
Ao vencer os suecos do Malmo, o FC Porto garantiu a presença nos oitavos de final da Liga Europa, encontrando-se em posição de apuramento direto dado o oitavo lugar que ocupa na tabela classificativa. Os próximos encontros com os checos do Viktoria Plzen e o Rangers, da Escócia, que fecham a fase de liga da competição, serão determinantes para evitar a ida a um play-off. Nesta partida com a débil formação sueca, já afastada da competição – um empate e cinco derrotas, tal como o Rangers -, os dragões superiorizaram-se de forma categórica, com o jovem prodígio Rodrigo Mora, de 18 anos, a ser determinante na vitória com duas assistências para os golos do avançado Samu Aghehowa. No último minuto do encontro disputado no Estádio do Dragão, com a presença de 33364 espectadores, o Malmo alcançou o tento de honra e forma algo caricata e mesmo surreal, resultante de uma distração pouco comum na defesa dos azuis e brancos.
Desde cedo que os dragões insistiram numa toada de ataque e o domínio sobre o seu opositor foi quase total, com o jogo a ser praticamente todo disputado no meio-campo do Malmo. A resistência sueca durou até aos 30 minutos, momento em que surgiu o primeiro golo por intermédio de Samu, de cabeça, depois de receber um fantástico passe com as medidas certas de Rodrigo Mora. Antes do golo inaugural da partida do Dragão, em mais uma noite gelada, com a temperatura a rondar os 10 graus centígrados, característica em Portugal nesta altura do ano, os azuis e brancos tiveram algumas chances para chegar à vantagem. O lateral Martim Fernandes deu o primeiro sinal de verdadeiro perigo com um violento disparo que o experiente guardião sueco Robin Olsen resolveu a custo. Na outra baliza, o internacional português Diogo Costa ainda teve de se aplicar após remate perigoso do médio sueco Skogmar, mas as pouco consistentes tentativas do adversário em nada beliscavam a superioridade evidenciada pelo FC Porto, uma constante ao longo de todo o encontro.
Depois do extremo espanhol Borja Sainz ter ficado muito próximo de aumentar a vantagem com um remate em arco a que Olsen correspondeu com uma enorme defesa, Samu voltou a ameaçar. O dianteiro espanhol surgiu isolado, primorosamente assistido pelo internacional brasileiro Pepê, mas a tentativa de fazer um chapéu a Olsen foi travada pelo guardião sueco. O FC Porto, já em vantagem, chegou ao segundo golo aos 36 minutos, novamente por Samu, em mais uma assistência de Rodrigo Mora. O genial médio português tem sido chamado com frequência à titularidade, ainda que divida o lugar com o espanhol Gabri Veiga, impedido de atuar com o Malmo, a recuperar de uma entorse contraída num tornozelo. Com Mora está mais do que visto que os dragões ganham em criatividade, mas o espanhol dá à equipa outra consistência na intermediária, pois defende mais do que o seu “concorrente” ao lugar, pelo que foram raras as ocasiões em que estiveram os dois em simultâneo em campo.

Gerir a vantagem sempre a controlar
Construído um resultado suficiente para acautelar eventuais surpresas, ainda que o 2-0 seja sempre um resultado perigoso para descomprimir, o FC Porto regressou para a segunda parte com a mesma determinação. Contudo, o técnico Francesco Farioli viria a optar pela saída dos heróis da noite, pelo que Samu e Rodrigo Mora deram os seus lugares, aos 57 minutos, ao internacional turco Deniz Gul, nascido na Suécia, e ao médio canadiano Stephen Eustáquio, respetivamente. Mais tarde, o treinador portista esgotou as substituições com as entradas do brasileiro William Gomes – uma das grandes vedetas dos portistas – e do lateral português Alberto Costa, contratado à Juventus, de Itália, bem como do jovem atacante espanhol Angel Alarcon, que tem atuado na equipa B dos dragões. Farioli rodou inteligentemente a equipa, pois na próxima segunda-feira o FC Porto defronta no Dragão o Estrela da Amadora para a Liga Portugal. Gomes esteve muito perto do terceiro golo numa das suas habituais deambulações da direita para o centro, para depois rematar, onde, mais uma vez, esteve Robin Olsen a encaixar com mestria, para a pintura ficar borrada – é o termo – no último minuto do encontro. Depois de um livre batido para área portista, Alberto Costa fez um corte atabalhoado, a bola foi ao poste e ressaltou em Francisco Moura, que acabou por introduzir a bola na sua própria baliza.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Foi importante ganhar, apesar de o resultado não ter alterado a nossa posição. A diferença de golos pode ser determinante e conceder um golo nos últimos minutos deixou-me frustrado. Durante os primeiros 10 minutos, estivemos a tentar perceber como é que o adversário ia abordar o jogo e, logo de seguida, tivemos três oportunidades para marcar. Estou feliz com a vitória, mas podíamos ter marcado mais.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

