Triunfo sobre o Santa Clara (1-0) garante ao FC Porto melhor primeira volta de sempre do seu historial

Golo solitário, apontado pelo atacante espanhol Samu, nasce de um incrível erro do guardião brasileiro Gabriel Batista, garantindo aos dragões a liderança confortável na Liga Portugal

Diogo Silva não foi muitas vezes chamado a intervir num jogo sem grandes oportunidade de golo de parte a parte. (Foto: FC Porto)

As deslocações aos Açores nunca são fáceis e esta não fugiu à regra. O Santa Clara é uma equipa extremamente competitiva e o FC Porto viu-se e desejou-se para levar os três pontos. Um golo bastou para concluir a primeira parte do campeonato com 16 vitórias e um empate – com o Benfica -, o que constitui um recorde absoluto para a formação orientada pelo técnico italiano Francesco Farioli. Nunca o emblema do Dragão ao longo do seu historial conseguiu semelhante registo na liga portuguesa, prova em que apenas sofreu quatro golos. O golo de Samu aconteceu já durante a segunda parte, aos 49 minutos, e nasceu de um erro pouco comum, com o guardião brasileiro Gabriel Batista a repor a bola em campo para os pés do avançado espanhol, que agradeceu e, desta forma, terá feito o tento mais fácil da sua carreira. Vale isto por dizer que o FC Porto vai arrancar para a segunda metade da principal prova portuguesa com sete pontos de vantagem sobre o Sporting e dez sobre o Benfica, o que faz dos dragões os mais sérios concorrentes à conquista do título nacional.

Costuma dizer-se que a candeia que vai à frente alumia duas vezes e apontar a tal estrelinha dos campeões, que mais não é do que a sorte que acompanha as equipas em certas alturas. Não será bem assim no caso do conjunto azul e branco, mas neste jogo aconteceu que a estrelinha esteve lá bem presente na Ilha dos Açores. Gabriel Batista, que tantas e boas defesas já fez ao serviço do Santa Clara, teve um daqueles momentos caricatos e inexplicáveis. Só não acontece a quem não está lá dentro, mas não deixa de ser um brinde monumental quando nos aproximamos do Dia de Reis (6 de janeiro), data que comemora a visita dos Três Reis Magos ao Menino Jesus. O rei acabou por ser Samu ao receber uma oferta invulgar. Bem, o encontro entre o comandante da liga e o 13º classificado – com esta derrota baixou para 14º – esteve muito longe de ser um bom espetáculo e também pouca emoção teve. Ao longo de todo o primeiro período, o brasileiro William Gomes esteve perto de marcar, aos 17 minutos, numa das suas habituais deambulações da direita para a esquerda, aplicando um potente disparo com o pé esquerdo que saiu ligeiramente por cima da barra. E só perto da conclusão do período inaugural, já em fase de descontos, é que os dragões voltaram a rondar com perigo a baliza dos açorianos, de novo por William Gomes, desta feita com o guardião Gabriel Batista a negar o golo ao jovem extremo brasileiro. Quanto ao Santa Clara, a atuar num sistema bem defensivo (5x4x1) pouco fez para chegar com perigo à baliza defendida pelo internacional português Diogo Costa.

Açorianos arriscam, mas não petiscam

A segunda parte da partida no Estádio São Miguel, em Ponta Delgada, trouxe algumas movimentações bem mais interessantes. Depois do golo de Samu a que já nos referimos, o Santa Clara mostrou-se mais atrevido, mas a partida pecou por falta de intensidade e pouca profundidade. O técnico do conjunto insular ainda lançou alguns jogadores mais rápidos, mas o FC Porto contrapôs com as entradas do espanhol Borja Sainz, por troca com William Gomes, e do médio argentino Alan Varela, que substituiu o espanhol Gabri Veiga, garantindo desse modo uma maior capacidade de posse de bola. A dada altura, mesmo correndo o risco de a qualquer momento sofrer um eventual dissabor, o FC Porto remeteu-se a uma toada mais defensiva, o que fez com grande acerto. Contudo, mesmo a finalizar o encontro não se safou de um susto a remate do brasileiro Brenner Lucas, um atacante nascido em São Paulo e que dotou a sua equipa de uma maior acutilância ofensiva. Não chegou, é um facto, mas a formação portista ainda chegou a sofrer, o que normalmente não acontece tal tem sido a superioridade exibida sobre os seus adversários.

A Liga Portugal sofre agora uma pequena interrupção para a disputa da Final Four da Taça da Liga, prova em que já não está o FC Porto, afastado da competição em pleno Estádio do Dragão pelo Vitória de Guimarães, que na próxima terça-feira defronta o Sporting. No dia seguinte, o Benfica mede forças com o Braga, para no dia 10 de janeiro ser conhecido o vencedor da 19ª edição da prova, partida que vai ocorrer em Leiria. O FC Porto volta a entrar em ação no dia 14 deste mês no muito aguardado embate com o Benfica, a disputar no Estádio do Dragão, a contar para a Taça de Portugal. Entretanto, já com o central brasileiro Thiago Silva (ex-Fluminense), de 41 anos, o plantel dos dragões vai cumprir um mini estágio no Algarve, estando os jogadores autorizados a levar as respetivas famílias.

Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Conseguimos o melhor resultado num jogo muito complicado. O golo surgiu de um lance de azar do guarda-redes adversário, mas acredito que merecíamos a vitória, porque criámos várias oportunidades e atacámos bem num campo complicado e contra uma equipa muito organizada, com jogadores rápidos e fortes nas transições. Fizemos o nosso jogo e o resultado foi muito importante. Nós não somos campeões. Temos de entrar em campo como se estivéssemos em desvantagem. Esta mentalidade é muito importante para continuarmos a trabalhar de forma a melhorarmos e sentirmos novamente a satisfação do sacrifício coletivo. É este o espírito que nos tem guiado até aqui e que nos vai continuar a guiar na segunda volta.”

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

Botão Voltar ao topo