Navio de Apoio Oceanográfico da Marinha do Brasil parte rumo à Antártida

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NApOc “Ary Rongel” parte rumo à Antártica. (Foto: Marinha do Brasil)

A Marinha do Brasil, em continuidade às ações que visam a dar suporte ao Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), enviou ao Continente Antártico, no dia 27 de outubro, o Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) “Ary Rongel”, iniciando a trigésima sétima Operação Antártica (OPERANTAR XXXVII). O Navio desatracará do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, às 10h e fará sua primeira escala, antes de chegar à Antártica, na cidade de Rio Grande-RS.

Sob o comando do Capitão de Mar e Guerra Antonio Braz de Souza, o “Ary Rongel” fará a sua vigésima quinta viagem aos mares austrais. Nessa longa comissão, com o regresso ao Rio de Janeiro previsto para abril de 2019, o “Gigante Vermelho ‘’ terá como principais tarefas realizar o apoio logístico aos Módulos Antárticos Emergenciais (MAE), atuar na reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), executar os trabalhos de campo a serem desenvolvidos nos refúgios e acampamentos previstos, além de servir como plataforma para a realização de pesquisas, efetuando lançamentos e recolhimentos de pesquisadores. Para prestar tais suportes, o Navio utilizará os seus botes orgânicos, um Destacamento de Mergulhadores e ainda terá à disposição um Destacamento Aéreo Embarcado (DAE), com dois helicópteros do tipo Esquilo, Bi-Turbina.

O porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, será a primeira escala do “Ary Rongel”. No local, será concluído o embarque do material destinado ao reabastecimento dos MAE e serão fornecidas as vestimentas antárticas para os tripulantes e pesquisadores embarcados. Também estão programadas visitas aos portos de Punta Arenas, no Chile, e de Montevidéu, no Uruguai.

As atividades científicas envolverão pesquisadores de diversas instituições de ensino e pesquisa do País, que desenvolverão seus projetos utilizando como base, além do próprio Navio, os acampamentos estabelecidos na região.

Rio de Janeiro – Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel parte rumo à Antártica para realizar apoio aos Módulos Antárticos Emergenciais (MAE). (Tomaz Silva/Agência Brasil)

É importante destacar que todo esse trabalho é executado em consonância com o caráter pacífico e ambientalmente responsável que sempre marcou a presença do Brasil na Antártica.

O Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” é o antigo M/V POLAR QUEEN, pertencente à firma norueguesa Rieber Shipping e utilizado, desde a sua construção, em 1981, em expedições no Mar do Norte, no Ártico e na Antártica.

Sua aquisição teve como finalidade a substituição do NapOc BARÃO DE TEFFÉ, incorporado à Marinha do Brasil em 1982 e que já operava nessas regiões desde 1957, contribuindo assim para o prosseguimento ao Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), realizando atividades de apoio logístico e pesquisas hidroceanográficas.
O Gigante Vermelho foi incorporado à marinha do Brasil em 25 de abril de 1994, dando início a uma nova fase do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).

Este Navio foi projetado para a operação em regiões polares e possui a capacidade de navegar campos de gelo fragmentado.

Eis aqui algumas datas de eventos importantes no histórico do Navio:
24/03/94 – Chegada ao Brasil, vindo da África do Sul, após o término do reabastecimento da Estação Antártica Alemã.

25/04/94 – Incorporação à MB, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, com cerimônia presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada.

03/11/94 a 04/04/95 – Primeira comissão, em região Antártica, sob bandeira brasileira – Operação Antártica XIII.
O Brasil foi admitido ao Conselho Consultivo em setembro de 1983. A presença brasileira na Antártica é hoje marcada pelas atividades de pesquisa científica desenvolvidas na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), nos refúgios (Astrônomo Crulls – Ilha Nelson e Emilio Goeldi – Ilha Elefante), e em acampamentos. Para manter essa estrutura, o apoio logístico do ARY RONGEL, bem como da Força Aérea Brasileira, por meio de voos de apoio em aviões Hércules, são fundamentais.

A execução do Programa Antártico Brasileiro é responsabilidade da CIRM (Comissão Interministerial para Recursos do Mar), órgão colegiado presidido pelo Comandante da Marinha e cuja secretaria (SECIRM) é responsável pelo planejamento das Operações Antárticas e pela coordenação dos diversos elementos (navios, aeronaves, estação e refúgios) que nelas estão envolvidas.

Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel parte rumo à Antártica para realizar apoio aos Módulos Antárticos Emergenciais (MAE). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Quem foi Ary Rongel?

Aspirante de 1914, o Almirante Rongel participou como Segundo-Tenente da 1ª Guerra Mundial nos Contratorpedeiros MATO GROSSO e SERGIPE, empregados na vigilância e patrulhamento do nosso litoral.
Especializou-se em Armamento, mas graças aos conhecimentos e experiências adquiridos autodidaticamente, foi considerado Hidrógrafo em 1929 e designado instrutor do primeiro Curso de Especialização de Navegação e Hidrografia, inaugurado em 1934. A ele se devem várias publicações nos campos da Astronomia Náutica, Magnetismo, Marés e Oceanografia.

Entre outras comissões hidrográficas, comandou o Navio Hidrográfico RIO BRANCO no levantamento do litoral sul, entre São Sebastião e Bom Abrigo. Por ocasião da 2ª Guerra Mundial, comandou o Contratorpedeiro GREENHALG, então empregado na proteção de comboios no Litoral Nordeste.

Enquadrava-se, assim, o Almirante Rongel no modelo traçado pelo Almirante TEFFÉ. Primeiro Diretor da Repartição Hidrográfica:
“… Hidrógrafo em tempo de paz, mas em tempo de guerra, reivindico os meus foros de Oficial combatente…”
O Almirante RONGEL chegou à chefia do Estado-Maior da Armada, onde permaneceu até a passagem para a Reserva, contando 48 anos de destacados serviços à Hidrografia, à Marinha do Brasil.

Características Principais:
– Deslocamento : 1.786t (dwt), 3.628t (grt).
– Dimensões: 75,20m de comprimento, 13,00m de boca e 6,20m de calado.
– Propulsão: diesel; 2 motores diesel de 6 cilindros Krupp-Mak 6M453AK, gerando 4.500 hp e acoplados a 1 eixo com hélice de 4 pás com passo controlável. Equipado com 2 bow e 1 stern thrusters.
– Facilidade de manobra – possui um leme acionado hidraulicamente. O piloto automático, associado aos thrusters e ao joystic, permitem ao Navio permanecer num rumo constante ou aproado a uma determinada direção.
– Combustível – 1.038.000 litros.
– Eletricidade – 1 gerador de 1.320 kW, 2 de 200kW e 1 de 60 kW.
– Velocidade: máxima de 14,5 nós.
– Raio de ação: 22.872 milhas náuticas a 11 nós e 98 dias de autonomia.
– Equipamentos: possui uma porta de carga lateral, no porão superior, a bombordo, medindo 3,5 x 3m; dois guindastes, um com capacidade dpara 3,2 toneladas e outro para 800kg, um pau de carga com capacidade para 19 toneladas, um guincho oceanográfico. Tem capacidade de carga de 1.254m3 em dois porões.
– Aeronaves: 2 helicópteros Helibras UH-13 Esquilo.
– Código Internacional de Chamadas: PWAR
– Tripulação: 104 militares, sendo 27 oficiais e 77 praças. Possui acomodações para mais de 27 pessoas, dentre pesquisadores, coordenadores da SECIRM, oficiais de intercâmbio de marinhas amigas, órgãos de apoio e mídia.
Equipamentos Científicos:
– Ecobatímetro de Navegação Furuno FE-700;
– Ecobatímetro Hidrográfico EA-600;
– Guincho Central Karm (Subdividido em dois sistemas: o oceanográfico e o geológico);
– Guincho Lateral ENQUIP;
– Termossalinógrafo;
– Lançador de XBT;
– Estação Meteorológica MAWS410; e
– Ultrafreezer COLDLAB.

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