Cerimônia premia Mestres Cultura Viva em Jacareí

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Encenação do espetáculo “Nasceu o Menino Deus”, que abriu a cerimônia de entrega da premiação Mestres da Cultura Viva, na sala Ariano Suassuna, no EducaMais Jacareí. (Foto: Valter Pereira/PMJ)
Encenação do espetáculo “Nasceu o Menino Deus”, que abriu a cerimônia de entrega da premiação Mestres da Cultura Viva, na sala Ariano Suassuna, no EducaMais Jacareí. (Foto: Valter Pereira/PMJ)

‘Nasceu o Menino Deus’ retrata com muita alegria e música a história cristã. Com pernas de pau, os atores encenaram o espetáculo resgatando a cultura popular com cânticos e o colorido das roupas, como acontece na Folia de Reis.

A apresentação abriu a programação cultural na noite do domingo (11), na sala Ariano Suassuna, no EducaMais Jacareí, que teve ainda a quarta edição da premiação dos Mestres Cultura Viva.

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Aos 17 anos, Letícia Salles de Souza achou muito interessante a valorização da cultura. “Achei bem legal a peça e a premiação dos mestres, porque muitas pessoas não conhecem a cultura deles”, disse a jovem, que participou pela primeira vez da premiação e aproveitou para assistir a peça. Ela foi com a família prestigiar o Pai Roberto, Roberto Leite Machado, 65 anos que recebeu o prêmio Pai de Santo. O homenageado ficou emocionado com a escolha. “A gente faz a caridade sem querer receber nada em troca e de repente a cidade em que eu nasci, cresci, me reconhece. Eu já sofri preconceito pela minha cor, e hoje sou reconhecido pela minha própria cidade.”

Conhecido com seu Zequinha, José Maria de Souza, 68 anos, foi o escolhido como mestre da Tradição no Bolinho Caipira. “Eu fiquei muito feliz em ser premiado, entre milhares de pessoas que sabem fazer o bolinho. Eu aprendi fazer porque gostava de ficar observando. É uma tradição que agora as filhas estão aprendendo.”

Já Ana de Araújo Reinaldo, aos 82 anos, foi homenageada na categoria Boleira. Conhecida na cidade por seus caprichos, dona Ana ficou muito feliz: “a sensação de ser escolhida é ver o trabalho recompensado. Minha filha está continuando a cultura dos bolos artesanais que eu comecei”.

E o único Mestre na categoria Confecção Artesanal de Rede de Pesca que não pode receber o prêmio pessoalmente foi Alcebíades Reinaldo, 82 anos. Representado pelo filho, Arnaldo Reinaldo, que ressaltou a alegria em receber pelo pai o prêmio. “A cultura não pode morrer, por isso esse reconhecimento é importante para ficar na história e as crianças aprenderem a nossa cultura.”

Os quatro Mestres Cultura Viva desse ano, da esquerda para a direita: José Maria de Souza, o Zequinha, que faz bolinhos caipiras; Arnaldo Reinaldo, que representou seu pai, Alcebíades Reinaldo, premiado pela produção de redes de pesca artesanais; a boleira Ana de Araújo Reinaldo; e o Pai de Santo Roberto Leite Machado. (Foto: Valter Pereira/PMJ)
Os quatro Mestres Cultura Viva desse ano, da esquerda para a direita: José Maria de Souza, o Zequinha, que faz bolinhos caipiras; Arnaldo Reinaldo, que representou seu pai, Alcebíades Reinaldo, premiado pela produção de redes de pesca artesanais; a boleira Ana de Araújo Reinaldo; e o Pai de Santo Roberto Leite Machado. (Foto: Valter Pereira/PMJ)

A presidente da Fundação Cultural de Jacarehy, Sonia Ferraz, destacou a importância dessa homenagem aos verdadeiros mestres que adquiriram experiência com a vida. “É com muito orgulho que fazemos essa premiação aos mestres que aprendem e repassam os seus fazeres e saberes de pai para filho.” Além do certificado, cada mestre recebe um prêmio no valor de R$ 2.000 e depois uma placa Mestre da Cultura Viva para colocar em suas casas.