Para alertar sobre sexo seguro, ministério usa perfis falsos em aplicativos




Prevenção é responsabilidade de cada um, diz Carlos Tufvesson,  coordenador  especial  da  Diversidade Sexual  da  Prefeitura. (Foto: Tânia Rêgo/Agência  Brasil)

Prevenção é responsabilidade de cada um, diz Carlos Tufvesson, coordenador especial da Diversidade Sexual da Prefeitura. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Aplicativos de smartphones usados para marcar encontros casuais entraram neste ano na mira da campanha de prevenção do Ministério da Saúde contra doenças sexualmente transmissíveis (DST). Para conscientizar usuários dispostos a ter relações sexuais sem camisinha, o ministério divulgou hoje (9) perfis falsos em dois aplicativos, alertando quem interagir com eles buscando um encontro desprotegido.

Os aplicativos escolhidos foram o Tinder, que tem público de todas as orientações sexuais, e o Hornet, usado principalmente por homens que fazem sexo com outros homens.

“Precisamos chegar ao público jovem, tanto o heterossexual quanto o homossexual, em uma linguagem direta, informativa e esclarecedora, que convoque os adolescentes e jovens a fazerem sexo com segurança”, disse o ministro da Saúde, Arthur Chioro, ao participar hoje (9) da divulgação da campanha de prevenção às DST/aids, na quadra da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, na zona norte do Rio.

Cinco perfis foram criados nos aplicativos, três de homens e dois de mulheres. Na descrição, os usuários fake, como são chamados na linguagem dos internautas, declaram-se dispostos a sexo “sem camisinha e sem frescura”, o que atraiu outros usuários dos aplicativos. Quando os usuários interagiam, no entanto, o perfil se declarava falso e alertava para a necessidade de não abrir mão do sexo seguro.

O ministro destacou que a campanha faz parte de um conjunto de novas estratégias para combater o avanço da epidemia de aids. Desde 1º de dezembro, o ministério adotou uma política de também encarar como prevenção a execução de testes rápidos e o tratamento imediato assim que a presença do vírus é detectada.

“O tratamento também passa a ser prevenção”, disse o ministro, ao explicar que, quando um soropositivo é diagnosticado e tratado, a transmissão do vírus é interrompida no momento em que a carga viral fica indetectável no sangue.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro também lançou hoje (9) sua campanha de prevenção às DSTs, em parceria com a Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual (Ceds) da Prefeitura do Rio. Com o título de “A aids não tem cara e não tem cura – use camisinha”, os órgãos querem conscientizar a população de que não existem grupos de risco, e, sim, comportamentos de risco, como deixar de usar a camisinha em relações sexuais.

“Isso nos fez muito mal, e pessoas deixaram de se prevenir por se achar fora do grupo de risco, pensando, ‘eu não sou gay, e não uso drogas, então, não preciso me prevenir'”, disse o coordenador da Ceds, Carlos Tufvesson.

Ele alertou a população para a necessidade de fazer a profilaxia pós-exposição a situações de risco.

Em caso de sexo sem camisinha, ou quando o preservativo estourar, é possível conter a infecção pelo vírus HIV procurando com urgência uma unidade de saúde e iniciando o tratamento com antiretrovirais, que dura cerca de um mês, disse Tufvesson.

Além disso, Tufvesson recomenda que se faça o teste para HIV com regularidade semestral para qualquer pessoa com vida sexualmente ativa: “A prevenção é responsabilidade de cada um.”