Museu do Futebol inaugura exposição Visibilidade para o Futebol Feminino

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No evento de abertura, alguns importantes nomes do futebol brasileiro feminino foram homenageados. (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)
No evento de abertura, alguns importantes nomes do futebol brasileiro feminino foram homenageados. (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)

Na manhã de terça-feira (19), no auditório Armando Nogueira, no Museu do Futebol, em São Paulo, a exposição ‘Visibilidade para o Futebol Feminino’ foi iniciada, para contar essa importante trajetória do esporte mais popular brasileiro.

No evento de abertura, alguns importantes nomes do futebol brasileiro feminino foram homenageados. Entre elas, o grande destaque foi a ex-árbitra Léa Campos, primeira mulher a arbitrar um jogo oficial da FIFA em 1971, durante o Mundial Feminino no México. Ela abriu caminho para a modalidade no país, já que sua prática foi proibida durante quase 40 anos no Brasil, entre 1941 e 1979. Após o final do decreto, a modalidade ainda demorou a ser regulamentada, pois isto aconteceu somente em 1983.

Na consulta de arquivo para a exposição, Daniela Alfonsi, diretora de conteúdo do Museu, ressaltou que haviam relatos de que a prática da modalidade entre as mulheres começou em 1921 no Brasil. Após muita procura no setor dedicado ao Esporte nos periódicos daquela época, as referências que comprovaram essas evidências foram encontradas nas páginas policiais, mostrando a discrimiação que o sexo feminino sofria para praticar o futebol.

Ex-árbitra, Silvia Regina atualmente é instrutora da Escola de Árbitros da FPF e também foi homenageada nesta terça. “As mulheres jogam um futebol tão bonito quanto os homens. É um campo de trabalho para todas, de estarem junto com os homens. Não estamos roubando o lugar de ninguém. Essa homenagem é maravilhosa. Estou ainda mais contente pela Léa Campos, ela que deve ser prestigiada. Se não fosse ela, não existiria nenhum desses avanços que as mulheres conseguiram no futebol”, declarou.

Atual técnica do São José, Emily Lima confia no crescimento da modalidade. “Acho que faltava isso, o Museu já vinha abraçando isso há algum tempo. Hvaia uma luta pra incluir o futebol feminino no Museu. Fiz parte dessa homenagem e agradeço por ter conhecido a Rosely, a Maykon… Sempre digo que o futebol feminino tem momentos. Como o da Maisena, isso antes da minha época, o da Maykon. Depois teve a Paulistana, entre 1997 e 98, organizada pela Federação Paulista. Houve ainda as Sereias da Vila e agora o São José, atual campeão mundial de clubes. Hoje, eu vejo, que as pessoas não querem momentos. Isso está melhorando, elas querem continuidade na evolução do futebol feminino”, apontou.

Quem visitar o Museu poderá encontrar reproduções de objetos colecionados pelas atletas, como a primeira medalha da Seleção Brasileira no torneio internacional da China, em 1988; a trajetória dos primeiros times femininos no Brasil até a proibição, pelo Estado Novo, a partir de 1941; três vídeos mostramndo a história dos Clubes e Campeonatos nacionais; o jogo bonito de muitas atletas profissionais e amadoras e as pioneiras no esporte, com destaque a Léa Campos, a primeira árbitra FIFA no mundo.

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