Hilda Hilst é homenageada na Flip em evento no centro histórico de Paraty

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Exposição em homenagem a Hilda Hist (Divulgação/Itaú Cultural)

A Praça da Matriz, coração do centro histórico, ficou lotada na noite da quarta-feira (25) para acompanhar a abertura da 16ª Festa Literária Internacional de Paraty. Enquanto a parte do público que comprou ingressos ocupou todos os lugares do auditório armado na praça, uma multidão chegou cedo para garantir lugar em frente ao telão montado do lado de fora.

O clima para quem não conseguiu lugar sentado embaixo da tenda do telão não foi dos melhores. Uma chuva fina acompanhada de vento frio fez o público se concentrar o máximo possível enquanto aguardava a chegada da atriz Fernanda Montenegro e da pianista Jocy Oliveira ao palco principal da festa literária. Quando a abertura teve início, a chuva apertou.

As duas artistas fizeram um tributo a Hilda Hilst, autora paulista que é a homenageada do evento neste ano e é da mesma geração de ambas. A abertura foi dividida em dois atos, e Fernanda Montenegro foi a primeira a se apresentar, com a leitura de textos da autora.

Além do telão montado no Centro Histórico de Paraty, as mesas da festa neste ano serão transmitidas via internet. Os debates serão exibidos ao vivo pelo canal da Flip no YouTube, onde também é possível conferir na íntegra as mesas de edições passadas da festa.

O diretor cultural da Flip, Mauto Munhoz, discursou na abertura do evento e comparou a trajetória de Hilda Hilst à da própria cidade de Paraty, que demorou anos a ter seu reconhecimento e ser inserida no cenário cultural do país.

“Trazer a obra de Hilda para Paraty é reconhecer duplamente que mais do que preservar a memória é preciso manter sempre viva”.

A curadora da Flip, Joselia Aguiar, voltou a destacar que a edição que homenageia Hilda Hilst acompanha seu intimismo. Apesar de reconhecer que talvez seja excêntrico, ela traçou uma comparação entre Lima Barreto, homenageado do ano passado, e a autora destaque deste ano.

“Os dois têm em comum a entrega total ao ofício de escritor, em um país com tão poucos leitores”, defendeu, que apontou que Lima Barreto enfrentou diretamente as questões sociais de seu tempo, como um autor negro no início do século 20, e Hilda, autora mulher, ousou abordar temáticas como o erotismo.

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