Mistérios do Vale: A lenda da escrava Lavínia




Nos textos do senhor Newton Lacerda César, é possível conhecer muito sobre as lendas de Pindamonhangaba. Uma das mais belas é sobre a escrava Lavínia. Ele conta que “quando a produção de café atingia seu clímax de lucros extraordinários para os plantadores da rubiácea, enriquecendo-os, lá para as bandas do Bairro da Cruz Grande e do Morro da Piedade, existia uma grande fazenda de café, de propriedade de um “Foral” do Império, tronco de uma grande família residente nesta região (CESAR: 1988) .”

A Lenda da escrava Lavínia
Na fazenda moravam os proprietários, os funcionários livres, feitores e os escravos. Entre os feitores havia um que tinha fama de ser muito mal.

Quis o destino que ele que tanto maltratava os escravos se encantasse exatamente por uma moça cativa. Jovem, bonita e cheia de encantos, a escrava Lavínia enfeitiçou, sem querer, o cruel feitor.

Lavínia tinha todas as tardes quentes de verão a tarefa de acompanhar as sinhazinhas até uma lagoa nas proximidades da fazenda, mas num local discreto, para banharem-se, e quando estas não procuravam por tal refresco, ela  o fazia só. Em uma destas tardes, percebendo que se dirigia para a lagoa sem companhia, o feitor a seguiu. Já na lagoa, aproximou-se da moça e tentou agarrá-la. A escrava apavorada, tentando livrar-se de seu agressor, caiu na água  e não sabendo nadar desapareceu.

O feitor tomando ciência do que tinha acontecido voltou para a fazenda e nada contou. Á noite a Sinhá, preocupada porque a escrava não voltava, mandou buscá-la, mas voltaram sem notícias. Como era uma mucama de dentro de casa, a Sinhá ainda insistiu nas buscas, mas deram a escrava por perdida.

Algum tempo depois, o feitor começou a ser assombrado pela lembrança de Lavínia, andava pelas proximidades do lugar onde ela havia se afogado e via seu vulto nu,  lhe chamando para junto dela.

Aos poucos foi enlouquecendo, aparentava estar ausente do mundo até que finalmente um dia caminhou até a lagoa e jogou-se no mesmo lugar onde a escrava havia morrido.

Colunista: Sônia Gabriel
Professora de História e Sociologia, Pesquisadora, Especialista em Gestão da Qualidade do Processo Pedagógico – MBA.