Exposição documenta nove primeiras décadas da fotografia no Rio

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Vista da entrada da Baía de Guanabara, a partir do Morro do Corcovado. Imagem de Augusto Malta, de 1906. (Foto: Divulgação/Instituto Moreira Salles)
Vista da entrada da Baía de Guanabara, a partir do Morro do Corcovado. Imagem de Augusto Malta, de 1906. (Foto: Divulgação/Instituto Moreira Salles)
A cidade do Rio de Janeiro, fundada em 1565, tinha 275 anos quando chegou ao Brasil uma das grandes novidades tecnológicas da primeira metade do século 19: a fotografia. Naquele ano (1840) começava o reinado do segundo imperador do Brasil, dom Pedro II, um entusiasta, incentivador e praticante da nova técnica, inicialmente utilizada apenas em retratos.

Tinha início ali uma intensa relação da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império, com a fotografia. Neste sábado (28), como parte das comemorações pelos 450 anos da cidade, o Instituto Moreira Salles (IMS) inaugura uma mostra que percorre as primeiras nove décadas da produção fotográfica no Rio. A exposição Rio: Primeiras Poses, Visões da Cidade a Partir da Chegada da Fotografia (1840-1930) apresenta 450 imagens que documentam a cidade no período imperial e nas primeiras quatro décadas da República.

A mostra foi montada na Galeria Marc Ferrez, que tem o nome do mais importante fotógrafo do Império, cuja obra, colecionada por seu neto, Gilberto Ferrez, foi adquirida pelo IMS em 1998. Além de fotografias de Ferrez, estão expostas imagens de outros grandes mestres da arte no século 19, como Georges Leuzinger, Augusto Stahl e Revert Henri Klumb.

“As primeiras fotos eram baseadas na daguerreotipia, o pioneiro processo fotográfico, muito usado para retratos. Gradualmente, através do avanço tecnológico, os fotógrafos passaram a documentar a paisagem urbana, através de processos como os negativos em vidro e fotografias em papel”, explica Sergio Burgi, curador da mostra e coordenador de fotografia do IMS.

As fotos revelam a memória de uma paisagem urbana e traços de uma arquitetura estruturada ainda na época colonial e desenvolvida com maior intensidade depois da chegada da família real portuguesa, em 1808. Já as fotografias da fase inicial da República mostram as reformas urbanas do início do século 20, particularmente durante a administração do prefeito Pereira Passos (1902-1906), como a construção da Avenida Central (hoje Rio Branco), da Avenida Beira-Mar e as obras de melhoramento do porto do Rio de Janeiro.

“Esse período, que vai até a Revolução de 1930, é marcado pelo trabalho de Augusto Malta, que registrou toda a transformação urbana da cidade”, destaca Burgi. “Foi a época que ficou conhecida como a do ‘bota-abaixo’, seguida pelas reformas que levaram ao desmonte do Morro do Castelo. Esse período cria toda uma configuração da cidade, inclusive sua expansão em direção a Copacabana e a toda a zona sul”, comenta o curador.

Organizada em seis ambientes dispostos em ordem cronológica, a exposição também conta com recursos multimídia, incluindo dois mapas interativos, comandados por telas touchscreen e dois monitores com 75 fotos estereoscópicas, com visualização em 3D (tridimensional). As imagens digitalizadas e as ferramentas de visualização oferecem ao visitante a possibilidade de enxergar detalhes nas fotografias que não seriam facilmente vistos nos originais.

“É uma oportunidade de se ver toda uma produção de época, percorrer esse período de formação da cidade, que a fotografia acompanhou, e ao mesmo tempo ter uma imersão muito acentuada”, ressalta Sergio Burgi.

A abertura, hoje, foi para convidados. A partir de amanhã, a exposição fica aberta para o público, até 31 de dezembro, com entrada franca e visitação de terça-feira a domingo, das 11h às 20h. O IMS-RJ fica na Rua Marquês de São Vicente, 476, na Gávea.

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