Lendas da cidade de Areias




Antigo pouso de tropeiros, no século XVIII, teve o nome de São Miguel de Areias. O nome mudou devido a uma história de que tropeiros tiveram suas caixas de doces roubadas e no lugar dos doces foram deixadas caixas com areia. Uma outra versão afirma que o nome da cidade é uma homenagem a D. Miguel, filho de D. João VI.

Um Farol na Estrada
Na cidade de Areias, um simpático casal daqueles que já são casados há mais de cinquenta anos, atenciosos e bons contadores de histórias, Seu José e Dona Alcina, contam que quando jovens não havia muitas distrações na cidade a não ser o cinema. Juntavam uma turminha de amigos e iam para a cidade. Na hora da ida não havia problemas, ainda era dia, mas no retorno sempre tinham medo. Inúmeras vezes eram assustados na sinuosa Rodovia dos Tropeiros, por grandes e intensos faróis amarelados, que brilhavam, mas nunca aparecia o carro. Contam os mais velhos da cidade que havia muita explicação para esses faróis. Uma delas é que poderia ser um dos caminhões que circularam pela região por época da Revolução de 32, carregando fantasmas de soldados, outra explicação se dá por uma promessa não cumprida.
Certo fazendeiro da cidade de Silveiras teria feito uma promessa de ir até Aparecida a pé, mas morreu antes de pagar a tal promessa. Dizem que seu fantasma aparece pedindo que alguém o leve de carro. Já correu até o boato de que o fantasma daria um carro para quem o levasse até a cidade. Consta que ninguém teve coragem de fazê-lo até agora.

Ruindade
Nossas cidades são antigas e guardam histórias de um tempo em que muitos homens pareciam ter um coração mais rude. Dona Alcina, às margens da Rodovia dos Tropeiros conta uma história que é o cúmulo da ruindade. Um fazendeiro de Queluz tinha uma tropa que puxava carvão em Areias. Um camarada da cidade estava de mudança para fugir da Revolução de 32. Tomou emprestado sem pedir um dos burros da tropa para puxar a mudança. O fazendeiro, descobrindo o mal feito, apiedou-se do sujeito e deixou o animal com ele para que utilizasse até resolver seus problemas. Como o camarada nunca devolvia o animal, o fazendeiro resolveu mandar buscar e chegando lá deram com a notícia de que o bicho tinha morrido. O fazendeiro, cismado com a morte repentina de um animal saudável, resolveu levar um veterinário até o lugar e o doutor atestou que o pobre animal tinha sido sangrado até a morte.   A vergonha (e de certo o medo) foi tanta que dizem que o camarada juntou suas tralhas e sumiu da cidade, sem burro nem nada para puxar, e unca mais voltou.

 
Um Vulto na Escuridão

Num sítio da região de Areias, próximo a uma cruz amarela na Rodovia dos Tropeiros, há um vulto que acalma a criação de animais.  Dona Alcina conta que certa noite estava chegando por volta das onze horas da noite quando os cachorros