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Arqueóloga Niède Guidon recebe o Prêmio Almirante Álvaro Alberto de 2024

O Prêmio, que visa reconhecer e incentivar pesquisadores e cientistas brasileiros, é concedido anualmente e tem caráter individual e indivisível

Cerimônia realizada no auditório da Escola Naval no Rio de Janeiro. (Foto: Foto: 3SG-ET Coronha/Marinha do Brasil)

A arqueóloga Niède Guidon foi agraciada com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto de 2024, considerado um dos mais importantes reconhecimento em Ciência e Tecnologia no Brasil, no dia 8 de maio, em cerimônia realizada no auditório da Escola Naval no Rio de Janeiro.

O evento contou com a presença do Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen; do Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria; do Secretário Executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luis Manuel Rebelo Fernandes; da Presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader; do Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão; além de outras personalidades da comunidade científica e de órgãos governamentais.

O Almirante de Esquadra Rabello explicou que o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o CNPq e a Marinha do Brasil para reconhecer e estimular pesquisadores e cientistas brasileiros que prestam relevante contribuição à ciência e à tecnologia do Brasil. “O Prêmio está em sua 36ª edição e destaca o papel de pesquisadores na produção científica e tecnológica brasileira. São pessoas como a professora Niède Guidon que colocam o Brasil em destaque no cenário científico nacional e internacional, gerando impactos relevantes para o desenvolvimento e progresso do Brasil”, disse o Diretor-Geral.

A arqueóloga Niède Guidon foi agraciada com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto de 2024, considerado um dos mais importantes reconhecimento em Ciência e Tecnologia no Brasil. Impossibilitada de comparecer ao evento, a vencedora designou a Dra. Márcia Chame para receber a honraria em seu nome. (Foto: 3SG-ET Coronha/Marinha do Brasil)

A premiação consiste em diploma e medalha concedidos pelo CNPq, MCTI e Marinha do Brasil, além da quantia de R$ 200 mil, ofertada pelo CNPq. A Marinha ofereceu, ainda, uma viagem a bordo de um Navio de Assistência Hospitalar na Amazônia e uma à Antártica, onde se desenvolvem pesquisas estratégicas de interesse do Brasil, apoiados pela Força Naval.

De acordo com a Presidente da ABC, Helena Nader, a vencedora do prêmio é uma mulher que sempre esteve à frente do seu tempo. “Niède tem um mérito que gostaria de salientar: ela poderia ter ficado só na produção científica. Só isso já bastaria, mas não para ela. Ela montou uma Fundação e criou o Parque Nacional da Serra da Capivara. E lutou contra muitos para manter aquela unidade de conservação. Para isso, ela envolvia a população local: filhos das famílias que moravam na área foram educados para entender o valor daquela conservação e, hoje, muitos deles trabalham na unidade. Niède é uma mulher muito, mas muito à frente dos seus tempos. Parabéns à Marinha do Brasil, parabéns ao MCTI e parabéns ao CNPq por terem indicado essa grande brasileira para a premiação”, ressaltou Nader.

Além da entrega do Prêmio, a solenidade contou com a diplomação dos novos membros titulares e correspondentes da ABC e a premiação dos contemplados do ano com a Menção Especial de Agradecimento e com o título de Pesquisador Emérito do CNPq.

O Presidente do CNPq, Ricardo Galvão, fez questão de ressaltar que o Almirante Álvaro Alberto é uma das personalidades mais importantes para a ciência brasileira e para o desenvolvimento da tecnologia de ponta no Brasil. “Pessoas como o Almirante Álvaro Alberto são aquelas que promovem uma mudança de paradigma em um país. Nós, cientistas brasileiros, devemos muito a ele. O CNPq, criado por ele, permitiu consolidar o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia ao longo de 73 anos. Por isso, o CNPq concede o seu prêmio de Ciência mais prestigioso com o nome de Almirante Álvaro Alberto”.

O Presidente do CNPq disse, ainda, que a cientista premiada deste ano “é uma historiadora que pesquisou muito e lutou, inclusive, contra preconceitos, mas foi uma brava cientista, com absoluta certeza, na qualidade do trabalho que realizava. Espero que o prêmio conquistado pela professora Niède Guidon sirva de exemplo para todos os cientistas brasileiros, especialmente para as mulheres, a fim de incentivá-las a se engajarem em uma ciência de ponta na qual o País é capaz de se destacar”.

O Prêmio, que visa reconhecer e incentivar pesquisadores e cientistas brasileiros, é concedido anualmente e tem caráter individual e indivisível. (Foto: Foto: 3SG-ET Coronha/Marinha do Brasil)

A Premiação
O Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia foi criado pelo Decreto nº 85.880, de 8 de abril de 1981, por ocasião das comemorações do aniversário de 30 anos do CNPq, e alterado pelo Decreto nº 92.348, de 29 de janeiro de 1986, quando passou a ser denominado Prêmio Almirante Álvaro Alberto para a Ciência e Tecnologia.

O Prêmio, que visa reconhecer e incentivar pesquisadores e cientistas brasileiros, é concedido anualmente e tem caráter individual e indivisível. Ele é atribuído aos pesquisadores que tenham se destacado pela realização de obra científica ou tecnológica de reconhecido valor para o progresso da sua área.

Niède Guidon

Arqueóloga Niède Guidon. (Foto: Marinha do Brasil)

Nascida no Estado de São Paulo, Niède Guidon foi a vencedora da 36ª edição do Prêmio Almirante Álvaro Alberto. Graduada em História Natural pela Universidade de São Paulo e com doutorado em Pré-História na Université Paris 1 Pantheon-Sorbonne, Guidon criou, em São Raimundo Nonato, no Piauí, a FUMDHAM, entidade que dirigiu até 2019. A fundação é responsável pela proteção do Parque Nacional Serra da Capivara, declarado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco.

Ao longo de sua carreira, a arqueóloga identificou mais de 700 sítios pré-históricos, sendo 426 paredes de pinturas antigas e outras evidências de habitações humanas na Serra da Capivara. Baseada em material arqueológico descoberto no local, Guidon defendeu a hipótese de que o Homo sapiens chegou à região há mais de 100 mil anos, vindo da África por via oceânica, contestando teses aceitas pela arqueologia tradicional que situam a chegada do homem às Américas há cerca de 13 mil anos, vindo da Ásia pelo estreito de Bering. Com base em seus estudos, Guidon gravou mais de 35 mil imagens, publicou mais de 100 artigos e formou número relevante de alunos de pós-graduação. O trabalho mundialmente conhecido e respeitado da arqueóloga tem sido premiado no Brasil e no exterior.

A também bolsista de Produtividade em Pesquisa Sênior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) disse ser uma honra ter sido contemplada com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto em 2024. Ela ressaltou que o Almirante foi um pesquisador dedicado que contribuiu significativamente para o desenvolvimento da pesquisa no Brasil, sendo fundamental para a criação do CNPq e o avanço em diversas áreas do conhecimento científico.

Niède Guidon expressou sua gratidão pela oportunidade e reiterou seu compromisso em continuar contribuindo para a ciência e a educação em nosso país. Para ela, este Prêmio não apenas reconhece sua trajetória, mas também serve como estímulo para futuros pesquisadores seguirem em suas carreiras. A intenção dela é aproveitar o reconhecimento para continuar promovendo pesquisa e incentivando a educação, inspirando, assim, novas gerações de cientistas. Como ela mesma replica: “Deixai toda a esperança, vós que entrais”, frase da Divina Comédia, de Dante Alighieri, presente na porta de sua casa, representando a importância da esperança como base do sucesso no trabalho científico.

 

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