de recuperação qualificado em condições reais de voo pela Força Aérea Brasileira (FAB) durante a Operação Potiguar Fase 2, realizada na terça-feira (15), no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte.
A missão utilizou o veículo de sondagem VS-30 V16. O voo durou cerca de 12 minutos e 30 segundos e atingiu 92 quilômetros de altitude, encerrando um ciclo que incluiu lançamento, voo suborbital, descida e recuperação da carga útil no mar.
Plataforma foi recuperada em mar aberto
Após a fase de voo, a recuperação mobilizou o 1º Esquadrão do 8º Grupo de Aviação (1º/8º GAv) – Esquadrão Falcão e o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR).
O Esquadrão Falcão realizou o posicionamento da aeronave sobre o ponto de descida da plataforma, enquanto militares do PARA-SAR foram lançados ao mar para executar o resgate.
Com a recuperação concluída, a FAB pôde validar em voo o sistema desenvolvido para trazer de volta equipamentos e experimentos transportados pela plataforma.
Missão levou quatro experimentos
A carga útil transportou quatro experimentos desenvolvidos a partir de parcerias entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a iniciativa privada, além de tecnologias do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).
Entre os trabalhos estão estudos dos efeitos da microgravidade sobre microrganismos e o teste de um sistema de segurança destinado a lançamentos.
Também foram embarcados uma bateria de lítio de alta densidade energética e um transmissor desenvolvido para auxiliar na localização da carga após o pouso.
Plataforma amplia autonomia para pesquisas
A Plataforma Suborbital de Microgravidade foi desenvolvida para transportar experimentos científicos e tecnológicos que necessitam de condições diferentes das encontradas na superfície terrestre.
A microgravidade pode ser utilizada em pesquisas envolvendo materiais, fluidos, combustão, biologia e outras áreas.
Segundo o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), a qualificação do sistema nacional de recuperação reduz a dependência de soluções estrangeiras e amplia a capacidade brasileira de realizar futuras missões com experimentos de microgravidade.
Operação envolveu diferentes instituições
A missão reuniu estruturas da FAB, Marinha do Brasil, Exército Brasileiro, Agência Espacial Brasileira e empresas especializadas em sistemas de missão.
Também participaram o DCTA, o Instituto de Aeronáutica e Espaço e o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI).
Durante o lançamento, o CLBI utilizou seus sistemas de rastreamento e telemetria para acompanhar o veículo e receber dados ao longo da trajetória.
CLBI acumula mais de 400 lançamentos
Inaugurado em 1965, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul.
A unidade já participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos, segundo a FAB.
Entre suas atividades estão o rastreamento de foguetes Ariane, em cooperação com a Agência Espacial Europeia, e o apoio ao monitoramento de veículos lançados a partir do Centro de Lançamento de Alcântara.
A Operação Potiguar Fase 2 passa agora à etapa de análise dos dados obtidos em voo, que poderão apoiar novas pesquisas e futuras missões do Programa Espacial Brasileiro.
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