FC Porto perde com o Manchester City no regresso à Liga dos Campeões

Erling Haaland apontou os dois golos do triunfo numa partida em que os “citizens” foram manifestamente superiores. Diogo Costa, imperial na baliza dos dragões, evitou males maiores

Mesmo derrotados, os dragões receberam uma grande ovação no final do jogo. (Foto: FC Porto)

O Estádio do Dragão voltou a viver uma grande jornada da Liga dos Campeões, competição onde regressou depois de um afastamento de dois anos. Não foi uma boa estreia, pois encontrou pela frente um adversário de outra galáxia, repleta de vedetas compradas a preço de ouro. Não é que os milhões determinem os vencedores, mas, convenhamos, o Manchester City gastou na janela de transferências de verão qualquer coisa como 500 milhões de euros (2,96 bilhões em reais) em jogadores de altíssimo nível, casos, entre outros, do argentino Enzo Fernández, do inglês Elliot Anderson, e do senegalês Iliman Ndiaye. A diferença de individualidades marcou decisivamente este primeiro encontro da fase de liga da Champions, com a agravante de o FC Porto não ter podido contar com o polaco Jan Bednarek, patrão da defesa, e do possante médio dinamarquês Victor Froholdt. Depois há os “outros”, um conjunto de talentos que andaram à solta no Dragão, com o norueguês Erling Haaland a fazer o que melhor sabe. E Diogo Costa ainda efetuou um punhado de defesas de complexidade extrema, mostrando o motivo pelo qual é apontado com um dos melhores guarda-redes do mundo.

Para sermos justos e não andarmos a dar voltas desnecessárias, é da mais elementar justiça afirmar que o Manchester City foi ao Dragão jogar como quis e quando quis. Teve muito mais posse de bola e criou oportunidades em número suficiente para construir um resultado volumoso, diante de um adversário que ainda se tenta encontrar, pois só há escassos dias recebeu alguns reforços importantes, casos do atacante mexicano Santiago Giménez, emprestado pelo AC Milan, ou do meio-campista Seko Fofana, vindo do Rennes, também por empréstimo. O FC Porto segue isolado na Liga Portugal, com cinco vitórias noutros tantos jogos, e naturalmente que a conquista do bicampeonato é a aspiração máxima, num ano em que terá forte concorrência de Sporting e Benfica. Esta derrota com o Manchester City, sendo normal, não belisca as pretensões dos dragões na prova que podem perfeitamente ultrapassar a fase de liga da Champions, pois os outros adversários (Real Betis, PSV Eindhoven, Nápoles, Feyennord, Liverpool e Slavia Praga) não têm o peso do conjunto britânico, agora orientado pelo italiano Enzo Maresca, candidato a vencer a Premier League e a Champions.

Pressão alta dos ingleses deixou dragões à deriva

Os britânicos não têm outra forma de jogar. Pressionam alto e são exímios no controle de bola, raras vezes perdendo uma jogada. O FC Porto do técnico Francesco Farioli assenta o seu futebol num sistema em que o rigor do setor defensivo é de crucial importância – a ausência, por castigo, do polaco Jan Bednarek foi muito notada -, tática que tão bom resultado tem proporcionado a nível interno. Os primeiros 45 minutos, ainda que sem golos, foram de domínio quase total do Manchester City, valendo a classe do Diogo Costa a evitar que a bola entrasse por diversas ocasiões na sua baliza. O guardião dos dragões efetuou cinco monumentais defesas – duas delas na mesma jogada -, ao evitar que o adversário ficasse a zeros na etapa inicial do encontro.

Primeiro travou um remate de cabeça de Haaland, depois um cruzamento tenso do ponta britânico Phil Foden, mais tarde arrancou uma dupla defesa na mesma jogada, ao negar de novo o golo ao categorizado atacante norueguês, lance em que ainda arrancou um enorme parada a remate do meio-campista francês Rayan Cherki. Já não sobram palavras para descrever o talento do titular da Seleção Nacional de Portugal, justamente considerado um dos melhores do mundo no seu posto. Diogo Costa permaneceu no FC Porto com um contrato milionário, depois de se ter falado do interesse de alguns emblemas ingleses e do Paris Saint-Germain. Aliás, o FC Porto foi o único clube português que evitou a debandada dos seus maiores talentos, acrescentando ainda alguns nomes de vulto e com provas dadas, ainda que estejam numa fase precoce para se integrarem em pleno no onze de Farioli.

Mesmo com os ingleses sempre por cima do jogo, o FC Porto lá conseguiu ir segurando o empate – a ideia era mesmo essa -, sendo raras as vezes que rondou a baliza defendida pelo italiano Gianluigi Donarruma. O brasileiro William Gomes ainda tentou, pela direita do ataque, ensaiar as suas jogadas em drible que tão bons resultados têm dado na Liga Portugal, mas desta feita teve pela frente o zagueiro croata Josko Gvardiol, que pouca hipótese deu de brilhar ao craque que os dragões contrataram na época passada ao São Paulo. De resto, tudo muito lento e denunciado, permitindo aos ingleses uma fácil e rápida recuperação de bola, para depois controlarem com mestria e lançarem o pânico por inúmeras ocasiões na grande área portista.

Haaland zangou-se e marcou à vontade

Mesmo com o FC Porto num plano diferente, para melhor, o primeiro golo de Erling Haaland, logo no início do segundo período, aos 47 minutos, acabou por ditar o que já era mais ou menos previsível. O norueguês, porventura zangado com o nulo, surgiu a emendar de cabeça, no coração da área, um cruzamento do argentino Enzo Fernández, com a bola a bater no poste a entrar, sem que Diogo Costa pudesse fazer algo para evitar que o conjunto inglês abrisse o marcador. Tudo muito simples e tremendamente eficaz, não fosse o nórdico um jogador de classe muito acima da média, aliás, apontado como o melhor atacante do mundo, candidato à conquista da Bola de Ouro 2026.

O onze dos azzuis e brancos – desfalcados de Bednarek e de Froholdt – na estreia da Liga dos Campeões. (Foto: FC Porto)

Naturalmente inconformado, o FC Porto lançou-se à procura do empate e até teve oportunidades para empatar a partida. O lateral Alberto Costa andou lá muito perto ao acorrer a um canto apontado pelo espanhol Gabri Veiga, para três minutos depois, o argentino Alan Varela desferir um potente remate de fora da área, servido pelo dominicano Pablo Rosario, com a bola a passar a escassos centímetros da baliza. Depois foi William Gomes a estar perto de marcar, ao aproveitar um intercetar um arriscado passe de Donnarrumma. Farioli ainda operou algumas substituições para tentar o empate, mas, mais uma vez, foi Haaland que fez a festa, já em período de descontos, a sentenciar a partida. A defesa dos dragões vacilou no alívio de uma bola aparentemente fácil de controlar, permitindo ao lateral argelino Nouri espaço para escapar pela linha de fundo e oferecer o golo ao avançado norueguês.

Por último, refira-se que o árbitro da partida não estará isento de erros, um deles até passível de mudar o rumo da partida, pois, aos 36 minutos, Josko Gvardiol podia ter visto o cartão vermelho, depois de já ter recebido um cartão amarelo. Com efeito, o lateral croata cometeu uma falta violenta sobre Gabri Veiga, deixando-o a sangrar, mas o lance não mereceu qualquer reparo. Como tal, também não foi por acaso que o jogador acabou por ser substituído logo no início da segunda parte por precaução, pois corria sérios riscos de seguir o caminho dos balneários. O árbitro polaco Szymon Marciniak optou por deixar jogar, não apitando por tudo e por nada, mas, efetivamente, o FC Porto teve razões de queixa para protestar energicamente pela falta grosseira de Gvardiol.

Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Tivemos um desempenho fantástico, tivemos os nossos momentos e as nossas oportunidades. Em vários momentos na segunda parte, colocámo-los em dificuldades, mas eles defenderam bem e, do outro lado, não podemos dar espaço ao melhor avançado do mundo, que tem uma capacidade de concretização incrível. A equipa teve uma boa prestação e mais uma vez mostrámos o nosso ADN. Esta equipa tem um grande espírito. Vi momentos muito bons nossos, com combinações fantásticas. Não sei quantas equipas jogam assim contra o Manchester City. Estou feliz com a performance da equipa, mas não com o resultado.”

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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