Governo de Portugal decreta estado de calamidade nas zonas mais afetadas da Região Centro do país

Até ao momento a tempestade Kristin causou seis vítimas mortais em diferentes concelhos. A dramática situação, que provocou rajadas superiores a 150 Km/h e muitas inundações, já conta com perto de 6.000 ocorrências

Foram muitas as viaturas destruídas pela queda de árvores Foto Região de Leiria
Foram muitas as viaturas destruídas pela queda de árvores. (Foto: Região de Leiria)

As fortes tempestades que têm assolado o continente português, nomeadamente na Zona Centro, obrigaram o governo a decretar o estado de calamidade nas zonas mais afetadas, em concreto nos distritos de Leiria e de Coimbra. Depois das depressões Ingrid e Joseph, Portugal foi afetado pela tempestade Kristin de uma forma brutal, com rajadas superiores a 150 Km/h, que originou o caos total em muitos locais do país.

Há já a lamentar seis mortes provocadas pelas incidências do violento fenómeno, que tem originado um rasto de destruição de que não há memória. Habitações e várias estruturas destruídas, derrocadas, aeronaves e viaturas totalmente danificadas, subidas dos caudais dos rios com as consequências que daí advêm, estão a transformar diversas zonas de Portugal num autêntico inferno, sem que haja soluções para combater a fúria da Natureza. O trabalho dos Bombeiros e das diversas forças de segurança têm sido fundamentais na proteção das populações, mas ainda há centenas de pessoas isoladas, muitas delas privadas de eletricidade e água.

A depressão Kristin sofreu um processo de ciclogénese explosiva, ou seja, um aprofundamento muito rápido da pressão atmosférica em poucas horas. Este tipo de evolução faz com que os fenómenos mais intensos fiquem concentrados no tempo e no espaço. Dos seis óbitos verificados, um deles ocorreu em Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, quando uma árvore caiu sobre uma viatura, ceifando de imediato a vida ao condutor, um homem na casa dos 40 anos que fazia a distribuição de pão. As outras mortes aconteceram em Leiria, com quatro indivíduos a serem apanhados desprevenidos pelo temporal, segundo números adiantados pela Proteção Civil. Uma outra pessoa, uma senhora de 85 anos, foi arrastada em Silves, no Algarve, por um curso de água que transbordou devido à chuva intensa, sem que sequer houvesse tempo para sequer tentar o salvamento.

Os trabalhos de resolução dos problemas estão a ser gravemente afetados dada a destruição causada pela tempestade, pois os diversos acessos aos locais mais críticos ficaram intransitáveis e constituem uma autêntica armadilha para quem está no terreno. Os estragos têm-se verificado de Norte a Sul do país, pelo que grande parte da orla costeira continua sob aviso vermelho ou laranja devido à forte ondulação, em alguns casos a ultrapassar os 15 metros de altura. Também os rios galgaram as margens de muitas zonas, interditando o acesso a moradores e comerciantes, muitos dos quais se viram impedidos de salvaguardar os seus bens.

É num cenário verdadeiramente dantesco que algumas regiões de Portugal continuam a viver debaixo de perigo, pois a tempestade Kristin continua a não dar tréguas. Como tal, o país continuará em alerta máximo até que as condições meteorológicas melhorem, no entanto, a chuva vai continuar a fazer-se sentir, sobretudo a Norte e Centro do país. A depressão tende a afastar-se de Portugal em direção a Espanha, sendo de prever que os avisos passarão a não ser tão severos como até aqui. As previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) apontam para queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela, no caso uma situação comum para esta altura da época.

O mau tempo tem provocado atrasos e suspensões nos transportes, nomeadamente os ferroviários, com suspensões de várias linhas do Norte e do Centro, bem como interrupções pontuais entre as cidades de Porto e Lisboa, mas os serviços já estão a ser retomados em algumas áreas. A intempérie obrigou ainda ao fecho de inúmeras escolas, dado perigo de derrocadas e quedas de árvores, bem como inundações, nas zonas de maior risco. Os aeroportos nacionais estão operacionais, apenas registrando-se atrasos com destino aos EUA e ao Canadá devido às tempestades severas que também assolam a América do Norte.

Tempestade Kristin causa estragos em Portugal

Primeiro-ministro visita áreas mais afetadas

O primeiro-ministro Luís Montenegro cancelou as viagens previstas a Andorra e à Croácia para visitar as zonas mais afetadas de Leiria e de Coimbra, após o governo ter decretado a situação de calamidade em reunião de Conselho de Ministros. “Queremos que o quanto antes as pessoas tenham acesso à energia. Não vale a pena estar a criar expectativas, o que posso dizer é que se está a fazer o maior esforço possível”, referiu Montenegro. Nesse sentido, confirmou que estão a ser mobilizados geradores para as zonas afetadas, até que os sistemas normais possam ser restabelecidos”, para salvaguarda dos bens essenciais. Quem não deixou fugir a ocasião para criticar a ação dos governantes foi o candidato André Ventura, que concorre juntamente com António José Seguro à segunda volta das Eleições Presidenciais do próximo dia 8 de fevereiro. “Pudemos constatar que não há redes de comunicação ou estão todas em baixo. Isto não é aceitável. Não compreendo como falha novamente a energia. Passámos por cheias, passámos por incêndios, passámos por um apagão e não aprendemos nada com isto?”, questionou o líder da extrema-direita em Portugal.

Os prejuízos resultantes das tempestades Ingrid, Joseph e Kristin ainda não estão contabilizados, mas prevê-se que atinjam números bem expressivos, dada a destruição verificada nos terrenos agrícolas, edifícios, habitações e outras estruturas. Nestes casos, as respetivas seguradoras podem cobrir parte dos prejuízos, sucedendo-se ainda as promessas de auxílio, mas são situações que, como sempre acontece, demoram muito tempo a ser solucionadas. Os apelos sucedem-se e há gente em completo desespero. Claro que os compromissos de ajuda andam de boca em boca, só que a realidade, no futuro imediato, não passa disso mesmo. Há que fazer contas aos estragos e depois logo se vê. Foi e será sempre assim, pelo que a incerteza nos apoios do Estado tende a ser incerta e demorada para desespero daqueles que, em muitos casos, tudo perderam.

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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