Bertha Celeste Homem de Mello: a pindense do Parabéns a Você

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Bertha Celeste Homem de Mello. (Foto: reprodução)Em colocando como título desta “Gota Histórica”, de maior importância, talvez ficasse melhor: PARABÉNS A VOCÊ, por razões que a maior parte da população brasileira bem o sabe.

Pois bem, Bertha Celeste Homem de Mello, nasceu em Pindamonhangaba, aos 21 de março de 1902 e faleceu em Jacareí, aos 16 de agosto de 1999. Foi uma poetisa, farmacêutica e professora, autora da letra em português da canção “PARABÉNS A VOCÊ”. Era filha de casal de fazendeiros de sua terra natal -seus pais: José Joaquim Homem de Mello e Maria da Conceição Varella de Mello, ambos nascidos também em Pindamonhangaba. Dona Bertha, como carinhosamente era conhecida, formou-se em farmácia, casou-se e teve uma única filha – Lorice.

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Tinha 40 anos de idade quando participou, junto a outros cinco mil candidatos, do concurso para a escolha da letra de Parabéns a Você, que compôs em apenas cinco minutos. Além deste concurso, que venceu usando o pseudônimo de “Léa Guimarães”, participou de diversos outros que ouvia pelo rádio, sendo vencedora diversas vezes – como na quadra feita´para escolha do jingle de uma cera de polimento de pisos, que dizia ” Vou lhe contar um segredo/ Que todos sabem de cor/ Dá lustro até num rochedo/ A supercera Record”.

Doutorou-se em Letras, escrevendo poemas que foram mais tarde publicados no livro Devaneios e também numa coletânea impressa em sua homenagem pela Prefeitura de Jacareí sob o título “Poesias”, logo após receber o título de “Cidadã Jacareiense” em 12 de setembro de 1998, data em que lançou seu livro”Devaneios”.

Aos 54 anos mudou-se para Jacareí, onde lecionou por mais de 40 anos. Além do “Parabéns a Você” fez uma outra canção intitulada “Arraiá”, esta gravada por Rolando Boldrin que comanda hoje um interessante programa na TV Cultura, o “Sr. Brasil”. Declarava ter se emocionada em várias ocasiões em que sua letra foi entoada, especialmente durante a festa do IV Centenário de São Paulo e durante a visita do Papa João Paulo II, em 1980, na cidade de Aparecida.

Sobre o concurso: Em 1942, o compositor Almirante, insatisfeito com o fato de no Brasil a canção de aniversário ser cantada em inglês, idealizou um concurso na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, para a criação em português da canção norte-americana Happy Birthday To You.

A escolha da canção vencedora coube à Academia Brasileira de Letras, com os imortais Olegário Mariano, Cassiano Ricardo e Mucio Leão. A canção de Bertha foi a vencedora por dois motivos principais: foi uma das únicas que trazia cada verso diferente (a maioria repetia a mesma frase) e pela beleza. A letra original é:

“Parabéns a você,
nesta data querida
muita felicidade,
muitos anos de vida”.

Esta é a versão correta e ponto final… mas, a seguir, transcrevemos um dos seus mais belos poemas que foi interpretado por vários amantes da poesia de “Dona Bertha”, em particular, para Pindamonhangaba, pelo saudoso Professor Augusto César Ribeiro, que o apresentou de forma brilhante em várias cidades do Vale do Paraíba e Sul de Minas. Ei-lo:

CADÊ CORAGE ?

Só pra mor-de uma marvada,
Que um dia vim cunhecê,
Num sei mais o que é alegria,
Só sei o que é padecê!
Já pensei de le falá.
Tudo, tudo le dizê…
Mais quá, bobage.. que jeito?
Cadê corage? Cadê?

Si as veis vo ino pra istrada,
E vejo ela parecê,
Meu curação dá pinote,
Fico meio num se o que…
Finco meus óio no chão,
E garro tremê-tremê…
Quero oiá pr´éla …num passo!
Cadê corage? Cadê?

Ela passa…e eu fico oiâno
Inté disaparecê!
Intonce, mi dá vontade
De pela istrada corrê,
De arcansá ela e falá:
“Zefa, eu gosto de vancê!”
mais porém…fico parado…
Cadê corage? Cadê?

No baile, tuda catita,
Bunitinha cumo quê,
Ela dança…e eu lá de longe,
Ispicho os óio pra vê!
Dançá co´a Zefa, meu Deus,
Que bão que havera de sê!
Mais tirá ela é qué o diacho!
Cadê corage? Cadê?

Essa morena fermosa
É tudo que eu quero tê!
Pra sê meu seu curação,
Pra seu amô merecê,
Eu faço tudo na vida,
Sô inté capais de morrê!
Mais porém, nada num faço
Cadê coragê ? Cadê ?

Memo ansim, vivo sonhano
De lá na roça fazê
Um ranchinho, uma paióça
Pra um dia nos dois vivê,
E tamem um cabocrinho,
Que havera de parece…
Mais sonho…depois magino:
Cadê corage? Cadê?

Às veis garro matutá:
Vivê no mundo, pruque?
Num seria mais meior
Bebê uma coisa… e morrê ?
Num pensava mais na Zefa,
Cabava neu padecê…
Mais porém, cadê corage?
Cadê corage? Cadê?