Falando de Trova: Divina Homenagem




vania

Vania, entre o marido e as filhas. (Foto: Divulgação)

Os puristas que me desculpem, mas vou utilizar um velho e surrado chavão: “Até o dia amanheceu chorando” em oito 08 de março de 2015. O sol nem deu as caras. Um tom cinza simbolizava a tristeza da família Garcia, residente à Rua São Luiz, no Bairro Campo Alegre, em Pindamonhangaba.

Nessa data morreu a professora Vânia Veloso Garcia, mãe da Paula e da Roberta, também professoras. Foi levada ao hospital e de lá não voltou.

“Ora, quem é a Vânia, mãe de Paula e Roberta?” – poderá alguém me perguntar. E eu responderei: “Olhe pra cima, à noite, e reconte as estrelas. Aquela mais nova e de brilho mais intenso é a Vânia.

O livreto de trovas “E Agora, José…s?”, que um dia lhe passei às mãos, não saía de sua cabeceira, e ela o levou também para o hospital, como se fosse um amuleto.

Querida amiga Vânia. Que adorava ouvir declamações de trovas. A melhor amiga de minha esposa Henriqueta. Com quem era capaz de conversar por horas. Pareciam irmãs… Agora ela vai conversar com Deus. E voltar a sorrir, em um lugar indubitavelmente mais alegre e colorido do que se tornara, para ela, esse mundo… Incluirei seu nome na lista das pessoas mais queridas que já partiram.

Homenageada pelo próprio Pai Maior, Vânia foi recebida em Seu Reino exatamente no dia consagrado universalmente à Mulher. E eu a homenagearei com os antológicos versos do também inesquecível Adolpho Macedo:

Foi tanta gente querida
residir na Eternidade,
que a rua da minha vida
é asfaltada de saudade…

Sem deixar de citar a trova de outro saudoso poeta: o meu primo Paulo Cesar Ouverney, cuja inspiração literalmente transcendeu quando compôs estes versos, com que retrata, de forma singular, a temível imagem da Morte:

A morte não me intimida…
Perfil de dor que eu descarto.
A morte é somente a vida
fazendo um segundo parto!