Ubatuba: Capacitação obrigatória em primeiros socorros é tema de aula inaugural

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“Vai Lucas: do luto à luta” foi o tema da palestra de inauguração do projeto “Samuzinho na Escola”, realizada na quarta-feira, 17, no Teatro Municipal de Ubatuba, resultado de uma parceria entre as secretarias de Educação e de Saúde. (Foto: Divulgação/PMU)

Durante a atividade, a advogada Alessandra Begalli explicou o processo de elaboração e aprovação da lei federal número 13.722, de 4 de outubro de 2018, que tornou obrigatória a capacitação em primeiros-socorros de funcionários de estabelecimentos de ensino ou de recreação infantil, para que consigam agir em situações emergenciais enquanto a assistência médica especializada não for proporcionada.

O texto da lei leva o nome de seu filho, Lucas Begalli, que morreu em setembro de 2017, em Campinas (SP), ao se engasgar com um lanche durante um passeio escolar.

“Na ocasião, nenhum dos oito adultos que acompanhavam as crianças no passeio soube o que fazer para evitar sequelas e também não lembravam o número do SAMU (192). Ligaram para o proprietário do espaço. Este acionou o SAMU, que deu orientações, mas como ele não estava junto com o Lucas, não pode executar as manobras recomendadas”, explicou a advogada. O SAMU chegou em 8 minutos após o contato mas já era tarde.

A parada cardiorrespiratória afetou o cérebro de Lucas que faleceu dias depois. Com o incentivo de sua irmã, Alessandra iniciou então uma campanha para que fosse instituída a capacitação obrigatória em primeiros-socorros no município de Campinas e, depois, em todo o Brasil.

Legislação federal

“Tive a oportunidade de participar como coautora dessa lei federal e agora estamos somando forças com a secretaria de Saúde para implementá-la em Ubatuba com auxílio da equipe do SAMU” destacou a secretária de Educação, Pollyana Gama. “Tudo isso é proteção, segurança para as crianças e para todos nós profissionais também! Toda essa situação me faz sempre pensar no como ficaram os profissionais que estavam com Lucas quando ele se engasgou? Como será que estão seguindo suas vidas? Queremos que nossos profissionais tenham a formação básica em primeiros socorros para que, num momento como esse vivenciado pelo Lucas, possam adotar os devidos procedimentos” acrescentou.

“Com esta atividade buscamos a integração entre a Saúde e a Educação, assim como proporcionar conhecimento com o objetivo de evitar fatalidades como a que atingiu esta mãe, que vem lutando para que outras mães não passem pelo mesmo sofrimento”, afirmou Dilei Brito do Nascimento, secretária de Saúde.

“Investir nas crianças, investir na Educação, na Saúde, na Segurança Pública é o que priorizamos. Quero parabenizar e agradecer a Alessandra e toda a equipe, isso nos encoraja. Este projeto investe em pessoas e isso é importantíssimo. Só quem passa por essa dor sabe o que significa”, ressaltou o prefeito Délcio Sato (PSD).

Preparação teórica e prática

A aula inaugural se encerrou com uma demonstração prática na qual uma equipe do SAMU explicou os procedimentos a realizar em situações de engasgamento.

Jussara Nascimento, chefe da Rede de Urgência e Emergência, informa que as capacitações de funcionários das escolas em primeiros-socorros terão carga horária total de oito horas, sendo quatro horas teóricas e quatro horas práticas. “Os profissionais sairão com certificado de capacitação em primeiros socorros e a escola também receberá certificado relatando que todos os profissionais da escola receberam a formação de acordo com a Lei Lucas”, acrescenta.