Lado obscuro da indústria da moda é debatido no Fashion Revolution em Pindamonhangaba

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Água poluída sendo jogada nos rios da Índia. (Foto: reprodução/The True Cost)

A indústria da moda é a segunda que mais polui mundo, só perdendo para as petrolíferas, de acordo com o documentário “The True Cost”, exibido para um seleto público na noite da terça-feira (24), no Âme Café Nutricoach, na abertura das atividades do Fashion Revolution, em Pindamonhangaba (SP).

O Fashion Revolution é um movimento global criado depois que o Rana Plaza, um prédio de três andares localizado em Daca, capital de Bangladesh, desabou em 24 de abril de 2013, deixando mais de mil mortos e 2,5 mil feridos. No local trabalhavam cerca de 3 mil pessoas, a maioria funcionários de fábricas têxteis que produzia roupas para grandes marcas internacionais. O triste acidente chamou a atenção do mundo para o lado obscuro da moda, mas é apenas a ponta do iceberg revelado pelo longa “The True Cost” [1h32min], dirigido por Andrew Morgan, lançado em 2015, na França, chegando ao Brasil em 29 de maio daquele ano.

Desabamento do Rana matou mais de mil pessoas. (Foto: reprodução/The True Cost)

O documentário faz duras críticas às grandes marcas, ao consumismo e ao olhar pouco interessado de governos e empresários em mudar a vida de milhares de pessoas que vivem em situações análogas à escravidão, costurando, cultivando algodão e tratando couro. São os empregados das Fábricas de Suor, termo recorrente no meio. São eles os responsáveis por satisfazer/suprir a Moda Rápida [fast fashion].

Fast Fashion e o consumismo: preços cada vez mais baratos! (Foto: reprodução/The True Cost)

Inúmeras são as situações mostradas no decorrer do documentário. Mães que não conseguem cuidar de seus filhos, pois a carga de trabalho é intensa e não há com quem deixar os pequenos. A situação é levá-las para que avós ou outros parentes cuidem delas. “Eu não quero que ninguém use nada que seja produzido com nosso sangue. Queremos melhores condições de trabalho”, diz uma destas mães, ao largar a filha com os avós para voltar ao trabalho em Daca, onde muitas pessoas já morreram trabalhando neste segmento.

Pesticida sendo aplicado na Índia. (Foto: reprodução/The True Cost)

O emprego de pesticidas em plantações de algodão transgênico mostra que ano longo dos anos, aquilo vem atingindo a população da região, que passou a sofrer com um número exagerado de doenças graves, como câncer, a ainda sofrendo outras sequelas.

Em Kanpur, na Índia, uma grande quantidade de crômio [cromo] são despejadas nas águas todos os dias, deixando tudo contaminado, desde a água até o próprio solo. Resultado: inúmeras doenças atingem aquela população que vive basicamente da produção de couro para calçados de grandes marcas.

Inúmeras outras situações são mostradas ao longo do documentário, como manifestos em prol de um salário de 160 dólares, reprimidos duramente pela polícia no Camboja, com mortes, inclusive.

Existe alternativas para uma melhora nisso tudo? Sim, existe, mas demanda interesses e principalmente, humanidade. No próprio documentário há um modelo muito interessante de uma empresa que ajuda pessoas com condições mais dignas e proporcionando uma melhor qualidade de vida para o povoado onde eles estão inseridos.

Manifestação por melhores salários. (Foto: reprodução/The True Cost)

Diante de tanta coisa que é mostrada, você se questiona em vários aspectos. Será? É possível? Dá para acreditar nisso! Mas, se analisarmos pequenos detalhes ao nosso redor, é possível imaginar que algo não está certo. Uma camiseta por R$ 4,99? Bom preço, mas quem fez? De onde veio? Quanto quem fabricou ganhou?

É claro e óbvio que quem está na base – a mão de obra barata – precisa do trabalho e óbvio que isso gira a economia mundial. O que estamos falando é de dignidade, de pagar salários para que estes trabalhadores possam trabalhar, viver e manter suas famílias. É preciso mudar a fórmula!

Em um dos únicos depoimentos de uma grande marca presente no documentário, a porta-voz diz que se sente confortável, pois as pessoas estão lá trabalhando e ganhando e que isso seria muito melhor do que estar numa mina de carvão.

O documentário mostra um mundo obscuro e de muita ganância por dinheiro, além de um consumismo exacerbado que faz com que tudo isso não pare. Nada, nada do ponto de vista humano é levado em conta. Pessoas estão morrendo, dando a sua vida para confeccionar a roupa que usamos, o nosso sapato, e o Meio Ambiente está sendo destruído junto com estas vidas. A poluição não para!

São imagens impactantes e depoimentos emocionantes, mostrando uma moda/roupa que não quero para mim, nem para minha família, muito menos para o mundo. “The True Cost” está disponível no Netflix. 

Ao final da exibição, houve uma roda de bate-papo, onde os presentes puderam expor seu ponto de vista e contar fatos vivenciados ao longo dos anos, seja no trabalho exercido ou como experiência pessoal. “Sabe quem fez minhas roupas?”, esse é o questionamento.

Participantes da abertura o Fashion Revolution em Pindamonhangaba. (Foto: Luis Claudio Antunes/PortalR3)

Outras atividades no Fashion Revolution em Pindamonhangaba
Dando prosseguimento, no dia 27, às 18 horas, será a vez de uma oficina Criativa com Retalhos, também na avenida Fortunato Moreira, 247, Centro [Âme Café Nutricoach].

As organizadoras do evento em Pindamonhangaba, Cleide Bleck (esq) e Marcela (centro), ao lado da proprietária  do Âme Café Nutricoach], Marina Lemes. (Foto: Luis Claudio Antunes/PortalR3)

Já no dia 28, às 10 horas, haverá uma sessão de cinema com a exibição do documentário “The River Blue”, tema do evento deste ano. A oficina acontecerá na rua Prudente de Morais, nº 143, no Centro.

Para finalizar as atividades, ainda no dia 28, no período da tarde, entre 14 e 17 horas, haverá uma Feira de Troca Consciente, que acontecerá no Parque da Cidade juntamente com o evento Animação, promovido pela prefeitura da cidade.

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