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Ex-aluna de gastronomia abre café de sucesso em Pindamonhangaba

O estabelecimento funciona aos domingos e serve iguarias típicas da cozinha caipira; tudo é feito no local, dos queijos ao famoso feijão tropeiro. Os doces são uma atração à parte

Café da Marilsa oferece uma grande variedade de guloseimas. (Foto: Divulgação)

Ainda não são 11 horas da manhã e a fila para o feijão tropeiro já é longa no Café da Marilsa. Aberto aos domingos, das 8 horas ao meio-dia, o espaço criado pela ex-aluna do curso Técnico em Gastronomia da Escola Técnica Estadual (Etec) João Gomes de Araújo, em Pindamonhangaba, tem casa sempre cheia e uma variedade de pratos impossível de ser degustada em uma única visita.

A razão do sucesso, porém, não é a quantidade, mas o sabor e a capacidade que Marilsa Gregório de Lima Candido Pereira tem de fazer a clientela verter lágrimas ao voltar à infância. “A minha culinária é afetiva”, ela declara. “As pessoas choram porque se lembram do que comiam na casa da mãe e dos avós”.

Alguns pratos ficam horas ganhando sabor e textura no fogão a lenha, como os doces de abóbora, laranja, mamão e outras frutas. “Eles são preparados em tachos de cobre, que preservam o sabor”, conta Marilsa. “Gosto de cozinha raiz, caipira”, revela. E, nessa cozinha, um dos ingredientes que mais fazem a diferença é o tempo. A ambrosia, um dos quitute mais concorridos, leva cerca de nove horas no fogo. Daí um dos antigos nomes desse doce de leite tão singular: “espera-marido”, que hoje, por mais de um motivo, já nem faria sentido.

Café presidencial
As frutas usadas são as da estação e os queijos – frescal, meia cura, com ervas – são preparados por Marilsa, que cursou a Etec de Pindamonhangaba entre 2017 e 2018 e abriu o café há apenas três anos. “Eu amei o curso, fiquei muito orgulhosa quando representei a escola no Festival Tropeiro de 2018, servindo mais de 500 pratos”, diz. Na época, o feijão tropeiro já era parte da sua vida. Ela via o marido comer esse clássico da culinária paulista logo de manhã. Veio daí a ideia de servir o prato no café. E deu certo.

Em visita a Pindamonhangaba, sua cidade natal, o vice-presidente da República Geraldo Alckmin esteve na Etec, escola onde fez o ginásio antes que ela fosse incorporada ao Centro Paula Souza (CPS). Também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin falou a um auditório lotado de alunos e professores, degustou pratos produzidos pelos estudantes e, ao final, ganhou de Marilsa um café caipira.

Mesa farta, caipira e saborosa
Nem a própria Marilsa sabe ao certo quantos itens são colocados à disposição do cliente. Até acha graça quando perguntam. “Nunca contei”, ela diz, aos risos. Além de tudo o que foi listado aqui, tem também bolo de milho verde, canjica, biscoito de nata, sequilho, broa de pau-a-pique. O fubá suado, ao qual ela acrescenta bacon, e a orelha de padre, uma panquequinha originalmente feita apenas com trigo, leite (ou água) e sal, e ganha pedaços de queijo meia cura no seu Café, são dois desses manás que emocionam os frequentadores. “A orelha de padre tem nomes diferentes em cada região, e era uma forma de matar a fome quando havia pouca comida à mesa”, conta, deixando claro que seu café é também uma viagem à história da nossa culinária e um espaço de preservação do sabor e da memória.

Serviço
Café da Marilsa
– Estrada Municipal Capitão Avelino Alves Pereira, 10500, Bairro do Pinga – Pindamonhangaba – Tel. 12 99741-5895

Não é preciso fazer reserva, mas, quem preferir reservar uma mesa, basta pagar antecipadamente.

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