
Está mais do que visto, aliás como temos repetido de forma clara nas últimas semanas, que o título de campeão da Liga Portugal será decidido no próximo sábado, dia 10 de maio, quando Benfica e Sporting se encontrarem no Estádio da Luz. O clássico eterno – assim são denominados os confrontos entre águias e leões – será o verdadeiro tira-teimas para se apurar se os encarnados conseguem o 39º título da Liga Portugal, ou se os verdes e brancos chegam ao bicampeonato, o que já não acontece há mais de 70 anos. Fora destas contas está o FC Porto, que deu um importante passo para segurar o 3º lugar, que dá acesso direto à Liga Europa, fruto do triunfo caseiro sobre o Moreirense (3-1), mas também à custa do empate a uma bola do SC Braga no seu próprio reduto com os açorianos do Santa Clara.
O Sporting teve em Alvalade um grande problema para resolver chamado Gil Vicente, que se adiantou no marcador aos 26 minutos através de uma grande penalidade. E só aos 81 minutos é que desfez a igualdade, para no tempo de descontos (90+3 minutos) desatar um nó que lhe permite continuar a pensar na revalidação do título. Os leões podem jogar com dois resultados – o empate com o Benfica deverá ser suficiente dado o triunfo sobre o seu rival na partida da primeira volta -, mas estes clássicos são sempre jogos de tripla, pois só teoricamente, pelo facto de atuar diante do seu público, poder-se-á falar em favoritismo do Benfica.
E foi a pensar nesse grande dérbi de Lisboa do próximo sábado que o técnico leonino Rui Borges entendeu mexer na equipa, não fazendo alinhar o capitão leonino Morten Hjulmand, por troca com o japonês Morita. Sabia-se que se visse um cartão amarelo ficaria “à bica” e chegaria ao quinto da época, o que a acontecer o impediria de defrontar o Benfica. Só que o médio dinamarquês é uma peça fundamental na manobra da equipa e o conjunto claudicou ao nunca conseguir articular o seu jogo. Falhou quase tudo, houve demasiados erros de construção e inúmeros passes falhados, disso se ressentindo o ataque, pois o jogo não fluiu como normalmente acontece com o capitão em campo. Acresce que o ataque também não esteve particularmente inspirado e Viktor Gyokeres, que tem marcado golos atrás de golos, nunca conseguiu levar o perigo à baliza adversária. O possante dianteiro sueco foi alvo de marcação individual movida pelo defesa belgo-angolano Jonathan Buatu, que o “secou” completamente como muito poucos já o fizeram.
Quando tudo parecia caminhar para um final inesperado e ingrato, e depois do técnico leonino Rui Borges ter lançado em simultâneo Hjulmand, Geovani Quenda e Conrad Harder, eis que os leões tiraram dois coelhos da cartola: aos 81 minutos Harder rematou à baliza, a bola ressaltou num jogador do Gil Vicente, aparecendo o lateral uruguaio Maxi Araujo a atirar sem deixar cair a bola no chão e a restabelecer o empate. A loucura total aconteceu em período de descontos (90+3 minutos) quando o jovem defesa Eduardo Quaresma arrancou o tento do triunfo com um espetacular remate de meia-distância na sequência da marcação de um canto.
Canarinhos quase atrapalhavam voo das águias
Também não foi nada fácil o triunfo do Benfica no terreno do Estoril (2-1), num jogo complicado e com duas partes distintas, para desespero Bruno Lage, que se irritou no banco com as incidências da partida. O treinador dos encarnados gesticulou muito com os seus jogadores, pois quando o Estoril apontou o seu golo (78 minutos), os encarnados ficaram expostos ao empate, o que só não aconteceu por mero acaso, depois de estarem a vencer por duas bolas a zero. Aliás, o resultado acaba até por ser lisonjeiro para a formação da Luz, pois os canarinhos falharam uma grande penalidade quando o resultado estava em 1-0. Ou melhor, o guardião ucraniano Anatoliy segurou o denunciado remate do atacante marroquino, como, de resto, segurou outros bem mais complicados, acabando por ser umas das grandes figuras da partida.

Assim, no próximo sábado poderá haver título no Estádio da Luz, que é o cenário que muitos apontam como mais provável. O Sporting ganha ou empate e é campeão ou então vence o Benfica e faz a festa, ainda que haja uma condicionante por via do confronto direto. Como o Benfica perdeu por 1-0 em Alvalade, fica obrigado a vencer por dois ou mais golos para que tal aconteça. Como tal, o dérbi lisboeta promete emoções fortes e prognósticos só mesmo no fim do jogo, com a certeza de que o vencedor do encontro dificilmente deixará escapar o título.
Dragões sem grande chama com direito a brinde
O FC Porto continua a não praticar o futebol de outros tempos e, bem longe das contas pelo título, pode ter sido bafejado pela sorte. Não com o triunfo sobre o Moreirense (3-1), que apesar de algo sofrido lá acabou por se justificar, mas porque o SC Braga perdeu pontos no seu terreno com o Santa Clara, deixando via aberta aos dragões para assegurar o terceiro lugar da Liga Portugal e que dá acesso direto à Liga Europa. Um verdadeiro brinde vindo do Minho quando faltam apenas duas jornadas para o fim do campeonato, sendo que os jogos dos azuis e brancos são, teoricamente, mais acessíveis do que os dos arsenalistas, que na última ronda da prova recebem o Benfica.
Carlos Anselmi, que substituiu Vítor Bruno no comando técnico dos portistas, apenas surpreendeu com a mudança de sistema ao passar a utilizar três centrais de raiz, do qual nunca abdicou. O FC Porto continua a desiludir e o técnico argentino, muito contestado, pouco ou nada fez de melhor do que o seu antecessor, ainda que tenha perdido jogadores fundamentais, como o brasileiro Wenderson Galeno ou o espanhol Toni Martinez. É verdade que emergiu um miúdo de apenas 17 anos de nome Rodrigo Mora, mas, mesmo tendo carregado a equipas às costas em alguns jogos, o conjunto não ajuda. E, convenhamos, falta qualidade ao plantel dos azuis e brancos.

Os portistas começaram mal o confronto no Estádio do Dragão com o Moreirense, sofrendo um golo após a meia-hora, mas o dianteiro espanhol Samu, de regresso à titularidade, lá voltou aos golos. Dois na segunda metade do encontro, depois do lateral Francisco Moura, ainda na primeira parte, ter empatado a contenda. A viver num completo deserto de ideias, o guardião Cláudio Ramos, que tem substituído o lesionado Diogo Costa, foi decisivo para evitar males maiores com um punhado de defesa de grande nível. Por enquanto, para lá de algumas notícias avulsas que vão surgindo, dando inclusivamente Anselmi fora do FC Porto na próxima temporada, o certo é que não há nada em concreto. Aguarda-se uma revolução no plantel, o que se justifica, mas os portistas, juntamente com o Benfica, vão disputar o Mundial de Clubes. A competição disputa-se no próximo mês de junho nos Estados Unidos, pelo que o atual plantel terá de medir forças com o Al Ahly (Egito), Inter Miami (USA) e Palmeiras (Brasil). Como tal, saídas e entradas terão o devido tratamento a seu tempo, mas o FC Porto está obrigado a investir bastante para poder voltar a lutar de igual para igual com os seus grandes rivais de Lisboa.
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

