Pianista Arnaldo Cohen e Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresentam no Theatro Municipal do Rio

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(Foto: Divulgação/Netum Lima)

Uma dupla comemoração reúne a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e o pianista Arnaldo Cohen em dezembro, no Rio de Janeiro. Para celebrar os 70 anos de um dos maiores artistas brasileiros e os dez anos da Filarmônica, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro irá recebê-los em um concerto no dia 8 dezembro, às 19h30.

No programa estão “Concerto para piano nº 3 em dó menor, op. 37”, de Beethoven; a obra “Fausto: Música de balé”, em homenagem aos 200 anos do compositor francês Charles Gounod, e a reestreia nos palcos cariocas, 66 anos depois, da peça “Quadros de uma Exposição”, de Mussorgsky, com orquestração de Francisco Mignone. A regência é do maestro Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular da Filarmônica de Minas Gerais. Os ingressos já estão à venda pelo site da Filarmônica ou na bilheteria do Municipal.

Este concerto é apresentado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais e BNDES.

A Filarmônica de Minas Gerais se apresentou no Rio de Janeiro em 2015, na Cidade das Artes. Antes, a orquestra havia tocado na Sala Cecília Meirelles (2009, Rio Folle Journée, com Arnaldo Cohen) e no Theatro Municipal, em quatro ocasiões: em 2011, com o pianista francês Pascal Rogé; em agosto de 2012, com o pianista norte-americano Leon Fleisher; e em novembro de 2012, no Festival Villa-Lobos, com a pianista brasileira Sonia Rubinsky.

A Filarmônica de Minas Gerais está entre as melhores do país, sendo reconhecida nacional e internacionalmente. Para seu diretor artístico e regente titular, Fabio Mechetti, voltar ao Rio e ainda dividir o palco com Cohen é motivo de grande satisfação.

“É sempre uma honra voltarmos ao Rio de Janeiro e ainda mais com um programa tão especial. O repertório apresentado na cidade é a combinação de dois programas realizados nas séries de assinaturas da Filarmônica. O Concerto de Beethoven foi escolhido para comemorar os 70 anos do grande pianista carioca Arnaldo Cohen. Já Gounod faz parte das comemorações dos 200 anos de nascimento do compositor, com a execução da música de balé de sua ópera mais famosa. E os ‘Quadros de uma Exposição’, na orquestração de Francisco Mignone, um dos nomes mais importantes da música brasileira, cuja versão revisada tive o prazer de dirigir junto à Osesp e agora trazemos ao Rio de Janeiro”, ressalta o maestro Fabio Mechetti.

Arnaldo Cohen fala do significado deste concerto em sua carreira: “após 70 anos, fico feliz por celebrar a vida através da música e em companhia da Filarmônica de Minas Gerais, uma ‘orquestra-milagre’ dos tempos modernos, e do seu maestro Fabio Mechetti. Além de amigo e músico de primeira grandeza, Mechetti é sem dúvida um dos ‘santos-responsáveis’ por esse milagre. Feliz também por ter a oportunidade de rever o meu público, que me acarinhou durante uma vida, e de me proporcionar essa festa musical na minha cidade, o Rio de Janeiro. No repertório, o Concerto nº 3 de Beethoven, peça que toquei na prova final do Concurso Busoni, na Itália, e que me abriu as portas de um novo futuro. Obrigado pelo presente, Filarmônica de Minas!”

O repertório

Escrito entre 1799 e 1803, o “Concerto para piano nº 3” de Beethoven foi estreado em Viena no dia 5 de abril de 1803, tendo o próprio compositor como solista. É uma das poucas obras da primeira fase do gênio de Bonn – os anos de juventude – a ter aceitação ampla por parte tanto dos músicos como do grande público. Provavelmente não apenas pela beleza evidente de seus temas, mas também pelo fato de ser uma peça-chave em seu repertório, que serve como referência para a compreensão de todo seu legado. O Concerto nº 3, único escrito em modo menor, deixa para trás o estilo mozartiano até então adotado por Beethoven, ao mesmo tempo em que aponta para os novos horizontes que seriam ainda conquistados.

A estreia da ópera “Fausto” de Gounod se deu em 1859, no Teatro Lírico de Paris, sendo um enorme sucesso de bilheteria, na França e em outros países. Em 1869, quando reestreou a obra na Ópera de Paris, Gounod compôs o famoso balé para respeitar uma tradição daquela casa – toda ópera deveria ser entrecortada por um balé, exigência atendida também por Wagner e Verdi. Composto por sete danças, “Fausto: Música de balé” situa-se no início do quinto ato da ópera. Logo se tornou uma peça autônoma, estando entre as mais executadas no repertório sinfônico.

“Quadros de uma Exposição” foi composta por Mussorgsky para seu amigo Victor Hartmann, pintor talentoso morto em 1873, aos 39 anos. No ano seguinte, a Associação dos Arquitetos de São Petersburgo realizou uma exposição com obras do pintor, visitada por Mussorgsky inúmeras vezes.

Mussorgsky compôs uma suíte para piano estruturada em dez quadros inspirados nos desenhos, croquis e pinturas de Hartmann e cinco caminhadas (Promenade) que indicam o próprio compositor caminhando pela exposição. Publicada após a morte de Mussorgsky, a obra alcançou um sucesso estrondoso no mundo inteiro, e inúmeros compositores se empenharam em orquestrá-la. Um deles foi o brasileiro Francisco Mignone, mas pouco se sabe sobre essa belíssima orquestração, encontrada por sua viúva, a pianista Maria Josephina Mignone, após a morte do marido, em 1986.

Acredita-se que tenha sido realizada no final da década de 1940, já que nos manuscritos das partes cavadas, atualmente na Biblioteca Nacional, verifica-se que ela foi executada em março de 1952 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, assim como em 1953 no Sodre (Servicio Oficial de Difusión Radio Eléctrica), de Montevidéu, e em 1954, nas comemorações do quarto centenário da cidade de São Paulo.

A orquestração de Mignone para “Quadros de uma Exposição” é especial, extremamente fiel às indicações originais de Mussorgsky e das poucas que contempla a suíte completa.

Regente Fabio Mechetti

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia.

Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio.

Sua estreia se deu no Carnegie Hall conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey; como regente do repertório lírico, estreou com a Ópera de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia, Costa Rica, Dinamarca e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School de Nova York.

Arnaldo Cohen

Graduado com grau máximo em piano e violino pela Escola de Música da UFRJ, Arnaldo Cohen conquistou por unanimidade o 1º Prêmio no Concurso Internacional Busoni, na Itália.

No Brasil, estudou com Jacques Klein e, em Viena, com Bruno Seidlhofer e Dieter Weber. Em sua carreira Arnaldo Cohen apresentou-se em mais de quatro mil concertos como solista das mais importantes orquestras do mundo. Após mais de 20 anos em Londres, onde lecionou na Royal Academy of Music e no Royal Northern College of Music, transferiu-se para os Estados Unidos em 2004, tornando-se o primeiro brasileiro a assumir uma cátedra vitalícia na Escola de Música da Universidade de Indiana.

Além de recitalista e concertista, transita também pelos domínios da música de câmara, tendo integrado durante cinco anos o prestigiado Trio Amadeus. Conhecido por sua técnica clara e exemplar, interpretação equilibrada e imaginativa, Cohen também gravou discos premiados e muito bem recebidos pela crítica, de compositores como Liszt, Brahms, Rachmaninov e uma abrangente coletânea de música brasileira para o selo sueco BIS.

Sobre a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Criada em 2008, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais tornou-se um dos mais bem-sucedidos programas continuados no campo da música erudita, tanto em Minas Gerais como no Brasil. Sob a direção artística e regência titular do maestro Fabio Mechetti, a Orquestra é atualmente formada por 90 músicos provenientes de todo o Brasil, Europa, Ásia, Américas Central e do Norte e Oceania, selecionados por um rigoroso processo de audição.

Reconhecida com prêmios culturais e de desenvolvimento econômico, desde sua criação e até o final de 2018 a Orquestra conta com 800 concertos, com a execução de 1000 obras para um milhão de pessoas, sendo que 43% do público pôde assistir às apresentações gratuitamente. O impacto desse projeto artístico durante os anos, não só no meio cultural, mas também no comércio e na prestação de serviços, gerou 65 mil oportunidades de trabalho direto e indireto.

O corpo artístico Orquestra Filarmônica de Minas Gerais é oriundo de política pública formulada pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Com a finalidade de criar a nova orquestra para o Estado, o Governo optou pela execução dessa política por meio de parceria com o Instituto Cultural Filarmônica, uma entidade privada sem fins lucrativos qualificada com os títulos de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e de Organização Social (OS). Tal escolha objetivou um modelo de gestão flexível e dinâmico, baseado no acompanhamento e avaliação de resultados.

Serviço:

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
Fabio Mechetti, regente
Arnaldo Cohen, piano

Dia: 8 de dezembro, às 19h30m
Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Programa:
BEETHOVEN Concerto para piano nº 3 em dó menor, op. 37
GOUNOD Fausto: Música de balé
MUSSORGSKY/Mignone Quadros de uma exposição

Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Marechal Floriano s/nº, Centro
Informações do Theatro: (21) 2332-9191/ 2332-9005, a partir das 10h.
Bilheteria: 2332-9005 / 2332-9191
Classificação livre

Preços:
Frisas e camarote – R$ 96,00 inteira/R$ 48,00 meia
Plateia – R$ 96,00 inteira /R$ 48,00 meia
Balcão nobre – R$ 96,00 inteira /R$ 48,00 meia
Balcão Superior Central- R$ 50,00 inteira / R$ 25,00 meia
Balcão Superior Lateral – R$ 50,00 inteira / R$ 25,00 meia
Galeria Central – R$ 20,00 / R$ 10,00 meia
Galeria Lateral – R$ 20,00 / R$ 10,00 meia

Acesso para cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção na entrada lateral do Theatro na Avenida Rio Branco. Há serviço de valet gratuito. Estacionamento pago.
Compras de ingressos também no site http://filarmonica.art.br/concertos/agenda-de-concertos/filarmonica-no-theatro-municipal-do-rio-de-janeiro/