Empresa de energia de MT é selecionada por projeto da União Europeia

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João Teclis, Luciano Camilot e Gianfranco Scarabottolo são os diretores da E4 Engenharia e E4 Service de Cuiabá. Eles posam junto a um painel fotovoltaico importado. (Foto: Divulgação/SEBRAE)

O estabelecimento da economia de baixo carbono é um dos maiores desafios globais do século 21. A relação entre as emissões de gases do efeito estufa (GEE) e o aumento da temperatura da Terra, comprovada cientificamente, está provocando uma corrida em busca de tecnologias limpas e inovadoras para reduzir os impactos das mudanças climáticas, que atingem as pessoas, o meio ambiente, as atividades humanas e os negócios. A adoção de fontes limpas e renováveis de energia é fundamental para a sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável.

A União Europeia (UE) lidera a transição para a economia de baixo carbono (ou economia descarbonizada) e é responsável por uma iniciativa pioneira, visando aproximar empresas brasileiras e europeias que trabalham para reduzir as consequências das mudanças climáticas.

No ano passado, o projeto Low Carbon Business Brazil, financiado pela UE e que representa empresas de 28 países-membros, obteve a inscrição de 500 notas conceituais de pequenas e médias empresas brasileiras. Oitenta delas foram aprovadas, gerando projetos que estão sendo apoiados com parcerias e financiamento da UE.

A E4 Engenharia e Consultoria, empresa cuiabana com 8 anos de mercado, especializada em eficiência energética e energia solar fotovoltaica, inscreveu quatro projetos, voltados para o agronegócio no processo seletivo. Eles estão entre os 80 projetos aprovados no país. Esta empresa foi a única de Mato Grosso e uma das duas da Região Centro-Oeste a integrar a iniciativa europeia.

Rotação de culturas no agronegócio

Os engenheiros eletricistas Gianfranco Scarabottolo, Luciano Camilot e João Teclis são os diretores da E4. A GND Brasil, empresa brasileira com sede em São Paulo especializada em irrigação e rotação de culturas, se tornou parceira dos projetos do empreendimento cuiabano.

“Nossos projetos foram bem-aceitos na Europa. Dois projetos-pilotos serão realizados na produção de arroz em áreas altas não alagadas no RS, e outros dois na produção de arroz sequeiro em MT”, informa Gianfranco.

Ele explica que plantações de arroz em áreas alagadas emitem gás metano, devido a decomposição de matéria orgânica e estudos recentes indicam índice de arsênio acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Já o arroz sequeiro, plantado em áreas altas, não apresenta trais índices. O continente europeu importa arroz de países asiáticos e se preocupa com a intoxicação dos alimentos por arsênio.

Os quatro projetos da E4 são voltados para o uso de pivô na rotação das culturas de soja, milho e algodão, intermediadas pela de arroz, que gera redução de pragas e aumenta a produção de 7 a 10 sacas/ha de soja e milho. Ele salienta que o produtor sai ganhando produtividade e ainda reduz o uso de agrotóxico.

No entanto, é necessário que estes pivôs trabalhem com uma alternativa mais barata de energia para que não onerem a produção. As soluções da empresa cuiabana vão viabilizar eficiência energética e energia solar fotovoltaica aos projetos-piloto no RS e MT.

O início

A história da E4 começa quando Gianfranco e Luciano, já atuantes como engenheiros eletricistas, finalizavam o MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os dois jovens trabalhavam desenvolvendo projetos, como funcionários de empresas do setor de tecnologia em refrigeração e logística. Depois de participar do curso Empretec no Sebrae MT, Gian, como é chamado, se sentiu desafiado a empreender como engenheiro eletricista. Convocou Luciano para a empreitada.

Sustentabilidade e eficiência energética eram assuntos que os dois gostavam. Foram ao Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS) em busca de conhecimento de mercado. Assim começaram a participar de reuniões com a equipe e eventos do Centro, que tinha como meta reduzir 10% do consumo de energia naquele ano (2011). Acabaram sendo contratados como consultores e fundaram a E4 Engenharia e Consultoria, no mesmo ano.

“Com a colaboração da equipe do Centro, conseguimos ultrapassar a meta em seis meses, com redução de 10,6% de consumo”, conta Gian. O bom resultado levou o Sebrae MT a ampliar a meta para todas as agências de MT e do Centro de Eventos do Pantanal. A E4 se tornou fornecedora de soluções de eficiência energética da instituição, repetindo bons resultados.

O projeto do Sebrae MT foi apresentado no Congresso de Eficiência Energética Qualiesco 2014, em São Paulo (SP), que foi selecionado e reconhecido como destaque do evento. Ele mostra a placa orgulhoso. “Precisávamos disso para que o mercado acreditasse em nosso potencial”, comenta.

Farmácia pioneira

No mesmo ano, a Farmácia Biológica de Cuiabá contratou a E4 para avaliar o projeto de sua rede elétrica. Gian e Luciano inseriram princípios da arquitetura bioclimática, climatização e outras soluções no projeto. Na simulação do projeto conseguiram atingir eficiência com a redução de 37% no consumo de energia.

Em seguida, Célio Fernandes, proprietário da Farmácia Biológica, quis consultoria da E4 para avaliar projetos para microusina de energia solar da empresa. “Verificamos todas as propostas de projetos que vieram de empresas de fora, pois Cuiabá ainda não tinha referência em energia solar”, conta Gian. O projeto de uma empresa de Brasília foi contratado para implantar a micro usina de 34 kWp, inaugurada em junho de 2015.

Esta microusina se tornou a primeira de maior porte de Cuiabá e também destacou a Biológica como a primeira farmácia de manipulação do Brasil a trabalhar com energia solar fotovoltaica. A experiência foi tão boa, que a empresa fornecedora brasiliense ofereceu à E4 se tornar sua representante em MT. Os dois sócios aceitaram a proposta e acrescentaram a energia solar como outro foco da empresa.

Descoberta

“Vimos que havia um mercado paralelo à eficiência energética”, diz Gian. “ Eficiência energética antes, e energia solar depois. Primeiro você fecha as torneiras, que estão vazando, para depois colocar a energia solar. Assim se reduz, inclusive, o investimento na implantação da tecnologia solar”, resume.

Outra informação importante: se as condições da rede elétrica são boas, não é necessário refazer as instalações elétrica, antes de investir no sistema fotovoltaico, acrescenta.

Conhecimento e serviços

Desde 2014, Gian e Luciano investiram em mais de 15 cursos e capacitações, algumas do Sebrae outras fora de MT, para se habilitarem para o mercado de energias renováveis.

Atualmente a E4 está executando 17 projetos de energia solar fotovoltaica em MT, que equivalem a 380 kWp, e há 47 projetos em andamento, que juntos totalizam 1,7MWp – desses 20 são do PLUZ- Programa de Financiamento de Energia Solar para Pequenos Negócios do Sebrae MT em parceria com a WEG, Banco do Brasil, Sicredi e Unicredi.

A clientela da empresa é composta por residências, empresas, indústrias e fazendas. No momento, um grande projeto está sendo desenvolvido para miniusina de 5 MWp em Várzea Grande (MT).

E4 Service e nova sede

João Teclis se tornou o terceiro sócio da E4 em 2018. A E4 Service foi criada, há sete meses, para instalar e prestar serviços de manutenção de projetos residenciais, comerciais e industriais de eficiência energética e dos sistemas fotovoltaicos. João está no comando da segunda empresa.

Os dois empreendimentos precisaram de mais espaço e, nos últimos nove meses, passaram a ocupar um galpão com escritórios com 600 m² no Distrito Industrial de Cuiabá. Hoje, a E4 conta com equipe de 14 colaboradores, sendo três estagiários de engenharia elétrica e um de produção e um engenheiro eletricista contratado. Dois estagiários acabam de ser efetivados, informa João.

Expansão, aventureiros e riscos

A energia solar já vingou no Brasil, apesar dos 30 anos de atraso em relação aos países desenvolvidos, que já assimilaram fontes limpas e renováveis, segundo os três engenheiros eletricistas. Nos próximos dez anos, os painéis fotovoltaicos estarão presentes na maioria dos telhados de casas, empresas, indústrias, fazendas e instituições em todas as Regiões Brasileiras, segundo eles.

“Ainda estamos vivendo o boom da descoberta energia solar, que deve durar mais uns dois anos”, prevê Luciano. “Depois desse período, vai se estabilizar e naturalmente as pessoas vão compreender a importância das fontes de energia renovável, inclusive para aderir a outras alternativas”, complementa.

Luciano afirma que a grande preocupação da E4 é com a qualidade do que está sendo entregue ao mercado. No momento, há aventureiros ingressando no segmento de energia solar sem qualificação técnica adequada, semelhante ao que ocorreu quando surgiu a alternativa do gás como combustível de automóveis.

“Há projetos irregulares sendo implantados. Já vimos painéis fotovoltaicos instalados na sombra, uso de materiais inferiores, entre outros”, relata. Em um projeto mal-dimensionado pode ocorrer acidentes, incêndios e curtos-circuitos na implantação da tecnologia solar. “Acreditamos que o próprio mercado vai regular isso, excluindo as empresas não capacitadas”, prevê Luciano.

Para os três sócios, o conceito e a importância ambiental e financeira da energia solar fotovoltaica já foram compreendidos e assimilados no país. Empresas sérias com competência técnica serão reconhecidas e permanecerão no mercado como sempre acontece. “Buscamos nos inovar sempre para permanecermos atualizados no mercado”, conclui Luciano. (www.e4.com.br )